#57 – Edward Mãos de Tesoura

Poster original.

“Edward Mãos de Tesoura” foi escolhido a dedo para ser o filme referente a 03 de outubro, meu aniversário. Isso não significa que tenho dedos cortantes, claro, mas o longa e seu protagonista são extremamente simbólicos para mim, primeiramente por relembrar as duas mil vezes que foi exibido na Sessão da Tarde na minha infância, e que eu assistia hipnotizada sem saber se gostava ou não daquele sujeito bizarro e suas mãos metálicas. Além disso, foi um dos filmes que me apresentou Tim Burton, um dos meus diretores preferidos, que me conquistou justamente pelos elementos coloridos, sombrios e caricatos, muitas vezes relacionados a críticas às convenções sociais – que acabam parecendo mais bizarras do que qualquer esquisitice do cineasta.
Edward, algumas vezes tentando se encaixar ao “socialmente aceito” e se atrapalhando, até desistir de fazer parte daquela loucura, retrata perfeitamente como me senti durante anos. Acho que a construção do personagem é genial justamente por isso, tem uma ideia implícita que você não precisa estar dentro dos padrões, já que muitas vezes eles não fazem o menor sentido.
E como Johnny Depp poderia passar batido depois de dar vida ao pálido e silencioso protagonista, que diz muito com suas expressões faciais e corporais, como os atores de cinema mudo? Justamente esta capacidade de expressão tão em falta na média dos atores e que, sozinho, Depp tem de sobra.
Este foi o primeiro filme com a parceria Burton-Depp, e também a primeira vez que a figurinista Colleen Atwood trabalhou com Tim.

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Esboços do personagem Edward. A autoria de ambos desenhos é atribuída a Tim Burton.

Título Original: Edward Scissorhands
Origem e Ano: EUA, 1990
Direção: Tim Burton
Roteiro: Caroline Thompson, a partir de história escrita por ela e Tim Burton
Gênero: Drama
Figurino: Colleen Atwood
Música: Danny Elfman

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#48 – Batman Returns

Poster original, no melhor estilo Tim Burton

Perdi a conta de quantas vezes assisti “Batman Returns”. Foi o segundo longa do Batman dirigido por Tim Burton, tão controverso quanto o primeiro. De qualquer maneira, é um dos meus preferidos também, tem aquela mesma pegada ‘dark’ do anterior, que Tim Burton domina tão bem.
Soube que Michele Pfeiffer foi cotada para ser Vicki Vane e ainda bem que não ficou com o papel, pois sua Mulher Gato é fantástica. É interessante notar que, como Nina, de “Cisne Negro”, Selina Kyle é uma mulher infantilizada, com a sexualidade reprimida e, ao assumir sua personalidade felina, rompe com tudo isso – o que fica ainda mais evidente por sua roupa preta ser de vinil, que remete ao fetiche.
Christopher Walken tem uma expressão fria que o torna muito convincente como vilão – e neste caso é interessante, pois seu nome é “Max Shreck”, que é o nome do ator que interpretou o Nosferatu no filme homônimo de 1922.
O Pinguim me dava muito medo na infância. Anos depois, tenho uma percepção diferente, é como se ele fosse uma mistura de Frankenstein com Corcunda de Notre Dame – uma criança deformada que, desprezada pelos pais, começa a se revoltar com o mundo que o excluiu e decide destruir o que puder para se vingar. Os trejeitos que Danny DeVito empresta ao personagem contribuem para deixá-lo ainda mais assustador e incômodo.
E o Batman. É difícil falar do Batman do Michael Keaton, acho que ele encarnou o lado mais insosso do herói, que está ali para salvar o dia e fim, não explorou toda a complexidade potencial que tem no Cavaleiro das Trevas.

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Roteiro baseado em história de Daniel Waters e Sam Hamm, com personagens criados por Bob Kane.

Título Original: Batman Returns
Origem e Ano: EUA e Reino Unido, 1992
Direção: Tim Burton
Roteiro: Daniel Waters
Gênero: Aventura
Figurino: Bob Ringwood
Música: Danny Elfman

No IMDB.
No Adoro Cinema.

#47 – Batman (1989)

Poster original

Um ano depois de “Beetlejuice”, Tim Burton colocava mais um importante trabalho nas telas: “Batman”, sua controversa adaptação dos quadrinhos do morcego, lançado na comemoração de 50 anos do personagem.
Michael Keaton novamente protagoniza o longa, mas ao revê-lo como Beetlejuice recentemente, foi difícil não pensar que teria sido melhor como algum vilão do que como Batman.
Aliás, o Coringa de Jack Nicholson e o de Heath Ledger foram exaustivamente comparados, e a respeito disso eu só posso dizer uma coisa: da mesma forma que nas ilustrações dos quadrinhos, esta é uma comparação muito relativa. Acho as duas versões do personagem excelentes e os dois atores merecem todos os méritos que puderem ter, pois não deve ser um vilão fácil de interpretar, tanto que quando o Ledger morreu houve muitos comentários sobre ele ter se desestabilizado emocionalmente após este papel.
Na real, acho uma das coisas que me faz gostar tanto deste filme é justamente o Jack Nicholson. O elenco foi questionado até por Bob Kane, e havia uma lista bem mais interessante de nomes que poderiam ter encarnado o herói e a mocinha [confiram aqui].
Também não posso negar que a estética da Gothan City de Tim Burton é a que mais me agrada, e que ver esses filmes na infância influenciaram meus gostos pela vida inteira.
Faço uma observação sobre o figurino: frequentemente, as mocinhas de Tim Burton vestem branco – neste aqui, Vicki Vale vai à festa de Bruce Wayne vestindo branco, inclusive tenho uma revista em casa com o molde para fazer uma réplica deste vestido.

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Algumas cenas do filme.

Foi premiado com o Oscar de Melhor Direção de Arte em 1990.

A história do filme foi criada por Sam Hamm com personagens de Bob Kane. A primeira aparição do morcego foi em 1939, e já em 1940 ganhou um título próprio devido à grande popularidade. Batman se tornou um ícone da cultura pop, talvez com tanta força quanto Drácula e outros personagens de ficção. Este filme é, até onde consegui descobrir, a terceira adaptação cinematográfica dos quadrinhos, as anteriores foram feitas em 1943 e 1966.

Título Original: Batman
Origem e Ano: EUA e Reino Unido, 1989
Direção: Tim Burton
Roteiro: Sam Hamm e Warren Skaaren
Gênero: Aventura
Figurino: Bob Ringwood
Música: Danny Elfman

No IMDB.
No Adoro Cinema.
Peguei a imagem das cenas aqui.

#46 – Os Fantasmas se Divertem

Poster diferente do clássico com Beetlejuice sentado sobre a casa.

“Os Fantasmas se Divertem” é um desses filmes que passavam várias vezes na Sessão da Tarde. Acabou virando um clássico para a geração e, no meu caso, alimentou o gosto pelo sombrio e pelo humor negro.
Várias características que me fazem adorar os filmes do Tim Burton estão lá: muitas cores, contrastes fortes, crítica ao comportamento “socialmente aceito”, protagonistas fora do padrão, formas estranhas, efeitos especiais com stop motion…
Temos o casal protagonista – os Maitland, que são doces, mas estão mortos e confusos sobre como lidar com esta nova condição e com os novos moradores de sua casa, que são o casal “moderno da cidade”, os Deetz, cheios de manias estranhas e a filha deles, Lydia, uma adolescente que está sempre vestida de preto e tirando fotografias, e que não se identifica nem um pouco com os pais.
Para se livrar do aterrorizante casal Deetz, os Maitland evocam Beetlejuice (“Besourossuco” no Brasil, mas acho a tradução muito feia), um tipo de poltergeist que se auto-denomina “bio-exorcista” e, com isso, passam a ter dois problemas.
A cena da possessão durante o jantar é impagável, com todos sendo forçados a cantar e dançar “Day-O” em volta da mesa.
O vestido vermelho que Beetlejuice obriga Lydia a vestir para casar-se com ele talvez seja um dos figurinos mais marcantes dos filmes do Burton.
Foi o terceiro filme de Winona Ryder, que tinha 17 anos na época. Agora está com 40, mas continua com cara de bonequinha gótica, o que pode ser conferido em seu trabalho mais recente, “Cisne Negro“.

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Lydia Deetz com o vestido de noiva vermelho.

Aggie Guerard Rodgers foi uma das figurinistas de “O Retorno de Jedi”, onde a princesa Léia aparece com o famoso ‘traje de escrava’.

Ganhou o Oscar de Melhor Maquiagem em 1989.

Título Original: Beetlejuice
Origem e Ano: EUA, 1988
Direção: Tim Burton
Roteiro: Warren Skaaren e Michael McDowell, baseado no roteiro original de Larry Wilson e Michael McDowell para um filme de horror.
Gênero: Comédia
Figurino: Aggie Guerard Rodgers
Música: Danny Elfman

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#28 – O Lobisomem

Poster francês.

Na primeira tentativa de assistir “O Lobisomem”, não resisti ao abraço quentinho do meu namorado e dormi antes da metade do filme.
Um tempo depois, assisti até o final e foi um bom divertimento.
Há uma mistura de elementos assustadores reais, como os traumas de infância e o hospício, com os elementos fantásticos das crenças ciganas e o lobisomem em si.
A mitologia da mordida amaldiçoada, da lua cheia e do monstro violento que só pode ser detido com balas de prata é mantida e, pessoalmente, eu gosto mais assim.
Acredito que a proposta deste longa é muito mais honesta como filme com lobisomem do que os últimos que postei aqui, de repente até por não fazer parte de nenhuma grande franquia, e me parece muito mais interessante um lobo maldito solto pela Inglaterra vitoriana do que um serial killer fatiando mocinhas siliconadas em repúblicas americanas.

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Foi premiado em 2011 com o Oscar de Melhor Maquiagem, realizada por Rick Baker e Dave Elsey.

Remake do filme estadunidense “O Lobisomem“, de 1941, no qual um dos ciganos é interpretado por Bela Lugosi, ícone do cinema de horror.

Direção: Joe Johnston
Figurino: Milena Canonero
Origem: EUA
Gênero: Horror
Roteiro: Andrew Kevin Walker e David Self, baseados no roteiro de Curt Siodmak (1941)
Música: Danny Elfman

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.