#35 – Drácula de Bram Stoker

Poster original - O Amor Nunca Morre.

Entre todas as adaptações de “Drácula” que já assisti, esta é a minha preferida, e um dos filmes que mais amo na vida!
Nos anos 1980 os góticos eram uma das tribos urbanas mais expressivas, e ainda estavam em alta no início da década de 90 quando o filme foi lançado, em 1992. Ele faz parte de uma tendência da época – as adaptações para o cinema de histórias de vampiros, como “Entrevista com o Vampiro” ou com outras temáticas sombrias, como “Edward Mãos de Tesoura”. Inicialmente, seria um filme para televisão, mas acabou sendo lançado no cinema, mesmo com um orçamento considerado baixo. Os efeitos especiais, por exemplo, foram realizados com técnicas antigas, envolvendo vidro, sobreposição de imagens e espelhos, e esta “dificuldade” conferiu ao filme uma identidade visual muito superior à de outros filmes de vampiro que vieram depois e, mesmo com recursos tecnológicos mais avançados disponíveis, não foram muito além de olhos mudando de cor e dentes compridos.

Em poucos minutos já podemos entender o Oscar de Melhor Figurino que Eiko Ishioka recebeu por “Drácula” – e porque até mesmo influenciou criadores de moda, como Lino Villaventura, a criar coleções inspiradas no filme. As roupas mesclam aspectos orientais, vitorianos e uma tradução excelente dos aspectos subjetivos de cada personagem. Posso citar duas personagens que ilustram bem: Drácula e Mina.

O Drácula de Gary Oldman é um tipo de herói romântico, que também se encaixa perfeitamente no perfil de anti-herói – como Heathcliff de “O Morro dos Ventos Uivantes” – um arquétipo bastante popular entre os góticos – mas não só restrito a esta tribo, considerando que atualmente estamos em uma nova febre de vampiros, que mesmo diferentes dos cultuados nos anos 90 ainda conquistam público por esse perfil humanizado. A interpretação é irretocável, sedutora, da forma como os vampiros do filme se propõem a ser.
A armadura criada para o nobre combatente das cruzadas é interessantíssima, com aspecto “plissado” e um elmo fechado, de orelhas pontudas, assustador. As roupas exóticas do conde ao receber Jonathan Harker no castelo decrépito e a caracterização de idoso, com unhas gigantescas e penteado incomum, contribuem na criação de uma aura de estranhamento e insegurança no personagem de Keanu Reeves. Entretanto, ao mudar-se para Londres, ainda que vista-se de maneira incomum – cabelos longos e soltos, óculos coloridos – é de uma maneira alinhada e atraente.

Winona Ryder, que na época poderia ser um perfeito exemplo de “mocinha gótica” mesmo fora das telas, interpreta uma Mina Harker mais complexa do que uma mera vítima do vampiro – as mudanças de sua personagem também podem ser observadas pela mudança de sua caracterização, que no início é contida, de cabelos presos impecavelmente e roupas claras, mas vai se tornando mais passional, deixando os cabelos soltos e utilizando cores mais fortes, até atingir o ápice, onde cede à sedução de Drácula em um fantástico vestido vermelho.

A trilha sonora de Wojciech Kilar também é tão boa que inspirou Danny Elfman na composição da trilha de “O Lobisomem” e nos créditos finais há uma bela canção de Annie Lenox chamada “Love Song for a Vampire“.
Outra curiosidade interessante é que em uma das cenas do começo do filme, o grito do Príncipe Vlad é dublado por Lux Interior, vocalista da banda psychobilly “The Cramps”.

[mais]

Recebeu 3 Oscar: Figurino, Maquiagem e Efeitos Sonoros.

Contando com o filme “Nosferatu”, o filme de Coppola é a quarta adaptação do livro Drácula, publicado em 1897 pelo irlandês Bram Stoker, além de ter seus personagens incluídos em diversas outras obras de ficção, inclusive algumas que propunham continuidade à história original.

Título Original: Dracula
Origem e Ano: Eua, 1992
Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: James V. Hart
Gênero: Horror
Figurino: Eiko Ishioka
Música: Wojciech Kilar

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

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