#85 – Ed Wood

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Poster alemão

Aproveitando o gancho de Cidade das Sombras e o Halloween, o filme de hoje também tem o Martin Landau e o Bill Murray e é um dos meus preferidos da vida – e possivelmente o meu preferido do Tim Burton.

Ed Wood, assim como O Artista, é outro filme relativamente atual que se utilizou do recurso da fotografia em preto e branco. Lançado em 1994, é a biografia do “pior cineasta de todos os tempos”, que acabou se tornando um cult justamente pela baixa qualidade de seus filmes de terror e ficção científica.

Wood era fã de Orson Welles e Bela Lugosi. Tornou-se amigo do ator quando sua carreira e saúde estavam no fim – algo muito semelhante ao que comentam ter acontecido entre Burton e Vincent Price. Ironicamente, enquanto Welles é tido como um dos melhores diretores de todos os tempos, Ed sempre esteve na ponta oposta, e suas ideias mirabolantes para viabilizar seus filmes são recriadas de um jeito que considero bem leve, até poético, por Tim Burton. Estão lá Glen ou Glenda?, A Noiva do Monstro, O Plano nº9 do Espaço Sideral, as naves suspensas por fios…

Além do filme ser muito bom – ainda acho que um dia o Tim Burton leva um Oscar pelo conjunto da obra, já que seus filmes sempre recebem alguma indicação ou estatueta e o diretor até agora não levou nenhuma – os extras no dvd são impagáveis. Sem mais, assistam!

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Foi o segundo filme da dupla Burton-Depp – atualmente, são oito filmes lançados e há rumores de uma continuação de Alice no País das Maravilhas com Depp reprisando o Chapeleiro Louco.

Recebeu dois Oscar – Melhor Maquiagem e Melhor Ator Coadjuvante para Martin Landau, sendo premiado também nesta categoria com um Globo de Ouro e indicado nas categorias Melhor Filme – Comédia/Musical e Melhor Ator – Comédia/Musical – Johnny Depp.

Inspirado no livro de Rudolph Grey Nightmare of Ecstasy, sobre a vida e obra de Edward Wood Jr.

Na trilha sonora foi utilizado um instrumento musical muito curioso, o Teremim. Dá pra ouvir ela na íntegra aqui.

Título Original: Ed Wood
Origem e Ano: EUA, 1994
Direção: Tim Burton
Roteiro: Scott Alexander e Larry Karaszewski
Gênero: Biografia
Figurino: Colleen Atwood
Música: Howard Shore

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#81 – O Corvo

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Outro aniversário, outro filme escolhido por ter uma relevância enorme para mim.
Até o início de 2013, todas as minhas tentativas de assistir O Corvo foram frustradas. Mas eis que, no fim de fevereiro, em plena viagem para Estocolmo, tive um breve resfriado e passei um tempo sozinha em casa – enquanto meus companheiros de viagem foram para um encontro de programadores, aproveitei para ver esse clássico dos anos 90.
E ali estava eu, hipnotizada e encontrando uma nova paixão nerd-gótica-cinéfila. A história da vingança de Eric Draven é densa e, embora não seja muito comentado, é uma adaptação de quadrinhos muito anterior a isso virar febre. Nem preciso dizer que a HQ entrou para a minha lista de desejos e a trilha sonora, com a perfeita “Burn”, do The Cure, desde então toca quase toda semana na minha playlist.
Infelizmente personagens sinistros com cabelinho comprido e maquiagem parecem não dar muita sorte aos seus intérpretes e, quase no fim das gravações, Brandon Lee – o Corvo – foi atingido por uma bala inadequada para a cena que estavam gravando (e que eu nunca vou enteder porque diabos estava no cano da arma e não foi removida, simplesmente por uma questão de segurança, antes de trocarem para o tipo certo de munição). O ator tinha apenas 28 anos e, assim como Eric Draven, estava com seu casamento marcado para poucos dias depois do incidente, mas não resistiu ao ferimento e deixou, além de um provável coração partido, um filme inesquecível.

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Embora seja lembrado até hoje, o filme não recebeu prêmios muito relevantes. Foram realizados três filmes em sequência ao primeiro, mas nenhum teve a mesma repercussão. Houve também uma série de televisão e, atualmente, há um remake previsto para ser filmado em 2014.

Os quadrinhos que originaram o filme foram escritos por James O’Barr e publicados a partir de 1989, e em 2011 ganharam uma edição especial, mas não localizei edição brasileira.

Título Original: The Crow
Origem e Ano: 1994
Direção: Alex Proyas
Roteiro: David J. Schow e John Shirley
Gênero: Ação
Figurino: Arianne Phillips
Música: Graeme Revell e várias bandas excelentes –  Clique aqui para ouvir a trilha sonora.

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No PirateBay.

#74 – O Profissional

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Sabe aquele tipo de filme que você sempre pensa “preciso ver” e acaba nunca assistindo? Era o que vinha acontecendo com “O Profissional” que, desde que soube que foi o filme de estreia da Natalie Portman, coloquei na minha lista de filmes a assistir e nunca me lembrava de ir atrás até ver alguma referência a ele.

No último sábado, que foi também meu último dia de aula na pós-graduação, decidi tirar o resto do dia para descansar a cabeça e finalmente assisti – e foi uma ótima escolha.

Observei algumas coisas interessantes, além da atuação sensacional de Jean Reno, Natalie e Gary Oldman – outro ator que facilmente me coloca para ver filmes sem nem pesquisar muito sobre o que tratam.

Uma delas são duas referências não confirmadas – e talvez nem mesmo intencionais – ao filme “Laranja Mecânica” – León, o assassino profissional do título, toma muitos copos de leite durante a história, enquanto Stan, o antagonista, cita Beethoven.

Outro ponto é que, embora seja um filme dos anos 1990, poderia muito bem ser um filme Noir. Vários elementos estão lá: corrupção policial, anti-heróis, e até a femme fatale – em uma versão quase infantil, já que Mathilda tem apenas 12 anos.

Pelas informações do IMDB, Jean Reno estava escalado desde o início para ser o protagonista, mas Natalie Portman havia sido inicialmente recusada para interpretar Mathilda por ser muito jovem. Besson reconsiderou ao vê-la interpretar com muita expressividade uma das cenas na audição.

Muito recomendado, principalmente para quem gosta de filmes sem aquela divisão padrão de “mocinhos e bandidos” e com aquele jeito meio seco dos filmes com raízes europeias.

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Uma das músicas do filme é Venus as a Boy, do álbum de estreia da cantora islandesa Björk – e eu dei um pulo ao reconhecer, adoro!

Título Original: Léon
Origem e Ano: França, 1994
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Gênero: Drama
Figurino: Magali Guidasci
Música: Eric Serra

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#34 – Entrevista com o Vampiro

Poster original.

“Entrevista com o Vampiro” é um dos melhores filmes sobre vampiros que já vi – e revi incontáveis vezes.
Se por um lado Anne Rice constrói seus vampiros rompendo com alguns elementos tradicionais, como crucifixos e espelhos, por outro lado, além de fazê-lo muito bem, constrói personagens muito expressivos.
É um dos raros casos onde gosto mais da adaptação cinematográfica do que do livro, mas o mérito continua sendo da própria autora em grande parte, pois o roteiro do longa foi escrito por ela mesma.
Nem vou perder tempo fazendo comparações com a Stephanie Meyer, pois apesar de ser tentador, creio que isso já foi feito exaustivamente nos últimos anos, também porque da Annie Rice eu li dois livros, da Stephanie Meyer eu não li nenhum – e porque a outra adaptação feita das Crônicas Vampirescas é um filme que prefiro desconsiderar um pouco, pois perto da excelência de “Entrevista”, ele desaparece.
Inicialmente, falarei de Tom Cruise como Lestat – até hoje insisto que ele na verdade é um vampiro que se disfarça de ator, pois a forma como interpretou Lestat é perfeita, surpreendeu até mesmo Anne Rice, que na época preferia outro ator, mas depois se retratou com o Tom. Dos filmes que vi com Cruise, este é seu melhor personagem – mas confesso que não vi tantos filmes dele para afirmar que é o melhor de sua carreira. Mas que Lestat por si só é um personagem apaixonante, não posso negar.
Em oposição, está Louis. Tenho vontade de bater no Louis a maior parte do tempo por ficar arrastando sua “culpa cristã” por séculos. Mas se levar em consideração que ele era humano no período romântico, esse comportamento faz todo o sentido, pode ser identificado com o Werther (de Goethe).
Kirsten Dunst tinha 12 anos quando interpretou a vampira Claudia, e fez isso com uma intensidade que nunca mais vi em nenhuma de suas personagens (ainda não vi esse último filme do Lars Von Trier, mas pelo que conheço do cineasta, desconfio que possa ter explorado essa intensidade em “Melancolia”), principalmente quando a personagem se torna uma “adulta eternamente presa em um corpo de criança”, com um olhar mais distante e atitudes imprevisíveis.
Oito anos depois de “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos“, Antonio Banderas encarna Armand, o líder dos vampiros que vivem em Paris. Não sei o que motivou a escolha de Banderas para interpretar Armand, já que nos livros é descrito com uma aparência extremamente jovem, enquanto o ator já estava com 34 anos, mas de qualquer forma a passagem dos vampiros americanos pelo “Teatro dos Vampiros” é muito boa.
Os cenários e figurinos são uma beleza a parte, traduzindo estéticamente épocas e situações tão diversas quanto a personalidade dos vampiros que circulam pelos 200 anos abrangidos por esta história.

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Adaptação do livro “Entrevista com o Vampiro”, publicado por Anne Rice em 1976. A tradução para o português foi feita por Clarice Lispector – na edição com a capa lilás, comercializada pela Rocco até o começo dos anos 2000, posso dizer com certeza que é esta tradução, pois é o exemplar que possuo. Não tenho informação sobre as novas edições, mas acredito que seja a mesma.

Título Original: Interview with the Vampire: The Vampire Chronicles
Origem e Ano: EUA, 1994
Direção: Neil Jordan
Roteiro: Anne Rice
Gênero: Drama
Figurino: Sandy Powell
Música: Elliot Goldenthal

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.