#80 – Os Agentes do Destino

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Poster horizontal feito pela Empire Design

Sabe aqueles filmes que você não dá nada, que começa a assistir pensando que é uma coisa e no fim acaba surpreendendo? É bem este o caso de Os Agentes do Destino. Estava ali, entre os filmes que M. baixou porque “parecia interessante” – e às vezes vemos que são uma cilada – quando abrimos o arquivo parecia um filme meio policial, e aos pouco mostrou a que vinha: uma aventura misturada com romance e ficção científica, na qual um político com uma carreira promissora se apaixona por uma bela estranha e algum tempo depois se vê fugindo de uma organização secreta, que por algum motivo deseja impedi-lo de reencontrar a moça.

Como me impressionou muito bem, fui procurar um pouco mais a respeito, e descobri que a história original que inspirou o roteiro do clássico sci-fi é do mesmo autor dos textos que originaram Blade Runner e de Minority Report. No longa, a personagem de Emily Blunt aparece em cenas de dança, e sobre isso fiz outra descoberta – a companhia que aparece no filme é real! A Cedar Lake Company fica em Nova York, e a bailarina Acacia Schachte foi a dublê de corpo de Emily em algumas cenas do filme.

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O roteiro foi inspirado no conto “Adjustment Team” de Philip K. Dick, originalmente publicado em 1954. No Brasil, o conto foi lançado no livro Realidades Adaptadas, em 2012.

Título Original: The Adjustment Bureau
Origem e Ano: EUA, 2011
Direção: George Nolfi
Roteiro: George Nolfi
Gênero: Ficção Científica
Figurino: Kasia Walicka-Maimone
Música: Thomas Newman

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#69 – Luz (Curta)

Material para a ação; Mapas, cartazes e adesivos.

O Projeto Nova Luz, em São Paulo, em um primeiro momento pode parecer uma grande ideia – revitalizar a região que, há muitos anos, ficou conhecida como Cracolândia – os arredores das estações Luz e Júlio Prestes, os bairros dos Campos Elísios, Bom Retiro, Luz e Santa Ifigênia. Todavia, os moradores e comerciantes do local, por meio de protestos que viraram notícia mais de uma vez, desmascararam uma realidade muito diferente do que o marketing da prefeitura nos mostra – basicamente que a intervenção no local para que haja uma “revitalização” é uma farsa, pois há muita vida, muitos moradores e comerciantes que estão lá há décadas e terão que abandonar seus lares e estabelecimentos em nome da elitização da região. Neste caso, não apenas o patrimônio histórico está ameaçado, mas também um patrimônio humano, social, que está sendo ignorado em favor dos interesses de construtoras, demolidoras e politicagens.
A urbanista Raquel Rolnik, que também participou do curta que estou postando hoje, informou ontem em seu blog que foi deferida a paralização do Projeto, justamente por não considerar a participação popular em sua elaboração.
Eu realmente desejo ver a Luz perder o estigma de Cracolândia, mas não acredito em decisões políticas impositivas como a que baseava a Nova Luz.

Luz:

LUZ | subtitulado from Left Hand Rotation on Vimeo.

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Título Original: Luz
Ano: 2011
Gênero: Documentário
Música: “Saudosa Maloca”, Adoniran Barbosa (1951).

No Ficha do Curta (texto de Raquel Rolnik em espanhol).
No Projeto Nova Luz – Site oficial.

#68 – As Aventuras de Tintim

Poster original.

Semana corrida e atípica, nem consegui sentar pra escrever o texto e atualizar o blog no dia certo. Na verdade, agora mesmo estou tão cansada que quase deixei pra fazer essa atualização amanhã, mas preferi não adiar mais.
Peguei uma pipoquinha e vim contar minha experiência em duas partes com “As Aventuras de Tintim” – porque eu não tenho critérios, durmo em filmes bons, excelentes, porcarias e desenhos com vinte minutos de duração.
Confesso que eu tinha um certo receio deste filme, de ser uma bobagem, um pretexto pra enfiar mais 3D na audiência – tinha ouvido comentários completamente discrepantes sobre sua qualidade e por uns tempos até esqueci dele.
Há uns dez dias, depois de assistir uma aventura decepcionante – que talvez eu comente em um post individual outro dia – M. e eu decidimos ver o Tintim. E eu estava adorando, mas o sono me venceu e não vi como terminou.
Alguns dias depois, retomei e vi até o fim.
Lembro que na infância eu comecei a ver os desenhos, mas como só tinha uma tv em casa e sua transmissão conflitava com o horário da novela, na maior parte do tempo não me deixavam assistir. De qualquer forma, quando terminei de ver esta animação, senti aquela mesma coisa boa que sentia quando assistia aos desenhos.
O roteiro adapta dois livros de Hergé que foram lançados com dois anos de intervalo. Mesmo assim, achei a unificação muito bem feita, resultando em uma aventura divertida e que – para os que gostaram – provavelmente agradou gente de todas as idades.
O filme foi produzido por Peter Jackson e, como em outras obras produzidas ou dirigidas por ele, os movimentos das personagens foram inicialmente captados de atores, depois convertidos em animação.
Depois de assisti-lo, fiquei refletindo sobre esse modismo de atualmente “tudo” ser 3D e o cinema ir perdendo em roteiro pra ficar parecido com um parque de diversões, onde a experiência de ter coisas atiradas ao rosto é mais importante do que a história.
Penso que esse uso deliberado da tecnologia me causa uma enorme preguiça, mas que ela é um recurso interessante para filmes como As Aventuras de Tintim, desenvolvidos em computação gráfica, contando uma história mirabolante, com humanos estilizados e onde talvez não seja interessante vincular o personagem a algum ator.
Por último, eu gostaria de comentar as traduções bizarras – descobri que o cãozinho, que eu sempre conheci como Milu chama-se Snowy no filme. Em francês, o nome do personagem é Milou, que significa “de neve”.
O navio que aparece neste filme, em inglês Unicorn, foi traduzido como Licorne – que é outra palavra para Unicórnio – e eu passei boa parte do tempo achando que era alguma loucura da minha legenda, mas vi que o título em algumas vezes recebia o complemento “O Segredo do Licorne”.

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Baseado nos quadrinhos de Hergé O Segredo do Licorne, publicado em 1943 e O Caranguejo das Pinças de Ouro, de 1941.

Título Original: The Adventures of Tintin
Origem e Ano: EUA e Nova Zelândia, 2011
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Steven Moffat, Edgar Wright e Joe Cornish
Gênero: Animação
Figurino: Lesley Burkes-Harding
Música: John Williams

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.
Site Oficial.

#67 – Belas Artes – A Esquina do Cinema (Compacto)

Não sei se o documentário “Belas Artes – A Esquina do Cinema” já teve sua versão final lançada. O que pude encontrar foi este compacto de dezoito minutos que, mais uma vez, me fez chorar emocionada por este cinema que, não só para mim – e isso vocês podem ver no vídeo, logo abaixo – mas para tantas outras pessoas, de tantas gerações e origens diferentes, faz uma falta que é impossível descrever com palavras. Eu mesma já disse muita coisa, e no vídeo minhas palavras encontraram eco e complemento. As lágrimas nos meus olhos também foram compartilhadas por tantos outros frequentadores, das velhinhas que iam lá desde a juventude às pessoas da minha geração, que encontravam ali muito mais que uma alternativa cultural, mas toda uma experiência que em nenhuma outra sala poderia ser vivenciada.

No último dia 23 iniciou-se uma CPI para apuração da regularidade do processo de tombamento.

Aqui, mesmo longe, eu continuo torcendo para que ele volte a existir ali, naquela esquina onde eu já quis morar só pra ficar perto do “meu” cinema.

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Origem e Ano: Brasil, 2011
Direção: Fabio Ornelas
Gênero: Documentário

Filme completo:

Postagem extra. Quarta-feira tem mais.

#61 – O Artista

Poster estadunidense.

Um reflexo gritante da falta de tempo causada pelo TCC é que no final de 2011 eu não assisti quase nada. e 2012 começou com tantas mudanças que, mesmo assistindo vários filmes, não consegui falar sobre nenhum. Lançamentos ou filmes em cartaz? nem sabia de mais nada disso!

Então chegou o Oscar, cheio de indicações a filmes que eu nem sabia direito do que se tratavam, e meio mundo falando sobre o grande vencedor, “O Artista” – que tentei convencer o namorado a ver comigo aqui em Porto Alegre, mas sem sucesso. Quando fomos para São Paulo para minha colação de grau, finalmente convenci o gatinho a ir comigo ao Espaço Unibanco Itaú Augusta para assistir.

Antes de comentar o filme, vou mencionar três incômodos que tive na sessão: do nada o filme parou, as luzes se acenderam e ficamos todos olhando em volta para ver se aparecia alguém do cinema pra falar alguma coisa, mas nada. bem chato. mas pior que isso, só as vozes que estavam vazando da parte de trás da tela para a sala – seria a brigada de incêndio? – e aquelas pessoas não falavam, mas gritavam, de forma que mesmo o filme tendo trilha sonora era possível ouví-las.
E, para completar, havia um pernilongo se banqueteando dos espectadores do filme.

O namorado não gostou, achou o filme lento, mas eu achei lindo, gostei de verdade.

O enredo é simples, aborda a decadência de um astro de filmes mudos de Hollywood(land) com a chegada dos filmes falados e a ascensão de novas estrelas. Algumas pessoas criticaram por ser um filme “americanizado”, embora de origem franco-belga, mas acho meio descabido fazer esse tipo de crítica, pois quantas vezes o cinema conta história originais de outros países? O filme conta uma história com personagens estadunidenses, gostariam que fossem como? Parisienses?
Adorei as cenas de dança e, mesmo não gostando muito que utilizem animais em filmes e espetáculos, não posso negar que o cãozinho do filme é encantador.

O filme é metalinguístico – mostra o cinema dentro do cinema, e todo ele é composto como um filme original da era muda, desde os créditos.
Vi muita gente pontuando a questão de a primeira cena – muda, com as falas sendo mostradas em uma tela de fundo preto, exatamente como os filmes de 1920 – ser de um filme de George Valentin, o protagonista interpretado por Jean Dujardin, onde seu personagem se recusa a falar, assim como posteriormente Valentin se recusa a trabalhar com filmes falados. Uma boa abertura para mostrar a que veio.

Se precisasse definir o filme todo em uma palavra, seria doce, pois há uma doçura enorme no sentimento de Peppy Miller, interpretada por Bérénice Bejo, por seu ídolo, George Valentin, e todo o cuidado que ela tem com ele, mesmo quando se torna uma das estrelas em ascensão – personificando o ideal de “jovem, bela e falante” – enquanto ele vai caindo no esquecimento.

Sem grandes efeitos especiais, há algumas cenas interessantíssimas, onde os efeitos são empregados para mostrar os pesadelos e alucinações que começam a incomodar Valentin, e depois soube que o filme foi gravado em cores, para que trabalhassem melhor os contrastes, e convertido posteriormente para preto e branco. É bastante curioso ver alguns trechos coloridos pela internet.

Acho que o que mais me encantou no todo foi a ousadia de se lançar um filme nos moldes de 1920 quase cem anos depois, quando lançamentos e relançamentos em 3D se alastram pelas salas do mundo todo e efeitos especiais mirabolantes por vezes compensam roteiros fracos. O filme é simples, doce e bonito, transmite muita coisa pela expressão dos atores, figurinos e trilha sonora, e talvez tenha ganhado todos os prêmios que ganhou justamente por trazer de volta o encantamento que o cinema vem perdendo no meio dos excessos.

Vou ver de novo, com certeza.

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Indicado a 10 Oscars, levou 5 prêmios: Figurino, Diretor, Trilha Sonora Original, Ator e Filme. Indicado a 12 BAFTA, ganhou 7: Filme, Diretor, Ator, Roteiro Original, Trilha Sonora Original, Fotografia e Figurino.

Algumas cenas.

Mais uma cena – bem bonita, por sinal.

Título Original: The Artist
Origem e Ano: França e Bélgica, 2011
Direção: Michel Hazanavicius
Roteiro: Michel Hazanavicius
Gênero: Drama
Figurino: Mark Bridges
Música: Ludovic Bource

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

Imagens: Moviespad, Sarahism.

#59 – Amanhecer: Parte 1

Poster teaser original

Eu me propus a assistir a série “Crepúsculo” com o propósito de enfrentar meu preconceito. O máximo que consegui foram algumas horas de entretenimento mais ou menos. Os dois primeiros filmes poderiam ser um só – e ainda seria fraco. O terceiro é melhorzinho, e este, que é o penúltimo da série (creio eu, mas como a Meyer lançou mais dois livros de vampiro depois, não duvido nada que venham mais dois filmes pra fechar duas trilogias…) explora algumas coisas de filmes de terror, coloca alguma carga dramática, mas não dá pra fazer milagre com uma historinha tão mixuruca.
A mocinha casa com o vampiro. Estranhamente, os vampiros que brilham no sol não cintilam uma única vez, mesmo com a cerimônia diurna ao ar livre.
Antes do casamento, Edward vai até o quarto da Bella pra “se confessar”, dizer que no passado matou umas pessoas. E nessa hora meu cérebro apitou, afinal de contas ele aparece em flashback em um cinema, com cenas enxertadas de um filme antigo. Já viu isso antes? Eu já. O nome do vampiro é Louis e o filme “Entrevista com o Vampiro”. Mas as pessoas que ele matava eram bandidos. Coincidentemente, o Lestat também agia assim. Pronto, o filme perdeu meu respeito antes de completar cinco minutos, só pelo plágio.
Depois do casamento, o noivo não quer saber de sexo e a noiva vai ficando neurótica. Já viram isso em “Maria Antonieta”, da Sofia Coppola? Poisé.
Alguns elementos foram felizes: os efeitos especiais dos lobos ficaram bons, e a Kristen não é inexpressiva como insistem em dizer. Na cena do casamento ela transmite direitinho a ansiedade, e durante a gravidez aparece cadavérica, assustadora.
O final foi uma droga, mesmo que tenha continuação, ficou com cara de edição feita de qualquer jeito, que não explica nada e se aproveita do momento de tensão anterior pra passar batido. O gancho pra continuação ficou mal feito.

Enfim, hoje escolhi assistir este entre os mais de 70 que estão na minha lista de espera porque estou me recuperando do cansaço mental de fazer e apresentar o tcc, então queria algo mais fácil, que não me exigisse pensar. Até que cumpriu…

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Adaptação de “Amanhecer“, quarto livro da série “Crepúsculo” da estadunidense Stephenie Meyer, publicado em 2008.

Croqui de Carolina Herrera do vestido usado no casamento de Bella e Edward.

Título Original:The Twilight Saga: Breaking Dawn – Part 1
Origem e Ano: EUA, 2011
Direção: Bill Condon
Roteiro: Melissa Rosenberg
Gênero: Fantasia
Figurino: Michael Wilkinson (vestido de noiva de Carolina Herrera).
Música: Carter Burwell

No IMDB.
No Adoro Cinema.
Site oficial.

#26 – A Garota da Capa Vermelha

Poster original.

Faço uma pausa na série “Crepúsculo” para comentar um filme que está bastante relacionado a ela – até mais do que devia, eu diria.
Este aqui eu assisti antes de ver a série, e ao ver “Lua Nova” imediatamente pensei que “A Garota da Capa Vermelha” foi o jeito de Catherine Hardwicke fazer seu “personal Lua Nova”, já que foi substituída nos filmes seguintes da série. Até os pais das protagonistas são interpretados pelo mesmo ator – Billy Burke.

Pelos pôsteres e sinopses, prometia ser um bom filme de suspense, já que é quase espontâneo pensar no conto da “Chapeuzinho Vermelho” de uma maneira mais sombria. Converter o lobo em um lobisomem parecia ser um diferencial mais interessante do que uma eventual “atualização” da fábula e, coroando tudo isso, as imagens de divulgação eram belíssimas.
Porém, só correspondeu às expectativas estéticas e, ainda assim, com alguns detalhes incômodos.

O roteiro é raso – uma mistura de romance teen e soluções óbvias para a adaptação do conto – as atuações são opacas e possui todos os elementos que tornam “Crepúsculo” fraco, tendo mais tomadas aéreas de florestas canadenses e músicas de bandas atuais de rock do que enredo.
A melhor atuação do filme é a de Gary Oldman – mas sua personagem tem uma identidade tão rasa que em alguns momentos se torna muito semelhante ao Conde Drácula, interpretado pelo próprio Oldman em 1992, nas cenas de batalha de “Drácula de Bram Stoker”.

Já os figurinos são interessantes. A história se passa em uma vilazinha na idade média, época em que os tecidos eram caros e os teares estreitos – assim, as personagens vestem uma mesma roupa do início ao fim.
O vestido da protagonista tem faixas de tecido unidas por cadarços e o momento que ganha a capa vermelha marca justamente a passagem da sua juventude tranquila para o momento onde todos os problemas começam a aparecer, e até mesmo a própria capa acaba tornando-se um elemento problemático em uma cena onde acusam o vermelho de ser “a cor do diabo”.
Outro figurino interessante é o do lenhador Peter, por quem Valerie (a “Chapeuzinho”) é apaixonada. Como não é um rapaz “certinho” e a moça está prometida em casamento para outro, seu visual é desalinhado – cabelo despenteado, vestindo uma capa preta não sobre os ombros, mas em diagonal sobre um ombro só.

A fotografia do filme é bonita também, o cenário da vila e da casa da avó ajudam no tom de suspense, mas os espinhos exagerados nas árvores incomodam – talvez a floresta fosse mais assustadora se fosse mais realista.
Outro elemento dispensável – e que talvez ajudasse a não relacionar com os lobisomens de Stephanie Meyer – é a cena onde a mocinha se vê refletida nos olhos do lobisomem, pois é simplesmente igual a uma cena de “Lua Nova”.

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O livro “A Garota da Capa Vermelha“, de Sarah Blakley-Cartwright e David Leslie Johnson foi baseado no roteiro do filme.

Direção: Catherine Hardwicke
Figurino: Cindy Evans
Origem: EUA e Canadá
Gênero: Fantasia
Roteiro: David Johnson
Música: Alex Heffes e Brian Reitzell

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.