#33 – Maria Antonieta (2006)

Poster italiano.

“Maria Antonieta” foi o terceiro filme de Sofia Coppola que eu assisti. Alguma coisa nos filmes dela não me deixa gostar realmente deles, mas ainda não descobri o que é.
No começo deste, fiquei angustiada: aparentemente, a personagem título seria enquadrada com um viés mais humano, diferente da maneira como as personalidades foram tratadas nas aulas de História que tive a vida inteira – nomes, datas, ascensão, queda, fim. Dá uma tristeza ver a adolescente ser tratada como moeda de troca entre monarquias, sem poder manifestar nenhuma vontade ou individualidade. Os franceses não a tratam bem, seu noivo não demonstra nenhum interesse em sua presença e não existe nenhuma privacidade.
Mas aí, de repente, o filme fica parecido com o que me lembro de “Encontros e Desencontros”: música, multidão e cores. Não que esses três elementos sejam ruins em um filme – e gostoso ouvir The Cure e ver um allstar azul perdido entre dezenas de outros sapatos coloridos – mas parece que “Maria Antonieta” se perde um pouco nisso.
Aquele viés humanizado da jovem rainha desaparece na frivolidade de comer-vestir-embriagar ao som de bandas de rock alternativo, chegando até a dar impressão de que os revolucionários estavam certos ao afirmar que a França estava arruinada graças às extravagâncias dela.
Os figurinos são lindos, a composição visual do filme é bonita e coerente, algumas cenas até parecem doces – os mesmos doces, inclusive, que são devorados por Maria Antonieta e suas amigas.
Entretanto, como comentei antes, não consegui gostar realmente do filme. Começou bem, tem uma construção visual interessante, mas se perde, e com isso a chance de ser um filme muito bom.

[mais]

O Allstar e os doces.

Recebeu o Oscar de Melhor Figurino. É até um pouco engraçado, já que dizem que a rainha Maria Antonieta é o “marco zero” na História da Moda.

Para escrever o roteiro do longa, Sofia Coppola se baseou na biografia “Maria Antonieta“, publicado em 2001 pela historiadora britânica Antonia Fraser

Título Original: Marie Antoinette
Origem e Ano: EUA, França e Japão, 2006
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola
Gênero: Biografia
Figurino: Milena Canonero
Produtor Musical: Brian Reitzell

[site oficial]
No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

3 comentários sobre “#33 – Maria Antonieta (2006)

  1. Pra mim, Maria Antonieta é diegese pura.É a desconstrução do tempo real.
    A história é um pano de fundo, não é um filme fiel a ela mas, propositalmente, pq Maria Antonieta é um filme sobre ser superficial.É um filme sobre o prazer.E, também, é um filme sobre o “universo feminino”.
    Acho a Sophia uma grande esteta,esse filme acredito ser a maior prova disso.Ela constrói seu filme através do visual,da estética.

    • Estéticamente eu gostei muito. Mas desconfio que o ‘traço’ da Sofia que não rola pra mim é esse jeito que ela aborda o universo particular das personagens – no caso de Maria Antonieta talvez seja essa desconstrução do tempo. Em Lost in Translation também tinha um ‘alheamento’ da realidade e eu fiquei meio frustrada com o filme, acho até que uma hora dessas vou fazer uma “maratona Sofia Coppola” pra identificar qual é o ponto que me incomoda.

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