#67 – Belas Artes – A Esquina do Cinema (Compacto)

Não sei se o documentário “Belas Artes – A Esquina do Cinema” já teve sua versão final lançada. O que pude encontrar foi este compacto de dezoito minutos que, mais uma vez, me fez chorar emocionada por este cinema que, não só para mim – e isso vocês podem ver no vídeo, logo abaixo – mas para tantas outras pessoas, de tantas gerações e origens diferentes, faz uma falta que é impossível descrever com palavras. Eu mesma já disse muita coisa, e no vídeo minhas palavras encontraram eco e complemento. As lágrimas nos meus olhos também foram compartilhadas por tantos outros frequentadores, das velhinhas que iam lá desde a juventude às pessoas da minha geração, que encontravam ali muito mais que uma alternativa cultural, mas toda uma experiência que em nenhuma outra sala poderia ser vivenciada.

No último dia 23 iniciou-se uma CPI para apuração da regularidade do processo de tombamento.

Aqui, mesmo longe, eu continuo torcendo para que ele volte a existir ali, naquela esquina onde eu já quis morar só pra ficar perto do “meu” cinema.

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Origem e Ano: Brasil, 2011
Direção: Fabio Ornelas
Gênero: Documentário

Filme completo:

Postagem extra. Quarta-feira tem mais.

Nova Fase, Blog B, Belas Artes e Retomada

Saudações, leitores!

Eu não imaginava o quanto as mudanças em minha vida neste ano me deixariam offline. Tentei retomar o blog aqui algumas vezes e nunca consegui juntar tempo e disposição – tenho dezenas de rascunhos de posts que nunca mais finalizei para publicar.
Hoje, por engano, postei aqui um texto do Delírio Contemporâneo, uma espécie de blog “lado b”, onde às vezes posto coisas aleatórias. Não era pra ser uma brincadeira de primeiro de abril, juro!

A parte boa é que agora as mudanças chegaram a um ponto que vai me deixar um pouco mais de tempo livre, então provavelmente em abril eu vá conseguir retomar a proposta de um filme por dia. E, se não conseguir, vou pensar em outra estratégia para manter o blog com atualizações periódicas, pois algumas pessoas me disseram que gostaram tanto do blog que não quero deixá-las sem textos novos.
ATUALIZADO 09.04.12: O blog será retomado em Abril como semanário e, ocasionalmente, podem acontecer postagens extra. Mesmo com tempo livre, surgiram outras responsabilidades das quais não posso me esquivar, então a estratégia encontrada para não precisar fechá-lo foi esta.

Aproveito a postagem para divulgar a página no Causes em defesa do Belas Artes, onde as novidades sobre audiências públicas e coisas do tipo estão sendo divulgadas. No último dia 17 estive na manifestação em frente ao prédio, a luta continua e é muito importante que nós, fãs de cinema, façamos parte dessa causa, independente de morarmos em São Paulo ou não.

Agora vou aproveitar a inspiração e ir ali escrever sobre algum filme. Até mais!

Imagem originalmente em Spresso SP.

Belas Artes – A Luta Continua em 2012

Bom dia, caros!

Como sabem, este blog tem uma profunda ligação afetiva com o cine Belas Artes, um dos principais cinemas de rua de São Paulo e que atualmente é centro de uma batalha entre a sociedade e a especulação imobiliária.
No fim do ano passado, os órgãos responsáveis por tombamentos em esfera municipal e estadual avaliaram porcamente a solicitação feita, considerando que o “imóvel não tem valor arquitetônico” por já ter sofrido modificações, invés de considerar que o patrimônio a ser tombado é imaterial, pois trata da manutenção da atividade cinematográfica no espaço, que se tornou durante tantas décadas de atividade muito mais que um mero espaço de exibição.
Quando a esperança de termos nosso cinema de volta já estava quase se extinguindo, surgiu uma nova chance: uma liminar solicitando reavaliação dos processos, para evitar que durante o recesso dos órgãos públicos o proprietário do imóvel o demolisse.

Há uns dois dias encontrei um manifesto em defesa do cinema – disponível no blog da Raquel Rolnik e no Facebook – e hoje saiu uma notícia no Estado, e eu não poderia deixar de registrar por aqui.

Enviem e-mails para participar do manifesto, compartilhem, retuitem. A produção intelectual brasileira já é bastante desestimulada, os espaços de exibição que não concentram blockbusters são uma minoria que deve permanecer ativa e central, não marginalizada ou em espaços impróprios.
Se não defendermos estes lugares, além de apagar a memória de nossas cidades, estaremos colaborando para o nivelamento por baixo dos filmes em cartaz – vejam como os filmes dublados já estão ganhando espaço, nos privando muitas vezes de ter a opção de ter o áudio original. E os filmes nacionais mais alternativos, que muitas vezes tem espaço naturalmente em salas como o Belas Artes, precisam de COTAS para serem exibidos nos grandes complexos.

Por hoje fica essa dica. Espero que em breve essa novela que já se arrasta por um ano tenha um final feliz, e que possamos comemorar com um Noitão na reabertura do Belas Artes.

Retornando

Olá, caros!

Fiquei em débito com o projeto de postar um filme por dia, mas isso tem uma explicação: este foi meu último ano de faculdade.
Nos últimos meses, o TCC monopolizou minha atenção, concentrando cerca de 12h de trabalho diário, e não só faltava tempo para atualizar o blog como para assistir filmes: antes de “Amanhecer”, que assisti ontem à noite, o último filme que vi foi no dia 29 de outubro, e nem consegui escrever nada sobre ele.
Mas agora em dezembro chegaram minhas merecidas férias, depois de quatro anos de jornadas duplas, e vou aproveitar para atualizar tooooodos os buracos que ficaram nos últimos meses e acrescentar umas ideias novas.

Outra coisa que aconteceu nos últimos dias, e me feriu absurdamente, foi a última negação de tombamento do Belas Artes. Eu gostaria de ter vindo aqui, prestado todas as minhas homenagens, argumentado sobre o quanto isso é absurdo. Mas quantos de nós argumentamos sobre este absurdo durante o ano inteiro, para chegar no fim de novembro e dizerem que “o prédio não tem importância arquitetônica para ser tombado”?

Eu poderia me estender, abordar vários assuntos que me incomodam – da extinção do meu cinema preferido, graças à nojenta especulação imobiliária, ao ridículo desse atual monopólio de filmes dublados nas salas mais comerciais, mas vou me controlar e parar por aqui.

Em breve, as atualizações vão retomar o ritmo.

Até mais!

Uma Esperança

Há alguns dias, fiquei muito deprimida ao saber que a Prefeitura de São Paulo estava dando as costas para a questão do tombamento do Belas Artes.
Eis que na última segunda-feira o Condephaat – órgão estadual de preservação patrimonial – deliberou por quatro horas e autorizou o início do estudo de tombamento do cinema, acendendo uma esperança que certamente havia se apagado após o parecer da Prefeitura.

Hoje vai ter uma festa-manifestação lá em frente às 19h.

Eu vejo uma galera reclamando do tombamento do cinema. Fico imaginando o que essas pessoas defendem ser preservado na cidade – mas imagino que elas não valorizam nada, que para elas cidades não passam de ruas congestionadas, o emprego e shoppings. Ou pior: que só na Europa há coisas que devem ser preservadas.

#56 – The Runaways – Garotas do Rock

Poster irlandês.

“The Runaways” foi um filme que esperei ansiosamente por mais de seis meses, até que foi exibido em pré-estréia integrando a programação de um Noitão do Belas Artes. Fiquei muito empolgada durante toda a sessão, embalada pelos hits da banda e encantada como Kristen Stewart e Dakota Fanning conduziram bem suas personagens, bastante diferentes da imagem difundida de ambas atrizes – principalmente Kristen, fortemente associada à Saga Crepúsculo.
O filme mostra, além da história da banda, as diferenças de personalidade entre Joan Jett e Cherie Currie, e posso usar como exemplo duas situações de vestuário: enquanto Joan exibe sua rebeldia através de uma camiseta customizada com tinta spray e rasgos, Cherrie se apresenta em um momento vestida como David Bowie e em outro usando uma lingerie cor-de-rosa. É interessante observar também que alguns elementos do visual de Joan demonstram a passagem dos anos 70 para os 80 – um exemplo disso são as cores fortes, muito semelhantes à tendência Color Blocking, que é considerada atualmente uma das mais fortes para o verão.
Joan Jett e Cherie Currie estiveram bastante envolvidas na produção do filme, e frequentemente Kristen e Joan eram fotografadas juntas no set. Talvez por esse envolvimento, o longa fica bem mais focado em Joan e Cherie do que no restante da banda, o que pode ser considerado bom ou ruim dependendo da maneira como cada expectador encara. Biografias são complicadas de analisar, principalmente quando são baseadas em autobiografias: um livro de memórias nunca vai tratar apenas dos fatos, vai envolver a memória afetiva de quem narra, as impressões pessoais que teve. Uma vez adaptadas, estas memórias ainda vão ter o recorte que o roteirista achar mais adequado. Particularmente, não me incomoda “The Runaways” ter o foco que tem, pois não se trata de um documentário, não é historiografia.
Descobrir mais sobre a banda e sua importância, pesquisando depois de curtir o filme e as músicas é uma diversão à parte.

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Acima, a banda do filme, abaixo The Runaways originais.

Segundo o blog Mundo de Coisinhas Minhas, onde peguei a imagem acima, a baixista original da banda, Jackie Fox, não autorizou que a retratassem no filme, então a substituíram por uma personagem chamada Robin. Também é mencionado um documentário: “Edgeplay – Um filme sobre The Runaways” (2004), que eu não conhecia e agora vou procurar pra assistir.

Baseado no livro “Neon Angel“, escrito por Cherie Currie e Tony O’Neill

Título Original: The Runaways
Origem e Ano: EUA, 2010
Direção: Flora Sigismondi
Roteiro: Floria Sigismondi
Gênero: Biografia
Figurino: Carol Beadle
Música: The Runaways, Joan Jett e David Bowie

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.
Site oficial.

#55 – Ilha do Medo

Poster original

“Ilha do Medo” foi um dos filmes que assisti em uma das maiores salas do Belas Artes, só dando mesmo algum crédito que o filme não passava de um suspense caça-níqueis por estar em cartaz lá.

Ao contrário do que dizem, o cinema não era uma exclusividade da “elite” – tinha um dos ingressos mais baratos da cidade e era a primeira opção entre meus amigos e eu para ver qualquer filme. Nenhum de nós foi criado em bairros nobres, pelo contrário, e estamos nos esforçando muito para terminarmos a faculdade. Porque não somos “elite”, precisamos nos esforçar pra conseguir ter emprego. Mas antes que este texto se torne uma crônica sobre elite, patrimônio cultural e poder aquisitivo, retomo o filme.

A ilha do título abriga um presídio psiquiátrico, do qual uma paciente desapareceu, e uma dupla de agentes viaja para investigar.
É um suspense muito bem feito, que convida o expectador a tirar suas próprias conclusões, característica comum a outro filme de Scorcese, “A Última Tentação de Cristo”, e que certamente divide opiniões. A fotografia é limpa e evidencia a turbulência dos momentos onde há muita água, quando as imagens se tornam confusas como os caminhos da investigação do detetive Daniels.
Sandy Powell, que criou as roupas de “Entrevista com o Vampiro” e trabalhou com Scorcese e DiCaprio em “O Aviador” assina os figurinos, e mostra novamente sua competência com roupas de época – a história deste longa se passa em 1954.

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Adaptação do livro homônimo de Dennis Lehane, publicado em 2003. No Brasil, inicialmente foi publicado com o título “Paciente 67“, alterado na edição posterior ao filme.

Título Original: Shutter Island
Origem e Ano: EUA, 2010
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Laeta Kalogridis
Gênero: Suspense
Figurino: Sandy Powell

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.