O Deus Camaleão

Provavelmente eu já tinha escutado Bowie muito antes de saber quem ele era.
Foi quando li Christiane F. que minha curiosidade foi despertada, mas naquele tempo não tinha Google, Youtube, era um pouco mais trabalhoso conhecer artistas que não tocavam nas novelas ou programas dominicais.
Acho que ouvi “Astronauta de Mármore” bem antes de ter o prazer de ouvir “Starman”. Não me lembro quando foi que sua voz e sua personalidade incríveis entraram de vez na minha vida, mas em idos 2002 “Heroes” já me enchia os olhos de lágrimas, conectando os sonhos de adolescente da menina alemã dos anos 1970 à menina paulistana dos anos 2000. Eu também tingi (parte) do cabelo de laranja por Bowie.
Nos anos seguintes, ele nunca mais saiu da minha playlist. Se tornou um deus mutante, mágico, que me encantava com cada nuance de sua carreira múltipla.
Em 2004 lamentei profundamente a história do pirulito e seu afastamento dos palcos – eu estava só começando, e agora talvez nunca mais pudesse vê-lo ao vivo.
Ali por 2006 dei um jeito de assistir todos os filmes que ele tinha feito – só não completei a missão pois alguns eram quase impossíveis de achar. Mas estive perto.
No Youtube, tive a chance de ver duetos incríveis do camaleão com outros músicos que adoro em seu aniversário de 50 anos, gravado em 1997.
Em “Sandman”, descobri que Lúcifer (Morningstar) teve sua aparência inspirada nele.
Bowie estava por todos os lados no meu universo.
Estava nas pistas de dança das festas que eu frequentava, na trilha de filmes que eu via, entre minhas principais referências de moda…
Que dia mais terrível essa segunda, 11.01.16, acordar e descobrir que não vai mais ter música nova em seu aniversário de 70 ou 71 anos, que não vai mais ter participação em filme como personagem excêntrico, que não vai mais ter figurino memorável ou disco genial… Os próximos anos serão tão vazios!
Descobrir que eu estava certa em 2004 sobre nunca poder vê-lo ao vivo…
Ano passado fui a São Paulo com as datas friamente calculadas para poder ver a exposição “David Bowie is”, que foi trazida ao Brasil pelo MIS. Durante as horas que passei lá, tantas vezes as lágrimas vieram, por estar de alguma forma perto do grande ídolo.
Eu costumo gostar de segundas-feiras, mas esta foi diferente. Eu só consegui chorar, de uma forma que nunca pensei que pudesse chorar por um artista. Agora eu descobri como é, pois nunca antes perdi algum que fosse tão profundamente importante pra mim. É como se alguém da minha família tivesse ido.
Estou ouvindo seus discos em ordem, finalmente conseguindo expressar alguma coisa – porque, por muitas horas, tudo que consegui fazer foi chorar, postar carinhas tristes nas redes e sentir um turbilhão de emoções sombrias e confusas.
Fiquei com “Word on a Wing” na cabeça, como se meu subconsciente estivesse ilustrando o momento sombrio com a canção que surgiu de um outro momento sombrio.
David Bowie transformou a si mesmo e a muitas pessoas pelo mundo durante quase 50 anos de carreira. Eu fui uma dessas.
Com ele, aprendi a viver a Mudança. A não me apegar a uma coisa ou outra pra definir minha identidade – se quisesse experimentar o oposto, que fosse vivido intensamente, sem traumas por romper com o que eu fazia antes. E assim, meio que virei um filhote de camaleão, uma dessas pessoas esquisitas pelo mundo que agora estão um pouco órfãs, com o coração despedaçado ou tão apertadinho que poderia ser confundido com um amendoim.
Bowie nos presenteou com “Blackstar” nos últimos dias. Seria a estrela que morre, mas da qual a luz continua viajando pelo universo? Talvez pressentisse seu canto do cisne, talvez precisasse deixar para nós suas últimas canções antes de descansar.
Eu gostaria que fosse uma mentira de internet, que amanhã fosse anunciado um mega show com transmissão ao vivo para o mundo inteiro, mas infelizmente, a gente sabe que essa mudança não tem volta.

Nos resta agradecer por tudo.

Das coisas que eu disse e coisas que virão

eu disse que o blog teria um mês e meio de férias. muita água passou por baixo dessa ponte e a coisa não foi bem assim. vi que o blog continuou a ter cerca de 70-90 visitas por mês, creio que principalmente pelas imagens (modéstia à parte, reuni umas coisas bem legais aqui).

eu gostaria de voltar a escrever, mas bem na verdade depois de emendar um tcc no outro, passei um período atribulado de organização e entrei no mestrado – ou seja, mais um “tcc” vem aí em cerca de um ano.

achei que pelo menos devia postar alguma justificativa aqui invés de deixar tudo abandonado. não sei ainda se terei condições de voltar, se começarei outra página ou se abrirei mão definitivamente de escrever na internet. eu francamente desanimei com essa onda desmedida de agressividade online. sou do tempo que as pessoas faziam novos amigos via blog, e quando alguém aparecia xingando nos comentários era até assustador. hoje parece que essa dinâmica se inverteu, e eu não tenho muito estômago pra lidar.

veremos.

Pensamentos cinematográficos

Essa semana eu me entupi de ficção pra relaxar um pouco depois de ficar investigando bancos de dados pra formular uma estatística. Algumas coisas que pensei:

Star Wars e Disney – porque você ama uns e fala mal dos outros? É porque de um lado tem os cara no fight e do outro meninas com vestidos volumosos? Hummm… Repense!

É porque os filmes da Disney passam mensagens equivocadas? Todo filme passa mensagens, se informe sobre “semiótica” e… Repense!

É porque as meninas vão ser ensinadas errado? E por acaso não é função dos pais ensinar que aquilo ali é de mentirinha invés de usar multimeios como educadores? Repense!

Foram umas coisas que me ocorreram, apenas, creio que muitas outras reflexões podem ser feitas (e eu nem comentei aquela roupa de escrava da Leia que me causa uma coisa de amor e ódio e a polêmica sobre o vestido da nova Cinderela).

Férias, pois são necessárias

Olá, caros!

Sei que o blog aqui já teve seus altos e baixos em relação à frequência de postagens, um reflexo do meu tempo disponível para cuidar dele. Estou muito disposta a fazer uma coisa legal, até criei uma página no Facebook para ajudar na divulgação.
Só que o que acontece agora, novamente, é um reflexo da minha vida pessoal – eu praticamente emendei um TCC ao outro, não me dei o tempo necessário para fazer tantas coisas… Agora muitas delas voltaram e eu preciso resolver. Da mudança de móveis de lugar em casa a férias de trabalho, que estou há quase dois anos sem, de responder e-mails que estão há mais de 20 dias na minha caixa de entrada a reorganizar o blog.

E é por tudo isso e mais alguns detalhes que o Cinematic precisa de férias. Para que eu possa repensá-lo, preparar algum conteúdo, alterar a natureza de algumas postagens, essas coisas que não são possíveis fazer de um dia para o outro cheia de tarefas a cumprir.

Serão um mês e meio de pausa, para que eu possa dar conta de todas essas coisas aí de cima, e voltar em 2014 bem melhor.

Na fanpage os post seguirão aparecendo às terças e quintas, em retrospectiva, e eu vou estar sempre de olho pra responder qualquer contato.

É isso. Bom feriado para vocês, boas férias para o blog e até logo! Vai passar depressa.

#86 – Thor 2: O Mundo Sombrio

Um belo pôster sem os protagonistas.
Um belo pôster sem os protagonistas.

Na segunda M., K. e P. fomos ao cinema assistir o segundo filme protagonizado pelo asgardiano Thor.
Não me lembro com muita riqueza de detalhes do primeiro filme, dirigido pelo lindo do Kenneth Branagh, mas tem muita gente achando a sequência, desta vez dirigida por Alan Taylor, que tem uma looonga carreira como diretor de séries de televisão.
Mas vamos às minhas impressões sobre o novo lançamento da Marvel-Disney!
O primeiro comentário que eu gostaria de fazer é justamente sobre ela: a Disney. Um monte de gente ficou por aí sofrendo que a Disney ia fazer os próximos Star Wars, que ia virar “princesas” e tudo mais, mas quem não for muito birrento pode se lembrar que os últimos filmes da Marvel e a franquia Piratas do Caribe não tem princesas e são um sucesso. Por isso sou levada a crer que as sequências de Star Wars podem ser tão boas quanto.
E já que mencionei Star Wars, teve várias cenas de Thor que me lembraram a trilogia dos anos 90-00 – ângulos de naves, entre outras sutilezas. E olha que nem eram cenas da Natalie Portman, que é a principal personagem feminina tanto em SW quanto na série do Deus do Trovão.
Enfim. Gostei muito do visual da produção, dos figurinos, acho o Heimdall um fofo, tudo foi muito bem construidinho, mas não achei a história muito empolgante – a trilogia do Homem de Ferro é bem mais legal. O que acaba dando muita graça MESMO é o Loki com seu sarcasmo. Dei boas risadas com ele, foi meu personagem favorito no filme.

[mais]

Baseado nos personagens criados por Stan Lee, Larry Lieber e Jack Kirby para a Marvel.

Título Original: Thor: The Dark World
Origem e Ano: EUA, 2013
Direção: Alan Taylor
Roteiro: Christopher Yost, Christopher Markus, Stephen McFeely, Don Payne e Robert Rodat.
Gênero: Aventura
Figurino: Wendy Partridge
Música: Brian Tyler

No IMDB.
No Adoro Cinema.

#85 – Ed Wood

Poster alemao
Poster alemão

Aproveitando o gancho de Cidade das Sombras e o Halloween, o filme de hoje também tem o Martin Landau e o Bill Murray e é um dos meus preferidos da vida – e possivelmente o meu preferido do Tim Burton.

Ed Wood, assim como O Artista, é outro filme relativamente atual que se utilizou do recurso da fotografia em preto e branco. Lançado em 1994, é a biografia do “pior cineasta de todos os tempos”, que acabou se tornando um cult justamente pela baixa qualidade de seus filmes de terror e ficção científica.

Wood era fã de Orson Welles e Bela Lugosi. Tornou-se amigo do ator quando sua carreira e saúde estavam no fim – algo muito semelhante ao que comentam ter acontecido entre Burton e Vincent Price. Ironicamente, enquanto Welles é tido como um dos melhores diretores de todos os tempos, Ed sempre esteve na ponta oposta, e suas ideias mirabolantes para viabilizar seus filmes são recriadas de um jeito que considero bem leve, até poético, por Tim Burton. Estão lá Glen ou Glenda?, A Noiva do Monstro, O Plano nº9 do Espaço Sideral, as naves suspensas por fios…

Além do filme ser muito bom – ainda acho que um dia o Tim Burton leva um Oscar pelo conjunto da obra, já que seus filmes sempre recebem alguma indicação ou estatueta e o diretor até agora não levou nenhuma – os extras no dvd são impagáveis. Sem mais, assistam!

[mais]

Foi o segundo filme da dupla Burton-Depp – atualmente, são oito filmes lançados e há rumores de uma continuação de Alice no País das Maravilhas com Depp reprisando o Chapeleiro Louco.

Recebeu dois Oscar – Melhor Maquiagem e Melhor Ator Coadjuvante para Martin Landau, sendo premiado também nesta categoria com um Globo de Ouro e indicado nas categorias Melhor Filme – Comédia/Musical e Melhor Ator – Comédia/Musical – Johnny Depp.

Inspirado no livro de Rudolph Grey Nightmare of Ecstasy, sobre a vida e obra de Edward Wood Jr.

Na trilha sonora foi utilizado um instrumento musical muito curioso, o Teremim. Dá pra ouvir ela na íntegra aqui.

Título Original: Ed Wood
Origem e Ano: EUA, 1994
Direção: Tim Burton
Roteiro: Scott Alexander e Larry Karaszewski
Gênero: Biografia
Figurino: Colleen Atwood
Música: Howard Shore

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#84 – Cidade das Sombras

city_of_ember_ver5_xlg
Poster espanhol

Ou “o que é essa merda de tradução apelona?”. Mas vamos lá, desabafada a revolta, vamos ao filme.
Ele foi visto em uma das situações mais incomuns que já vi um filme na vida.
Isso foi no mês passado, aproveitamos que aqui no Rio Grande do Sul o dia 20 de setembro é feriado e fomos visitar meus avós no Paraná. Duas horas de voo naqueles aviões pequenos, que eu apelidei de teco-teco, quatro dias em Maringá, que pode até não ser a cidade fantasma que eu penso, mas é muito ruim na divulgação do que tem pra fazer. Calorão, uma chuvinha que ameaçava cair e nunca vinha de fato, até que na segunda de manhã, bem na hora do nosso voo, o aeroporto estava fechado por condições climáticas. Daí M. sugeriu que assistíssemos alguma coisa, e comentou que ficava imaginando como eu contaria essa história e que achava curioso ver referências a ele aqui no blog. Viu, amor, mais uma!
Um dos poucos filmes no computador que já estava com legendas neste dia, ainda que em inglês, era o City of Ember, que no Brasil recebeu esse título clichê que eu só descobri depois. E o tempo foi passando, voos foram cancelados, e nós lá, na sala de embarque, assistindo aventurinha juvenil. O filme acabou pouco antes do aeroporto abrir e nosso voo ser anunciado.
É bem parecido com aqueles livros de aventura e investigação que a gente lê na adolescência, com personagens em seus 14, 15 anos enfrentando perigos e conspirações. Depois também descobri que o roteiro foi escrito por Caroline Thompson, a mesma roteirista de Edward Mãos de Tesoura, mas não espere neste aqui o mesmo marco na cultura pop que foi sua colaboração com Tim Burton – repetida, inclusive, em O Estranho Mundo de Jack, produzido pelo diretor, e A Noiva Cadáver.
Ember é uma cidade subterrânea e por isso extremamente dependente de luz elétrica, mas a energia e os alimentos parecem à beira de um colapso – que, paralelamente a uma história de poder usurpado, pode ter a solução descoberta por uma jovem dupla.
Enquanto escolhia o trailer também me ocorreu que algumas pontas ficaram soltas na história, mas de uma forma o geral o filme cumpriria perfeitamente a função de uma boa Sessão da Tarde, como a dos idos anos 90.
Um ponto que merece nota é que Martin Landau e Bill Murray aparecem neste filme e também colaboraram em outros trabalhos de Tim Burton.

[mais]

Baseado no livro homônimo de Jeanne Duprau, publicado em 2003, que foi o primeiro volume de uma série de quatro histórias.

Título Original: City of Ember
Origem e Ano: EUA, 2008
Direção: Gil Kenan
Roteiro: Caroline Thompson
Gênero: Aventura
Figurino: Ruth Myers
Música: Andrew Lockington

No IMDB.
No TorrentButler.