#77 – Os Miseráveis

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Com um elenco de peso e um diretor premiado, Os Miseráveis estreou no natal de 2012 – embora só tenha chegado aqui em fevereiro, no que eu julgo uma sacanagem sem fim com o público, que já aconteceu em 2010 com o Cisne Negro, por exemplo – e certamente contrastou com o clima de festas.

Diferente da construção de Chicago (2002), também baseado em um musical, Os Miseráveis é integralmente cantado. A segunda diferença deste filme para os outros musicais – tão relacionados a filmes mais leves que concorrem ao Oscar junto com as comédias – é que seus personagens sofrem de uma maneira que não parece ter escapatória, como em Dançando no Escuro (2000).

Em um cenário pós-Revolução Francesa, os mais pobres continuam em situação deplorável e outros grupos revolucionários se formam – sob bandeiras vermelhas. O filme cobre um período de 1815 a 1832 – e para os atentos, é possível notar bem a diferença do vestuário dos períodos. Dois exemplos podem ser citados: no início Fantine aparece com um vestido em corte Império, enquanto Cosette aparece posteriormente em vestidos românticos, com mangas imensas e cintura marcada.

O protagonista é Jean Valjean, condenado à escravidão por ter roubado um pão para alimentar sua família. A história toda se desenrola a partir de sua fuga da liberdade condicional, perseguido por Javert um inspetor obcecado pelo “prisioneiro 24601”.

Entre momentos de fuga, sofrimento e reflexão, há espaço para política, paixão e até humor. Os estalajadeiros pilantras, senhor e senhora Thénardier, interpretados por Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter – ambos coadjuvantes em outro musical, Sweeney Todd (2007). A atuação excelente da dupla quebra um pouco o clima pesado da história, e talvez ajude a equilibrar as coisas.

Recomendado para ver com tempo e com as emoções em ordem. Confesso que chorei rios mas, em contraposição, estou com muita vontade de empregar algumas horas analisando os figurinos.

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Esta é a sétima adaptação da obra de Victor Hugo para o cinema, entre outras várias para a televisão, inclusive uma telenovela brasileira.

Recebeu três Oscars: Melhor atriz coadjuvante (Anne Hathaway), Maquiagem e Mixagem de som. Foi indicado para mais 5 categorias, incluindo Melhor filme, figurino e ator (Hugh Jackman).

Baseado no musical de 1980 escrito por Alain Boublil e Claude-Michel Schönberg, que por sua vez foi baseado no livro homônimo do escritor francês Victor Hugo. O romance foi publicado em 1862, e é dividido em 5 volumes – no filme, o enfoque dado aos personagens separadamente provavelmente corresponde a esta divisão.

Uma curiosidade é que as personagens interpretadas por Helena Bohnam Carter em Sweeney Todd e Os Miseráveis também foram interpretadas pela mesma atriz, Jenny Galloway, nos palcos.

Título Original: Les Misérables
Origem e Ano: EUA e Reino Unido, 2012
Direção: Tom Hooper
Roteiro: William Nicholson, Alain Boublil, Claude-Michel Schönberg e Herbert Kretzmer
Gênero: Musical
Figurino: Paco Delgado
Música: Herbert Kretzmer (compositor do musical)

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#76 – Valente

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Poster brasileiro.

Assisti Valente pela primeira vez há um tempo, em um voo da KLM a caminho de Amsterdã – onde não devo ter passado mais que uma hora, mal deu pra explorar o aeroporto – o segundo voo da nossa “expedição” para a Suécia. Faz seis meses e relembrar os filmes que vi nos voos e durante nossa estadia por lá também é um jeito de relembrar a viagem.

Confesso que estava um pouco apreensiva, pois era a primeira viagem desse porte e tive medo de ter algum tipo de crise de pânico por ficar tanto tempo em um avião – mas, felizmente, o sistema de entretenimento funcionou muito bem comigo tanto na ida quanto na volta.

Este foi o primeiro filme que vi nessa jornada – e revi recentemente, com legendas em inglês pois decidi aceitar este desafio como treinamento. A animação conta a história da princesa Mérida, que não quer seguir os protocolos pois deseja traçar seus próprios caminhos, mas acaba fazendo uma escolha equivocada para fazer valer sua vontade.

Além de ser uma animação excelente, com um detalhamento incrível – da textura dos tecidos aos fragmentos de madeira que aparecem em algumas cenas – o filme tem várias mensagens bacanas – sobre desejos imprudentes, sobre imposições de comportamento e sobre o quanto o diálogo é importante para evitar desentendimentos entre pessoas que se amam.

E, bem diferente dos contos de fadas clássicos, o “final feliz” não tem nada a ver com casar com o príncipe encantado – na verdade, nem existe uma figura masculina muito “virtuosa” em Valente – e ser feliz para sempre, o que eu julgo uma grande evolução.

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Em 2013 recebeu o Oscar de Melhor Animação.

Título Original: Brave
Origem e Ano: EUA, 2012
Direção: Mark Andrews, Brenda Chapman e Steve Purcell
Roteiro: Mark Andrews, Steve Purcell, Brenda Chapman, Irene Mecchi e Michael Arndt
Gênero: Animação
Música: Patrick Doyle

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

Mês das Trevas

de outubro a novembro semi-vivi.

voltei a sofrer de insônia, ter gastrite e ficar agoniada por uma série de acontecimentos em meu emprego.
chegava em casa, não tinha ânimo nem pra responder meus e-mails, e agora estou correndo contra o tempo para conseguir retomar o contato com as pessoas queridas, responder o que ainda consigo, deletar as coisas que perdi o prazo, e por aí vai. de uma forma geral, outubro e novembro foram um período que me angustiou muito, e ainda estou me refazendo.

é como se o ano já tivesse acabado para mim, estou direcionando meus esforços em finalizar tudo que é necessário e o que vale a pena, para começar a traçar um desenho mais bonito para 2013.
vi em alguns sites que, para o horóscopo chinês, 2013 será o ano da Serpente da água – e começa em fevereiro, não junto com o réveillon – e que isso significa sorte na área profissional. gosto de ler sobre essas coisas e, embora não seja muito de misticismos, atribuir significado às coisas me agrada.
sempre gostei de cobras. elas são criaturas que instigam a imaginação das pessoas – da mitologia oriental, passando por canções de rock e livros do Harry Potter. talvez para nosso exagerado antropocentrismo seja incompreensível como um animal sem patas consegue se virar pra viver e ainda ser perigoso para os “evoluídos” bípedes e quadrúpedes.

uma vez, ainda em São Paulo, uma mulher no metrô olhou para o anel de cobra em meu dedo e falou sobre o significado das cobras, da proteção que elas traziam para as pessoas que usavam esse tipo de acessório. achei curioso, nunca mais esqueci.
dentro da minha cabeça, unindo todas essas coisas, eu acabo adotando a cobra como um ícone para 2013, um ano que pode ser o rito de passagem para ir mais longe do que jamais imaginei em minha vida – em muitos sentidos.

a virada de ano é um acontecimento com um valor simbólico muito alto para mim e estou disposta a trabalhar para que nestes dias restantes de 2012 – e do ano do Dragão, portanto, até fevereiro – sejam plantadas sementes que não possam ser trituradas em moinhos de emoções.

Ano Novo, Nova Tentativa

sumi do blog, sumi parcialmente das redes sociais. mas olha, decidi voltar.
sou viciada em blog, sabe.
faz dez anos que eu sempre começo a escrever em algum lugar, simplesmente porque não consigo deixar as ideias guardadinhas dentro da minha cabeça, elas precisam ir pra fora. já tive todo tipo de blog e esse aqui, até onde minha memória alcança, foi meu preferido. pena que não tive tanto tempo para cuidar dele quanto dos primeiros, onde eu postava tudo que achava legal, às vezes mais de uma vez por dia.
bons tempos.
hoje tem rede social, as pessoas escrevem já tendo um público garantido – os 982312863 amigos no feice. mas gosto mais de blog. sou retrô, gosto de blog e e-mail, todo o resto me parece fugaz demais, superficial demais.
e eu ainda prefiro livros de papel a tablets. talvez eu ainda escreva um livro, faz uns de dez anos que algumas ideias me cercam.
eu decidi voltar pra esse blog, mesmo que não seja mais pra falar só de cinema, com postagens estruturadas, imagens, trailer… era um projeto muito bacana, mas precisaria de mais tempo pra fazê-lo direito. agora estou concentrada em fazer outras coisas direito.
quero voltar a escrever sobre cinema, sobre as coisas que gosto, mas daqui pra frente vai ser mais simples.

pronto, voltei.

e vou começar dizendo que ontem fiz 25 anos e estou me sentindo melhor que aos 22. que comemorei vendo Cavaleiros do Zodíaco abraçada com meu amor. que ainda vou fazer um post lindo sobre Cavaleiros do Zodíaco, porque é muito legal e não me conformo de não ter assistido na infância. e que neste meu ano novo pessoal eu quero fazer uma porção de coisas pra evoluir de verdade e chegar aos 26 melhor do que estou agora.

vou adorar voltar a postar sem me prender a regras.
beijo pra quem fica.

#64 – Os Vingadores – The Avengers

Poster original.

Não sou grande conhecedora dos Vingadores, nem vi todos os filmes individuais que antecederam este longa, mas penso que cumpriu muito bem sua proposta de ser um dos grandes lançamentos comerciais do ano.
Embora não possa avaliar a fidelidade em relação às HQs, os efeitos especiais são muito bons, há alguma dose de humor, heróis com temperamentos diversos, clichês – o que seria dos blockbusters sem eles? – e me rendeu uma experiência bastante curiosa: de um lado estava meu namorado nerd, que adora esse tipo de filme, do outro lado uma das minhas melhores amigas e companheira nos filmes mais “lado B” possíveis. A parte boa é que Os Vingadores conseguiu ser um passatempo agradável para nós três, embora nossos perfis sejam muito diferentes.
Não preciso comentar que o título nacional “Os Vingadores – The Avengers” repete essa mania estranha dos distribuidores por subtítulos, explicações desnecessárias…
Quanto à caracterização, gosto dessa estética de história em quadrinhos, diferente do “realismo” que tentaram imprimir na trilogia X-Men.
O visual da Viúva Negra estava mais interessante em Homem de Ferro 2 – que não assisti ainda – e a camiseta do Black Sabbath vestida por Tony Stark é uma referência sutil e bem interessante: em 1970 a banda lançou a música Iron Man – o nome original de seu alter-ego. A réplica do já modelo pode ser encontrada em diversas lojas virtuais, e a música é esta aqui:

Black Sabbath – Iron Man (Paranoid, 1970)

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Baseado nos quadrinhos da Marvel Comics do grupo homônimo, criado por Stan Lee e Jack Kirby, que apareceu pela primeira vez em 1963.

Precedido pelos títulos individuais Homem de Ferro 1, Homem de Ferro 2, O Incrível Hulk, Capitão América: O Primeiro Vingador e Thor.

Título Original: The Avengers
Origem e Ano: EUA, 2012
Direção: Joss Whedon
Roteiro: Joss Whedon
Gênero: Ação
Figurino: Alexandra Byrne
Música: Alan Silvestri

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.