Fim de Semana em Estocolmo

O post de hoje será um pouquinho longo, para eu poder contar para vocês sobre nosso primeiro dia e o primeiro fim de semana circulando pela cidade, mas creio que seja uma leitura interessante, pois fomos a lugares bem legais.

Sexta
Dia de trabalhar pois, mesmo viajando, não estamos de férias. Felizmente é possível dar sequência ao trabalho à distância, já que o restante da tripulação é todo de programadores e eu atualmente me afastei do Design de Moda pelas Mídias Sociais. Lesadíssima pelo jetlag, acompanhei a galera ao escritório de um amigo sueco, onde vamos ocupar algumas mesas durante nossa estadia aqui.
Andamos pelo Centro da cidade ainda um pouco desorientados, pedindo informações. Em uma rua próxima à T-Centralen há um Instituto Cervantes e o Goethe vizinhos de porta – um sonho da minha vida estudar em ambos!
Há muitas lojas de departamentos da H&M – a empresa é original do país e sua sede é aqui – e esculturas de leões de pedra em algumas ruas. Em alguns lugares não passam carros e, de uma forma geral, a cidade é de um silêncio mágico!

Depois do expediente ficamos com o pessoal do escritório – todos conversando em inglês, menos eu, que consigo traduzir a maior parte da conversa, mas não consigo falar.
Saímos para comer – caro, caro, caro – e fomos parar na Pizza Hut que, por aqui, pareceu bem diferente das que conheci no Brasil.
Confesso que fiquei bem nervosa por não conseguir me comunicar, acabo me sentindo muito incompetente por não conseguir formar uma frase em inglês, tanto por vergonha quanto por limitação de vocabulário.
Na volta os meninos fizeram guerra de bolas de neve e fomos abordados por duas figuras muito bizarras na entrada da estação do metrô – dois carinhas muito sociáveis e que talvez estivessem “altos”. Deu medo, acho que meu instinto paulistano de cuidado ligou instantaneamente.
Saindo do metrô, voltamos para casa pela margem de um lago quase congelado, mas ainda assim cheio de patos, onde encontramos escadas para a água e deduzimos que as pessoas tomam banho por ali no verão.
O lugar é a cara do filme “Deixa Ela Entrar”, que pretendo rever em breve.

Foto de Letícia Figueira.

Brincando na neve no Centro de Estocolmo – Foto de Letícia Figueira.

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Descendo para o rio. Olhem a quantidade de bicicletas estacionadas no prédio à esquerda! – Foto de Gabriel Engel.

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Rio congelado. No meio da cerca, à esquerda na foto, tem uma escada para ir à água. – Foto de Letícia Figueira.

Sábado
Sábado descobrimos que estava acontecendo a Stockholm Fashion Week. Diferente das semanas de moda brasileiras, que são restritas a convidados, nesta é possível entrar comprando o ingresso. Consideramos ir no domingo mas, como gostaríamos de fazer outros passeios e a entrada nos lugares não é nada barata, abrimos mão para poder conhecer outras coisas da cultura sueca. Depois de almoçar saímos rumo a Djurgården, que é uma ilha onde ficam vários museus e um parque homônimo. No caminho pudemos ver mais um pedaço dessa cidade linda e descobrimos que realmente existe uma Cinemateca por aqui – que, pelo que consegui entender, exibe filmes nacionais e estrangeiros em várias salas de três cidades do país. Passamos em frente ao Museu de História e no Museu Nórdico, mas seguimos para o Museu do Vasa, que abriga o navio de guerra Vasa, de 1628, que naufragou em sua viagem inaugural e foi içado do fundo do mar mais de trezentos anos depois. É um passeio impressionante, pois o enorme navio está exposto e se manteve bastante conservado sob a água, sua restauração continua sendo feita e existem muitas outras coisas expostas, como um dos botes salva-vidas, uma réplica que mostra como eram as cores originais do Vasa, os pigmentos que foram utilizados para pintá-lo, roupas e objetos resgatados, maquetes explicativas e até mesmo os esqueletos de alguns dos poucos que não conseguiram escapar do naufrágio.
Na volta passamos em algumas lojas para providenciar botas e luvas mais adequadas, tive uma crise de abstinência de café e acabei ficando em casa, curando a dor de cabeça, enquanto o pessoal foi ao mercado.

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Saindo da estação Karlaplan para chegar em Djurgården – Foto de Miguel Grazziotin.

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O navio de guerra Vasa, recuperado após três séculos submerso. – Foto de Letícia Figueira.

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A popa do Vasa, totalmente esculpida, era originalmente muito colorida, mas já havia desbotado quando o encontraram. – Foto de Letícia Figueira.

Domingo
Durante o passeio no Museu do Vasa, encontramos professores portugueses que nos indicaram o Skansen, um museu a céu aberto que reúne construções de diversas épocas e regiões da Suécia, além de um pequeno zoológico de animais escandinavos.
Apesar de a previsão do tempo indicar que seria o dia mais frio que pegamos até o momento, encaramos o passeio e seguimos novamente para Djurgården. Andamos por mais de duas horas na neve – que em alguns lugares passava das nossas canelas – e entramos em três edificações que estavam abertas para visitação: a Farm Labourer’s Cottage, a Väla School e a Seglora Church.

Na primeira delas, uma casa rural, tomei um grande susto, pois abri uma porta e fui cumprimentada por uma moça em trajes de época – a última coisa que eu esperava encontrar. Depois do susto entendi que provavelmente encontraríamos outras figuras assim pelo parque, pois eram as responsáveis pelas explicações sobre o que eram aquelas casas. Encontramos mais duas atrizes/guias, na casa onde funcionou a escola de Väla, que também era residência dos professores, e na igreja de Seglora, construída no século XVIII, transferida para o museu no início do século XX e que ainda hoje é utilizada para casamentos.

Depois disso, seguimos para o fundo do museu, onde ficam os animais. Foi possível ver corujas gigantes, lobos, raposas, linces – brincando como gatinhos! – bisões, renas, javalis, dois cavalos esquisitinhos com cara de pônei, um alce fêmea, lontras, focas e ovelhas. Os ursos estão hibernando e os wolverines não deram nem sinal, o que é uma pena, pois era um dos que mais queríamos ver.

Saindo de Skansen fomos à Gamla Stan, a parte mais antiga da cidade, onde enfrentamos o vento mais gelado de todo o passeio. Paramos em um tipo de pub à beira do rio, passamos em frente ao palácio real, muitas lojas de suvenires, bares, restaurantes e terminamos nossa aventura novamente na T-Centralen.

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Guerrinha na neve em frente ao Museu de Biologia, vizinho do Skansen. – Foto de Letícia Figueira.

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Procurando a entrada do Skansen. – Foto de Miguel Grazziotin.

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Gamla Stan, a “cidade velha” de Estocolmo. – Foto de Letícia Figueira.

5 comentários sobre “Fim de Semana em Estocolmo

  1. Que bacana ler tuas aventuras por Estocolmo, me lembrou meus primeiros dias na cidade. No incio eu também tinha um pouco de medo, fazer o que…nossa realidade aqui é outra. Mas a cidade é super segura, pode ficar tranquila ^^

  2. Natália Santucci, se no momento não és competente no inglês, te cumprimento pelo português, teu texto é claro, interessante, contagiante, extremamente expressivo e envolvente. Tem tudo para ser uma grande escritora brasileira. Continua, teus textos estão nos encantando. Beijos. Doris e Tibério.]

  3. Ah, fiquei impressionada com “duas figuras muito bizarras na entrada da estação do metrô ” e……..o que eles queriam? Parece livro de Agatha Cristie.

    • Pelo que entendi, um deles chegou perguntando pro Miguel – logo pra quem! – se ele tinha cerveja. Acho que já estavam um pouco bêbados, um deles falava muito e o outro às vezes ia pro outro lado e ficava meio que dançando sozinho.

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