#42 – Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída

Poster em inglês, suponho que americano por causa do 'X' ao lado do título.

“Christiane F.” foi um dos livros que mais reli na vida, tanto que até hoje sei de cor algumas partes. O filme, que gosto bem menos que do livro, na verdade, também assisti várias vezes, em uma cópia VHS escura, dublada em inglês e legendada em português. Recentemente, baixei o filme com o áudio original, mas ainda não tive oportunidade de assistir.
Sobre a história, quando era adolescente eu captava um certo romantismo – talvez por ter sido contada pela própria Christiane aos jornalistas que escreveram o livro, reunindo os depoimentos dela e de outras pessoas envolvidas. Hoje, refletindo, concluí que é uma história muito triste e que ainda se repete pelo mundo inteiro, com pessoas tão jovens quanto as que a heroína matou em Berlim na década de 1970. Talvez possamos mesmo considerar uma história romântica, no sentido mais byroniano da coisa – anti-herói, tragédia – mas infelizmente não são ficção. Christiane era uma menina linda. A última notícia que consegui encontrar sobre ela é de 2008 – ainda viciada, doente e perdendo a guarda de seu filho. Ela nunca foi feliz, e tudo isso aconteceu diante dos olhos de tanta gente, é algo que me faz pensar muito, sem chegar a nenhuma conclusão.
De acordo com as informações que encontrei, o livro e o filme fizeram um sucesso enorme na época do lançamento, mas atualmente, enquanto o livro ainda ganha reedições, o filme tornou-se “lado b”. Até é possível encontrar o dvd sendo vendido em bancas de jornal, mas as informações são poucas e já nem sei de onde consegui baixar.
Talvez tenha vocação natural para essa “marginalidade” – li há alguns anos que suas filmagens foram realizadas clandestinamente, e muitas vezes a equipe precisava fugir da polícia por não possuir autorização da prefeitura de Berlim. Do elenco, as únicas pessoas que continuaram atuando foram Natja Brunckhorst, que interpreta Christiane, que fez pequenos papéis em outros filmes, e David Bowie, que dois anos depois protagonizou “Fome de Viver” ao lado de Catherine Deneuve, entre outros filmes dos quais participou até recentemente, quando se afastou tanto do cinema quanto da carreira musical.
Bowie contribui com “Christiane F.” interpretando a si mesmo na cena onde a protagonista vai a seu show, e com a trilha sonora, resultando em uma excelente coletânea de seus álbuns lançados entre 1977 e 1979.
Em resumo, “Christiane F.” é um filme marginal, estranho, triste e romântico, que merece ser visto com a sensibilidade que faltou à realidade cruel que permitiu que jovens de uma Alemanha dividida e complicada mergulhassem tão fundo.

[mais]

Adaptação do livro Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída…, publicado em 1978 pelos jornalistas Kai Hermann e Horst Rieck, resultado de dois anos de depoimentos de Christiane, sua mãe e membros da comunidade. Eu particularmente ODEIO esse título pedante que recebeu no Brasil. Essa mania de subtítulos… ainda se tivessem mantido relação com a tradução “Nós crianças da Estação Zoo”.

Título Original: Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo
Origem e Ano: Alemanha, 1981
Direção: Uli Edel
Roteiro: Uli Edel e Herman Weigel
Gênero: Biografia
Figurino: Myrella Bordt
Música: Jürgen Knieper

Teaser australiano

No IMDB.

2 comentários sobre “#42 – Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída

  1. neste post, tenho que comentar duas coisas: 1. obrigada por me lembrar quem fui (fomos) um dia; 2. queria escrever um blog assim feito o teu. ❤

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