#56 – The Runaways – Garotas do Rock

Poster irlandês.

“The Runaways” foi um filme que esperei ansiosamente por mais de seis meses, até que foi exibido em pré-estréia integrando a programação de um Noitão do Belas Artes. Fiquei muito empolgada durante toda a sessão, embalada pelos hits da banda e encantada como Kristen Stewart e Dakota Fanning conduziram bem suas personagens, bastante diferentes da imagem difundida de ambas atrizes – principalmente Kristen, fortemente associada à Saga Crepúsculo.
O filme mostra, além da história da banda, as diferenças de personalidade entre Joan Jett e Cherie Currie, e posso usar como exemplo duas situações de vestuário: enquanto Joan exibe sua rebeldia através de uma camiseta customizada com tinta spray e rasgos, Cherrie se apresenta em um momento vestida como David Bowie e em outro usando uma lingerie cor-de-rosa. É interessante observar também que alguns elementos do visual de Joan demonstram a passagem dos anos 70 para os 80 – um exemplo disso são as cores fortes, muito semelhantes à tendência Color Blocking, que é considerada atualmente uma das mais fortes para o verão.
Joan Jett e Cherie Currie estiveram bastante envolvidas na produção do filme, e frequentemente Kristen e Joan eram fotografadas juntas no set. Talvez por esse envolvimento, o longa fica bem mais focado em Joan e Cherie do que no restante da banda, o que pode ser considerado bom ou ruim dependendo da maneira como cada expectador encara. Biografias são complicadas de analisar, principalmente quando são baseadas em autobiografias: um livro de memórias nunca vai tratar apenas dos fatos, vai envolver a memória afetiva de quem narra, as impressões pessoais que teve. Uma vez adaptadas, estas memórias ainda vão ter o recorte que o roteirista achar mais adequado. Particularmente, não me incomoda “The Runaways” ter o foco que tem, pois não se trata de um documentário, não é historiografia.
Descobrir mais sobre a banda e sua importância, pesquisando depois de curtir o filme e as músicas é uma diversão à parte.

[mais]

Acima, a banda do filme, abaixo The Runaways originais.

Segundo o blog Mundo de Coisinhas Minhas, onde peguei a imagem acima, a baixista original da banda, Jackie Fox, não autorizou que a retratassem no filme, então a substituíram por uma personagem chamada Robin. Também é mencionado um documentário: “Edgeplay – Um filme sobre The Runaways” (2004), que eu não conhecia e agora vou procurar pra assistir.

Baseado no livro “Neon Angel“, escrito por Cherie Currie e Tony O’Neill

Título Original: The Runaways
Origem e Ano: EUA, 2010
Direção: Flora Sigismondi
Roteiro: Floria Sigismondi
Gênero: Biografia
Figurino: Carol Beadle
Música: The Runaways, Joan Jett e David Bowie

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.
Site oficial.

#55 – Ilha do Medo

Poster original

“Ilha do Medo” foi um dos filmes que assisti em uma das maiores salas do Belas Artes, só dando mesmo algum crédito que o filme não passava de um suspense caça-níqueis por estar em cartaz lá.

Ao contrário do que dizem, o cinema não era uma exclusividade da “elite” – tinha um dos ingressos mais baratos da cidade e era a primeira opção entre meus amigos e eu para ver qualquer filme. Nenhum de nós foi criado em bairros nobres, pelo contrário, e estamos nos esforçando muito para terminarmos a faculdade. Porque não somos “elite”, precisamos nos esforçar pra conseguir ter emprego. Mas antes que este texto se torne uma crônica sobre elite, patrimônio cultural e poder aquisitivo, retomo o filme.

A ilha do título abriga um presídio psiquiátrico, do qual uma paciente desapareceu, e uma dupla de agentes viaja para investigar.
É um suspense muito bem feito, que convida o expectador a tirar suas próprias conclusões, característica comum a outro filme de Scorcese, “A Última Tentação de Cristo”, e que certamente divide opiniões. A fotografia é limpa e evidencia a turbulência dos momentos onde há muita água, quando as imagens se tornam confusas como os caminhos da investigação do detetive Daniels.
Sandy Powell, que criou as roupas de “Entrevista com o Vampiro” e trabalhou com Scorcese e DiCaprio em “O Aviador” assina os figurinos, e mostra novamente sua competência com roupas de época – a história deste longa se passa em 1954.

[mais]

Adaptação do livro homônimo de Dennis Lehane, publicado em 2003. No Brasil, inicialmente foi publicado com o título “Paciente 67“, alterado na edição posterior ao filme.

Título Original: Shutter Island
Origem e Ano: EUA, 2010
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Laeta Kalogridis
Gênero: Suspense
Figurino: Sandy Powell

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#45 – Cisne Negro

Poster original.

Faço um paralelo entre “Cisne Negro” e “Dorian Gray” tanto pelo desequilíbrio dos protagonistas de ambas histórias, quanto pela controvérsia em relação à qualidade dos filmes.
Como ex-bailarina e estudante de moda, “Cisne Negro” fez sentido para mim por outros parâmetros que não os aspectos de técnicas cinematográficas ou reflexões filosóficas que se propusesse a incentivar.
Eu vivi o clima de competição de uma turma de ballet, a busca pessoal pela perfeita execução de passos e coreografias, o desafio de superar a dor nos dedos em carne viva – tranformando-se ano após ano em pequenas garras, e isso sem fazer alusão a nada sobrenatural. Com o olhar de moda, eu vi figurinos lindos, desses que fazem muitas pessoas ao redor do mundo se encantarem pela imagem das bailarinas. E fã de roupas pretas que sou, fiquei louca pelo figurino da Rodarte para Odille, o cisne negro.
Quanto ao filme, creio que sofreu o “efeito Alice” – foi feito muito alarde, atrasaram a estréia nacional, as pessoas esperavam uma coisa bombástica e acabaram se frustrando. Não acho que o longa seja ruim, desde o início a proposta era fazer um suspense e creio que isto foi cumprido muito bem. Eu particularmente vi o que esperava. Na verdade, a mãe paranóica da protagonista me deu até mais medo do que eu esperava.
O roteiro não adapta nenhum best-seller – dizem que foi inspirado em um anime chamado “Perfect Blue”, mas ainda não tive oportunidade de assistir para ver até que ponto existe esta “inspiração” – nem conta uma história real, o que já acho um ponto a favor em uma época tão carente de roteiros originais. Também gosto deste “lado negro” do ballet – apesar de não ser muito popular, pelo menos entre os integrantes do Kirov, pelo que li em uma entrevista recentemente (não consegui encontrar o link).
É um longa que certamente verei novamente, principalmente depois de ver “O Lago dos Cisnes” na temporada que o próprio Kirov fez em agosto passado, além de querer formular melhor minha opinião sem o impacto das primeiras impressões, completamente ligadas à minha memória afetiva, e tentando não ser tão tiete de Natalie Portman, Winona Ryder e Vincent Cassel.
Aproveito para fazer um comentário a parte sobre os posteres, que são incríveis! Alguns lembram muito a estética dos cartazes russos/soviéticos do início do século XX, provavelmente uma maneira de fazer referência ao país de origem de “O Lago dos Cisnes”.

[mais]

Posteres com cara de design soviético.
Croquis dos figurinos do ballet.

O filme recebeu diversas indicações e prêmios, sendo o mais enfático o Oscar de melhor atriz para Natalie Portman.

Título Original: Black Swan
Origem e Ano: EUA, 2010
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz e John J. McLaughlin
Gênero: Suspense
Figurino: Amy Westcott, figurinos do ballet feitos pela Rodarte
Música: Clint Mansell, a partir de “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

Peguei os croquis neste site e os posteres neste aqui.

#28 – O Lobisomem

Poster francês.

Na primeira tentativa de assistir “O Lobisomem”, não resisti ao abraço quentinho do meu namorado e dormi antes da metade do filme.
Um tempo depois, assisti até o final e foi um bom divertimento.
Há uma mistura de elementos assustadores reais, como os traumas de infância e o hospício, com os elementos fantásticos das crenças ciganas e o lobisomem em si.
A mitologia da mordida amaldiçoada, da lua cheia e do monstro violento que só pode ser detido com balas de prata é mantida e, pessoalmente, eu gosto mais assim.
Acredito que a proposta deste longa é muito mais honesta como filme com lobisomem do que os últimos que postei aqui, de repente até por não fazer parte de nenhuma grande franquia, e me parece muito mais interessante um lobo maldito solto pela Inglaterra vitoriana do que um serial killer fatiando mocinhas siliconadas em repúblicas americanas.

[mais]

Foi premiado em 2011 com o Oscar de Melhor Maquiagem, realizada por Rick Baker e Dave Elsey.

Remake do filme estadunidense “O Lobisomem“, de 1941, no qual um dos ciganos é interpretado por Bela Lugosi, ícone do cinema de horror.

Direção: Joe Johnston
Figurino: Milena Canonero
Origem: EUA
Gênero: Horror
Roteiro: Andrew Kevin Walker e David Self, baseados no roteiro de Curt Siodmak (1941)
Música: Danny Elfman

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#27 – Eclipse

Poster original.

Das três partes da série lançadas até então, “Eclipse” é a melhor.
Na realidade, poderiam ter adaptado os três livros em um, dando mais destaque pra este, por ter mais ação e um pouco mais de enredo.
Nesta parte, o triângulo amoroso entre Bella, Jacob e Edward é apenas um dos conflitos – há uma batalha contra um exército de vampiros recém criados se aproximando (apesar que isso também tem em “Sétimo” de André Vianco, com direito a lobos, helicópteros e confusão na cidade, mas já que estou falando do filme, não do livro, só vou fazer este breve comentário) e os Volturi estão vigiando os vampiros da família de Edward.
Ainda não escapa de alguns momentos risíveis, como a cena onde Edward assiste sua namorada e Jacob dormirem abraçados para que ela não congele (!!!). Aliás, se a protagonista fosse mais legal, daria até pra torcer para o lobisomem conseguir conquistá-la, pois não vejo no tal vampiro uma profundidade maior que a de um pires – mas como a mocinha compartilha desta complexidade, melhor deixar o lobo fora disso.
Porém, o filme tem alguns momentos interessantes, como os flashbacks que mostram como alguns dos Cullen foram transformados em vampiros.
A última parte da série, correspondente a “Amanhecer”, o quarto livro, foi dividida em dois filmes – como “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, mas pelo que assisti até aqui, neste caso a decisão me parece puramente comercial – com lançamentos previstos para novembro de 2011 e 2012.

[mais]

Adaptação do livro Eclipse, de Stephanie Meyer, publicado em 2007.

Direção: David Slade
Figurino: Tish Monaghan
Origem: EUA
Gênero: Romance
Roteiro: Melissa Rosenberg
Música: Howard Shore

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#19 – Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1

Poster com o Prof. Snape, um dos personagens mais importantes da série.

“As Relíquias da Morte: Parte 1” não é um filme com muita ação, assim como a primeira parte do livro que o originou. É como se fosse a segunda parte de uma trilogia, pois dá continuidade ao que ficou aberto em “O Enigma do Príncipe’ e introduz a batalha final que se aproxima.
Voldemort finalmente está retomando o poder e até mesmo a escola se torna um lugar onde Harry não pode aparecer – desta maneira, ele, Rony e Hermione não retornam a Hogwarts, mas iniciam uma fuga e ao mesmo tempo a busca pelas Horcruxes, que precisam ser destruídas para enfraquecer o Lord das Trevas.
Creio que neste filme, o desafio maior para os personagens na realidade seja lidar com as próprias emoções – o que não é uma tarefa tão simples, muito menos na adolescência e, neste caso, com uma guerra se iniciando.

[mais]

Adaptação do livro “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, de J.K. Rowling, publicado originalmente em julho de 2007 no Reino Unido – exatamente 10 anos depois da publicação do primeiro livro da série, “Harry Potter e a Pedra Filosofal. A tradução brasileira foi publicada menos de quatro meses depois.
Em 2007 chegava aos cinemas a adaptação do 5º livro, “Harry Potter e a Ordem da Fênix”.

Direção: David Yates
Figurino: Jany Temime
Origem: EUA, Reino Unido
Gênero: Fantasia
Roteiro: Steve Kloves
Música: Alexandre Desplat

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#06 – Alice no País das Maravilhas (2010)

Poster americano - os horizontais são incomuns por aqui.

Atendendo sugestões, incluí algumas informações sobre o filme e procurei enriquecer o texto.
Sobre este filme em si, vale acrescentar também que senti muito medo quando foi anunciado, pois temia que um dos meus livros preferidos e um dos meus diretores preferidos, juntos, me decepcionassem.

Em “Alice no País das Maravilhas” Tim Burton propôs uma continuidade à animação de 1951 da Disney – produtora de ambos filmes.
O longa foi alvo de elogios, comparações e críticas, e só lamento não ter encontrado muitos textos que soubessem pesar o filme para poder falar sobre ele. Eu diria que não é o melhor do Burton, o roteiro é bem diferente do que eu esperava. Mas não é um filme ruim por isso, como não é ruim que use computação gráfica para criar os cenários, ou que não tenha a complexidade 3D de “Avatar”. “Alice” não é “Avatar”, não é um filme independente – por mais que os filmes do Tim Burton sempre tenham um jeito mais alternativo – e não conta a história do livro. E é bem legal, tem figurinos excelentes e a rebeldia adolescente da Alice da tela tem tudo a ver com a Alice do livro, que questionava tudo. Eu recomendaria para pessoas que saibam assistir filmes sem querer bancar o especialista em cinema e ficar reclamando de tudo, mas que estejam dispostas a ver uma aventura onde as inspirações foram bem aplicadas, não transcritas.
Os figurinos receberam o Oscar merecidamente, Colleen Atwood – que já trabalhou diversas vezes com Tim Burton – capta a essência da personalidade de cada personagem e utiliza referências históricas da moda inglesa, como por exempo os vestidos da rainha Elizabeth I para criar o figurino da rainha de Copas, e até mesmo preocupou-se em vestir Alice de acordo com as diversas vezes que a personagem muda de tamanho.

[mais]

Premiações
OSCAR 2011 de Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino

O filme é a versão mais recente dos personagens de Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho, de Lewis Carroll.
Direção: Tim Burton
Figurino: Colleen Atwood
Origem: EUA
Gênero: Aventura
Roteiro: Linda Woolverton
Música: Danny Elfman

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.