#76 – Valente

76-valente-poster-brasil-2
Poster brasileiro.

Assisti Valente pela primeira vez há um tempo, em um voo da KLM a caminho de Amsterdã – onde não devo ter passado mais que uma hora, mal deu pra explorar o aeroporto – o segundo voo da nossa “expedição” para a Suécia. Faz seis meses e relembrar os filmes que vi nos voos e durante nossa estadia por lá também é um jeito de relembrar a viagem.

Confesso que estava um pouco apreensiva, pois era a primeira viagem desse porte e tive medo de ter algum tipo de crise de pânico por ficar tanto tempo em um avião – mas, felizmente, o sistema de entretenimento funcionou muito bem comigo tanto na ida quanto na volta.

Este foi o primeiro filme que vi nessa jornada – e revi recentemente, com legendas em inglês pois decidi aceitar este desafio como treinamento. A animação conta a história da princesa Mérida, que não quer seguir os protocolos pois deseja traçar seus próprios caminhos, mas acaba fazendo uma escolha equivocada para fazer valer sua vontade.

Além de ser uma animação excelente, com um detalhamento incrível – da textura dos tecidos aos fragmentos de madeira que aparecem em algumas cenas – o filme tem várias mensagens bacanas – sobre desejos imprudentes, sobre imposições de comportamento e sobre o quanto o diálogo é importante para evitar desentendimentos entre pessoas que se amam.

E, bem diferente dos contos de fadas clássicos, o “final feliz” não tem nada a ver com casar com o príncipe encantado – na verdade, nem existe uma figura masculina muito “virtuosa” em Valente – e ser feliz para sempre, o que eu julgo uma grande evolução.

[mais]

Em 2013 recebeu o Oscar de Melhor Animação.

Título Original: Brave
Origem e Ano: EUA, 2012
Direção: Mark Andrews, Brenda Chapman e Steve Purcell
Roteiro: Mark Andrews, Steve Purcell, Brenda Chapman, Irene Mecchi e Michael Arndt
Gênero: Animação
Música: Patrick Doyle

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

Segunda semana em Estocolmo

E lá vamos nós de novo!
Acho que estamos aproveitando a viagem, afinal, eu acabo nem tendo tempo de escrever aqui.
A seguir outro post gigantes, nosso diário da semana passada:

Posteres na Cinemateca - foto de Natália Santucci (pra não dizer que não tirei nenhuma).
Posteres na Cinemateca – foto de Natália Santucci (pra não dizer que não tirei nenhuma).

Segunda – 18.02
Na segunda fomos para Valhalla. Mas não se preocupem, não foi o salão dos guerreiros caídos, fomos passear em dois pontos nos arredores de uma grande avenida de Estocolmo, a Valhallavägen – que descobri depois que é uma das ruas mais longas da cidade e tem grande valor arquitetônico. Na região, visitamos o Estádio Olímpico, inaugurado nos Jogos Olímpicos de 1912. Eu gostei bastante, e foi uma pena não ter grandes habilidade fotográficas. O estádio é bem pequeno, tem torres altas com mastros saindo de esculturas do tijolo que lembram proas de barcos. Havia pessoas treinando corrida na pista atlética, que pelo visto para este fim tem a neve retirada e amontoada ao redor e, neste montinho, havia pessoas treinando corrida com esqui. As estruturas de ferro, como as catracas de entrada, tem um estilo bonito, que denunciam a idade da construção. Também há as esculturas, fora do espaço esportivo, que dariam fotos incríveis no clima sombrio do inverno.
Saindo dali, fomos à sede do Instituto Sueco de Cinema – a Cinemateca – que é um prédio interessantíssimo, tinha alguns figurinos expostos e, embora não tenhamos assistido nada por ali, há duas salas de exibição, biblioteca e um andar relacionado a alguma faculdade de moda – que agora eu preciso realmente descobrir qual é para, quem sabe no futuro, estudar aqui por uns tempos.

Terça – 19.02
Na terça voltamos aos arredores da Cinemateca, pois a Lele descobriu um concerto da orquestra da Swedish Radio Symphony Orchestra. Fomos ao complexo que reúne a rádio e o canal de televisão SVT, mas na recepção da rádio descobrimos que os ingressos e as apresentações eram na Berwaldhallen, uma sala de concertos perto dali. Não chegamos a acompanhá-la no dia do concerto, mas valeu a visita, pois o prédio era bem interessante – a parte de concreto da fachada fica iluminada com luzes coloridas e a sala de ensaios com paredes de vidro nos permitiu ver um pouquinho o ensaio da orquestra.
Tanto na segunda quanto na terça pegamos ônibus para voltar para casa, o que nos permitiu ver mais um pedacinho da cidade. Depois me concentrei em concluir e enviar um projeto para seleção.

Quarta – 20.02
Combinamos de ir ao Nordiska Museet, finalmente! Como um resfriado estava ameaçando me pegar, fiquei em casa o dia todo, e combinei de encontrar os outros direto no museu. A parte engraçada foi que, saindo do metrô, peguei uma rua errada e tive que usar meu inglês “macarroni” para conseguir pedir uma informação. Deu certo, mas me atrasei e quando cheguei ao museu o pessoal já estava lá há algum tempo. Fiquei chateada, não gosto de me atrasar e era eu quem estava infernizando para ir a este museu, por causa da exposição “Power of Fashion – 300 years of clothing”. Sinceramente, acho que eu poderia MORAR dentro daquele museu!
Como eu já tinha comparado antes, ele é tipo o Museu da Casa Brasileira – reúne objetos de uso cotidiano e se torna uma aula de história do design em diversos segmentos. Havia móveis, louças, roupas e até mesmo uma cabana ali dentro – o fundador do Skansen e do Nordiska é o mesmo, então isso faz um sentido enorme, no fim das contas.
Fiquei maravilhada com as cenas compostas recriando os ambientes e temas – que iam desde uma sala de jantar a um funeral – além das roupas e objetos dos Sami, um grupo étnico indígena da região da Lapônia, as casas de bonecas de vários séculos, a exposição de jóias e de cabelo, em um ambiente que recriava um salão dos anos 1970 e tinha até algumas peças de roupas feitas com fios. Comprei o catálogo da “Power of Fashion”, pois não consigo imaginar um livro falando sobre o significado das roupas na Suécia circulando pelo Brasil. E quase comprei o das jóias também, mas mantive os gastos sob controle.
Saindo de lá, passamos no supermercado para comprar alguma coisa para beliscar e fomos ao ao Lilla Hotellbaren, mas não ficamos muito tempo. As coisas eram muito caras e a banda que começou a tocar não nos agradou, então fomos caminhar pela região, que ainda não conhecíamos.
É um pedaço mais boêmio da cidade, com bares, casas de show, cinemas – inclusive o Victoria, em uma esquina e com letreiro em neon, onde são exibidos alguns filmes da programação da Cinemateca. Eu realmente gostaria de ter conhecido um cinema daqui por dentro. Andamos até bem perto de uma ponte que leva aos arredores do Ericsson Globe, mas aparentemente não era um lugar muito bom para circular a pé, então tiramos algumas fotos e retornamos dali.

Quinta – 21.02
Acho que a “maldição da quinta-feira” me pegou. Pela segunda semana consecutiva a quinta não foi um dia bom para mim, achei que fosse morrer de enxaqueca e náusea – um viva à TPM. Passamos rapidinho por um mercado de especiarias e produtos estrangeiros, parecido com os mercados públicos centrais das capitais brasileiras, bem perto da T-Centralen. O Miguel voltou para casa comigo, pois eu estava realmente me sentindo mal e não queria ficar sozinha.

Sexta – 22.02
A sexta era o dia da orquestra para a Lele. Nós ficamos papeando no escritório dos nossos amigos suecos, e pudemos rever a esposa de um deles, uma gaúcha que conhecemos no Brasil. Foi bem legal. O Gabriel saiu um pouco antes, pois precisava comprar algumas coisas, depois nos reencontramos em casa e os meninos foram ao mercado enquanto eu esperava em casa e aproveitava para concluir a apresentação e enviar mais dois projetos para outra seleção. Estou realmente querendo que este ano decole em relação aos projetos pessoais.

Sábado – 23.02
No sábado madrugamos, pois precisávamos estar no centro antes das 7h para encontrar outro casal de amigos e pegar o ônibus para Borlänge. O fim de semana seria em Romme Alpin, um resort esportivo de inverno – ou seja, muitas pistas de esqui e snowboard para nos arrebentarmos.
Eu nem sei patinar com rodinhas, estava apavorada. A maioria do pessoal optou pelo snowboard, mas fiquei com os esquis, que teoricamente são mais fáceis.
A primeira grande dificuldade foi ficar em cima daquilo sem me desesperar e cair. A segunda foi pegar o lift esquisitinho para subir pra pista. A terceira foi descer. Na primeira vez, para evitar uma trombada com a fila do lift, caí em um buraco de neve e quase não consegui levantar, mesmo com a ajuda de outra moça que estava esquiando. Na segunda, trombei com a tela de separação da fila e meio que atropelei um menininho. Na terceira tive uma cãibra e desisti da descida deslizante – mas tive que descer mancando toda a pista e carregando o esqui, que pesa infinitamente mais do que eu poderia imaginar. Depois disso, fomos nos encontrando em um dos cafés de Romme até dar a hora de ir para o hotel. O Miguel e eu gostamos do hotel, chegamos, tiramos um cochilo, tomamos um bom banho, depois fomos todos para um único quarto ver o Melodifestivalen, que é um programa parecido com o The Voice Brasil.

Domingo – 24.02
Acordamos cedo no domingo, pois o ônibus nos pegaria no hotel às 9h. O café da manhã do hotel estava bem gostoso, eu poderia ficar lá comendo até o ônibus das 11h. Fomos para a estação de esqui com todas as nossas coisas, pois infelizmente não voltaríamos para o hotel depois. Acreditem, neste dia nós passamos calor!
Quase todos pegaram esqui neste dia. Passei um tempo meio apavorada de descer as rampas, mas o Gabriel se habituou bem depressa e ficou um tempo comigo e com a Letícia, ajudando a gente a aprender a frear e fazer curvas.
Depois disso fiquei um pouco mais confiante e segui o dia descendo a rampa, embora não criasse coragem como os outros de ir para outras mais altas. Foi divertido e descobri que ainda sei cair sem me machucar – ou dei muita sorte.
Na volta para Estocolmo quase todos do ônibus cochilaram, mas começou a passar “A Espada Era a Lei” na tv do ônibus e, mesmo que estivesse dublado em sueco, eu adoro este desenho e assisti ele inteiro.
Nosso dia terminou com a chegada em Estocolmo – exaustos, doloridos, mas depois de um fim de semana muito divertido isso tudo é detalhe.

#68 – As Aventuras de Tintim

Poster original.

Semana corrida e atípica, nem consegui sentar pra escrever o texto e atualizar o blog no dia certo. Na verdade, agora mesmo estou tão cansada que quase deixei pra fazer essa atualização amanhã, mas preferi não adiar mais.
Peguei uma pipoquinha e vim contar minha experiência em duas partes com “As Aventuras de Tintim” – porque eu não tenho critérios, durmo em filmes bons, excelentes, porcarias e desenhos com vinte minutos de duração.
Confesso que eu tinha um certo receio deste filme, de ser uma bobagem, um pretexto pra enfiar mais 3D na audiência – tinha ouvido comentários completamente discrepantes sobre sua qualidade e por uns tempos até esqueci dele.
Há uns dez dias, depois de assistir uma aventura decepcionante – que talvez eu comente em um post individual outro dia – M. e eu decidimos ver o Tintim. E eu estava adorando, mas o sono me venceu e não vi como terminou.
Alguns dias depois, retomei e vi até o fim.
Lembro que na infância eu comecei a ver os desenhos, mas como só tinha uma tv em casa e sua transmissão conflitava com o horário da novela, na maior parte do tempo não me deixavam assistir. De qualquer forma, quando terminei de ver esta animação, senti aquela mesma coisa boa que sentia quando assistia aos desenhos.
O roteiro adapta dois livros de Hergé que foram lançados com dois anos de intervalo. Mesmo assim, achei a unificação muito bem feita, resultando em uma aventura divertida e que – para os que gostaram – provavelmente agradou gente de todas as idades.
O filme foi produzido por Peter Jackson e, como em outras obras produzidas ou dirigidas por ele, os movimentos das personagens foram inicialmente captados de atores, depois convertidos em animação.
Depois de assisti-lo, fiquei refletindo sobre esse modismo de atualmente “tudo” ser 3D e o cinema ir perdendo em roteiro pra ficar parecido com um parque de diversões, onde a experiência de ter coisas atiradas ao rosto é mais importante do que a história.
Penso que esse uso deliberado da tecnologia me causa uma enorme preguiça, mas que ela é um recurso interessante para filmes como As Aventuras de Tintim, desenvolvidos em computação gráfica, contando uma história mirabolante, com humanos estilizados e onde talvez não seja interessante vincular o personagem a algum ator.
Por último, eu gostaria de comentar as traduções bizarras – descobri que o cãozinho, que eu sempre conheci como Milu chama-se Snowy no filme. Em francês, o nome do personagem é Milou, que significa “de neve”.
O navio que aparece neste filme, em inglês Unicorn, foi traduzido como Licorne – que é outra palavra para Unicórnio – e eu passei boa parte do tempo achando que era alguma loucura da minha legenda, mas vi que o título em algumas vezes recebia o complemento “O Segredo do Licorne”.

[mais]

Baseado nos quadrinhos de Hergé O Segredo do Licorne, publicado em 1943 e O Caranguejo das Pinças de Ouro, de 1941.

Título Original: The Adventures of Tintin
Origem e Ano: EUA e Nova Zelândia, 2011
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Steven Moffat, Edgar Wright e Joe Cornish
Gênero: Animação
Figurino: Lesley Burkes-Harding
Música: John Williams

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.
Site Oficial.

#63 – Destino (Curta)

Capa do DVD espanhol.

Logo no início o aviso: em 1946 dois lendários artistas iniciaram a parceria para desenvolver um curta. Mais de meio século depois, ele finalmente foi concluído.
Os dois artistas em questão são o pintor surrealista Salvador Dali, que participou de algumas produções cinematográficas, e o animador Walt Disney.
Porém, o projeto foi engavetado, e concluído quase sessenta anos depois, de forma que pode ser considerado uma homenagem póstuma das mais belas a seus idealizadores.

[mais]

Indicado ao Oscar de melhor curta animado em 2004.

Título Original: Destino
Origem e Ano: França e EUA, 2003
Direção: Dominique Monfery
Roteiro: Salvador Dalí, John Hench e Donald W. Ernst
Gênero: Animação
Música: Armando Domínguez- compositor da canção “Destino”, que inspirou o roteiro do filme – interpretada por Dora Luz.

Filme completo:

A tradução da letra de “Destino”:

“Leia na palma da minha mão
A linha de minha propriedade e minhas tristezas,
E nunca, nunca me disse
Meu destino do amor.
Ai! Vida, ai!
Por que o destino negro,
Quão difícil o caminho e eu tenho que ir.
Destino, se soubesse como esquecer,
Por favor, volte para adorar,
Eu não posso esquecer.
Caro, soube-me roubar,
Cruel destino, punhal mortal.
Destino, volte ao meu lado,
Eu chorei por ambos
Por esse amor ingrato.”

No IMDB.
Na Wikipedia (em inglês).
No Animation-Animagic.com.
No Deoos (letra).
No Folio do Emerson

#58 – A Bela e a Fera

Poster original

Tive um dia bastante puxado, mas produtivo. Nos últimos dias, com esse clima de “dia das crianças” invadindo a internet, acabei baixando “A Bela e a Fera”, mas estava tão sobrecarregada com as coisas do tcc que não conseguia nem pensar em ver filme nenhum, em fazer nada divertido. Hoje, como o dia teve bons resultados, me permiti uns bons 90 minutos de diversão revendo esse clássico da animação. O mais legal é que acabei descobrindo que o filme que assisti na verdade é a versão relançada em 2002, com acréscimos e uma nova canção.
Mas de longe, o mais encantador de assistir aos filmes da infância, é perceber as questões adultas nos diálogos. A mentalidade dos vizinhos de Bela é absurdamente limitada, consideram o ato de pensar como um perigo – e fica evidente que valorizam a força bruta, já que o maior ícone da vila é Gastão, um tipo de pitboy medieval.
E aquela clássica cena da valsa na escadaria, que coisa mais linda! Dá vontade de ter um vestido amarelo e sair rodopiando por aí…

[mais]

“A Bela e a Fera” é um conto tradicional francês, e a primeira versão foi publicada por Gabrielle-Suzanne Barbot em 1740. Inicialmente, o filme seria mais fiel à este conto, mas a sombria versão foi arquivada com a chegada de Alan Menken e Howard Ashman à produção.

Foi indicado a seis Oscar, inclusive foi a primeira animação a concorrer ao de Melhor Filme. Recebeu os prêmio de Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original por “Beauty and the Beast”.

As roupas de Bela enquanto mora na vila são azuis por uma opção da direção de arte para evidenciar o quanto a personagem era diferente dos outros moradores.

Título Original: Beauty and the Beast
Origem e Ano: EUA, 1991
Direção: Gary Trousdale e Kirk Wise
Roteiro: Linda Woolverton, baseado em estória de Roger Allens
Gênero: Animação
Música: Alan Menken e Howard Ashman (letras)

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.