#69 – Luz (Curta)

Material para a ação; Mapas, cartazes e adesivos.

O Projeto Nova Luz, em São Paulo, em um primeiro momento pode parecer uma grande ideia – revitalizar a região que, há muitos anos, ficou conhecida como Cracolândia – os arredores das estações Luz e Júlio Prestes, os bairros dos Campos Elísios, Bom Retiro, Luz e Santa Ifigênia. Todavia, os moradores e comerciantes do local, por meio de protestos que viraram notícia mais de uma vez, desmascararam uma realidade muito diferente do que o marketing da prefeitura nos mostra – basicamente que a intervenção no local para que haja uma “revitalização” é uma farsa, pois há muita vida, muitos moradores e comerciantes que estão lá há décadas e terão que abandonar seus lares e estabelecimentos em nome da elitização da região. Neste caso, não apenas o patrimônio histórico está ameaçado, mas também um patrimônio humano, social, que está sendo ignorado em favor dos interesses de construtoras, demolidoras e politicagens.
A urbanista Raquel Rolnik, que também participou do curta que estou postando hoje, informou ontem em seu blog que foi deferida a paralização do Projeto, justamente por não considerar a participação popular em sua elaboração.
Eu realmente desejo ver a Luz perder o estigma de Cracolândia, mas não acredito em decisões políticas impositivas como a que baseava a Nova Luz.

Luz:

LUZ | subtitulado from Left Hand Rotation on Vimeo.

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Título Original: Luz
Ano: 2011
Gênero: Documentário
Música: “Saudosa Maloca”, Adoniran Barbosa (1951).

No Ficha do Curta (texto de Raquel Rolnik em espanhol).
No Projeto Nova Luz – Site oficial.

#67 – Belas Artes – A Esquina do Cinema (Compacto)

Não sei se o documentário “Belas Artes – A Esquina do Cinema” já teve sua versão final lançada. O que pude encontrar foi este compacto de dezoito minutos que, mais uma vez, me fez chorar emocionada por este cinema que, não só para mim – e isso vocês podem ver no vídeo, logo abaixo – mas para tantas outras pessoas, de tantas gerações e origens diferentes, faz uma falta que é impossível descrever com palavras. Eu mesma já disse muita coisa, e no vídeo minhas palavras encontraram eco e complemento. As lágrimas nos meus olhos também foram compartilhadas por tantos outros frequentadores, das velhinhas que iam lá desde a juventude às pessoas da minha geração, que encontravam ali muito mais que uma alternativa cultural, mas toda uma experiência que em nenhuma outra sala poderia ser vivenciada.

No último dia 23 iniciou-se uma CPI para apuração da regularidade do processo de tombamento.

Aqui, mesmo longe, eu continuo torcendo para que ele volte a existir ali, naquela esquina onde eu já quis morar só pra ficar perto do “meu” cinema.

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Origem e Ano: Brasil, 2011
Direção: Fabio Ornelas
Gênero: Documentário

Filme completo:

Postagem extra. Quarta-feira tem mais.

#65 – Identidade de Nós Mesmo [Caderno de Notas sobre Roupas e Cidades]

Capa do DVD alemão.

A primeira vez que assisti a este documentário, a tradução do título original foi mantida – então para mim, mesmo que o DVD brasileiro tenha vindo com o terrível título “Identidade de Nós Mesmos”, o filme sempre será o “Caderno de Notas sobre Roupas e Cidades”.

Foi exibido em janeiro de 2008, durante um evento chamado Ziguezague que abordava discursos e trabalhos de moda e arte – mas já não acontece mais há cerca de um ano – paralelamente à realização do SPFW. Não pude acompanhar todo o evento, mas consegui ver integralmente esta obra de Wim Wenders, que mostra o trabalho do designer de moda Yohji Yamamoto e traz algumas questões mais filosóficas sobre identidade, cópia, a relação com as cidades e mais alguns temas, que ainda permanecem atuais vinte e três anos depois da gravação.

Em fevereiro do mesmo ano comecei a faculdade de Design de Moda, sob influência de vários exemplos de design de origem japonesa, mas só fui me dar conta disso recentemente, e nem mesmo me recordo de ter utilizado estes elementos em algum trabalho.
No último sábado o filme foi exibido como parte da aula na pós-graduação. É bem interessante revê-lo com mais bagagem, tanto de cinema quanto de moda.

Wim Wenders explora uma duplicação na tela – que reforça a ideia do diálogo entre ele e o estilista – e experimenta a gravação com filmadora eletrônica no lugar da tradicional câmera de cinema, o que dá espaço para a discussão sobre analógico, digital e cópia, sobre como será o futuro.

Em uma mesma cena é possível ver Paris e Tóquio, as mãos do cineasta e do designer em cidades diferentes manuseando um mesmo livro de fotos antigas – pois Yamamoto diz não acreditar no futuro, mas sim no passado, nas coisas que já realmente aconteceram. Os dois também conversam enquanto disputam uma partida de sinuca, em uma estrutura metálica com Paris ao fundo e, ao mostrar trechos do desfile que Yohji preparava durante as filmagens, é como se as modelos desfilassem sobre dois monitores que exibiam as roupas sendo desenvolvidas e seu criador.

A trilha sonora é marcante, enquanto escrevo posso ouvi-la perfeitamente na memória.
Este é um daqueles filmes que considero indispensável tanto pra quem gosta de cinema, pela construção, quanto pra quem gosta de moda, pela importância de Yamamoto. No caso de gostar das duas coisas, se torna mais que obrigatório.

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O documentário foi encomendado a Wim Wenders pelo Centro Nacional de Arte e Cultura Georges Pompidou, de Paris. Inicialmente, o cineasta foi um pouco resistente – o que ele mesmo conta no início do filme – mas cedeu, e acabou percebendo semelhanças entre o trabalho do criador de moda e do criador de cinema.

Ao procurar imagens para ilustrar o post, descobri que Yohji Yamamoto vai dirigir seu primeiro filme, com lançamento previsto para 2014, e que ele foi protagonista de um curta, em 2011, chamado “This is My Dream” dirigido por Theodore Stanley.

Dizem também que o designer nasceu em 03 de outubro [de 1943], mesma data de aniversário de uma certa Natália, que tem se esforçado para ter uma carreira como designer de moda… É uma curiosidade bastante inspiradora!

Título Original: Aufzeichnungen zu Kleidern und Städten
Origem e Ano: Alemanha (Ocidental) e França, 1989
Direção: Wim Wenders
Roteiro: Wim Wenders
Gênero: Documentário
Figurino: Yohji Yamamoto (na verdade suas criações são mostradas, mas não são exatamente figurinos)
Música: Laurent Petitgand

No IMDB.
No Pirate Bay.
No Modaspot

A partir desta semana os posts serão publicados às quartas.

#39 – Ilha das Flores (Curta)

Poster original.

Relacionado ao “Ossário” por abordar o assunto da poluição, hoje também estou postando um curta, desta vez “Ilha das Flores”, premiado em 1990 com o Urso de Prata no festival de Berlin.
Apesar de já ter mais de vinte anos e ser frequentemente exibido em aulas de ciências, eu nunca tinha assistido, e só lembrei de ir atrás porque há uns dias, retornando de uma viagem, passamos por uma placa que dizia “Ilha das Flores” e meu namorado comentou do filme.
A construção do vídeo é muito interessante, a narração de Paulo José é muito boa, mas a realidade ali exibida é de partir o coração.
Não sei como está a Ilha das Flores atualmente, mas gostaria de ter notícias – de preferência boas, apesar de duvidar um pouco delas neste nosso país maluco.

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Título Original: Ilha das Flores
Origem e Ano: Brasil, 1990
Direção: Jorge Furtado
Roteiro: Jorge Furtado
Gênero: Documentário

Filme completo:

No IMDB.
Roteiro integral, no site da Casa de Cinema de Porto Alegre.

#38 – Ossário (Curtas)

Orion trabalhando, 2006

Os últimos dias estão sendo uma enorme correria para mim, pois estou redigindo meu tcc. Entre o material pesquisado para meu projeto, cheguei aos vídeos que estou postando aqui hoje.

“Ossário” é uma intervenção conhecida como “Reverse Gaffiti”, realizada por Alexandre Orion em túneis da cidade de São Paulo, como uma crítica à poluição.
Em 2010, uma exposição com réplicas da intervenção e vídeos foi realizada pelo CCBB.
Abaixo está o vídeo principal, uma reportagem do programa Metrópolis e o registro de uma obra feita com a fuligem dos túneis retirada por Orion durante a intervenção.

Ossário:

Reportagem do Metrópolis:

Poluição sobre tela:

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Site oficial

Origem e Ano: Brasil, 2006
Gênero: Documentário

#22 – Curtas

Hoje vou fazer um pouco diferente: invés de postar comentários sobre um filme, vou postar dois curtas.
Um deles é diretamente ligado ao filme de ontem: o excelente “Vincent” (1982), escrito e dirigido por Tim Burton. O outro, “Rios e Ruas”, não se relaciona por tema, e sim porque apareceu há poucos minutos, enquanto eu lia este artigo sobre os rios de São Paulo e procurava algum outro curta interessante para postar.

Os dois estão completos, com as respectivas informações abaixo dos vídeos.

Vincent, legendado em português:

Direção: Tim Burton
Origem: EUA
Gênero: Animação (Stop Motion)
Ano: 1982
Roteiro: Tim Burton
Música: Ken Hilton
Elenco: Vincent Price (narrador)

No IMDB.
Poema original transcrito no The Tim Burton Colective

Rios e Ruas – Descobrindo os Rios Invisíveis da Metrópole:

Vídeo-documentário da Oficina e Bike Tour Rios e Ruas, realizados no Hub Escola de Verão, em Fev/2011.
Imagens e Edição: José Renato Bergo
Imagens adicionais: Eduardo Shimahara
Coordenadores: José Bueno e Luiz de Campos Jr.
Cenas de vídeo em exibição: !sso não é normal – Cia de Foto e Denis Russo Burgierman.
Origem: Brasil
Gênero: Documentário
Ano: 2011

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