#78 – Orlando – A Mulher Imortal

Poster horizontal – supostamente o original

Assisti Orlando em abril do ano passado, durante as aulas de História da Moda na pós-graduação. É interessante relembrar este filme agora por algumas questões bem pessoais: ando muito envolvida com a história do vestuário, tanto por ter começado a colaborar com blog do Picnic Vitoriano de Porto Alegre quanto por estar trabalhando no meu TCC – sob orientação da mesma professora que nos mostrou este filme.

A escolha para protagonista não podia ser melhor – Tilda Swinton empresta sua aparência andrógina ao ambíguo Orlando, “a mulher imortal”, que atravessa os séculos e exibe na tela as belíssimas recriações da indumentária de cada época feitas por Sandy Powell, uma das mais talentosas criadoras de Hollywood deste tipo de figurino.

Provavelmente assistirei outra vez assim que sair desta fase de TCC, tanto pelo enredo inusitado quanto pelas roupas maravilhosas.

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Indicado ao Oscar em duas categorias – Cenografia e Figurino.

Versão cinematográfica do romance Orlando, de Virgínia Woolf, publicado originalmente em 1928. No Brasil, em 1989, foi realizada uma adaptação teatral da obra, que teve uma nova montagem em 2004.

Título Original: Orlando
Origem e Ano: Reino Unido, Rússia, França, Itália e Holanda, 1992
Direção: Sally Potter
Roteiro: Sally Potter
Gênero: Drama
Figurino: Sandy Powell
Música: David Motion e Sally Potter

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#77 – Os Miseráveis

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Com um elenco de peso e um diretor premiado, Os Miseráveis estreou no natal de 2012 – embora só tenha chegado aqui em fevereiro, no que eu julgo uma sacanagem sem fim com o público, que já aconteceu em 2010 com o Cisne Negro, por exemplo – e certamente contrastou com o clima de festas.

Diferente da construção de Chicago (2002), também baseado em um musical, Os Miseráveis é integralmente cantado. A segunda diferença deste filme para os outros musicais – tão relacionados a filmes mais leves que concorrem ao Oscar junto com as comédias – é que seus personagens sofrem de uma maneira que não parece ter escapatória, como em Dançando no Escuro (2000).

Em um cenário pós-Revolução Francesa, os mais pobres continuam em situação deplorável e outros grupos revolucionários se formam – sob bandeiras vermelhas. O filme cobre um período de 1815 a 1832 – e para os atentos, é possível notar bem a diferença do vestuário dos períodos. Dois exemplos podem ser citados: no início Fantine aparece com um vestido em corte Império, enquanto Cosette aparece posteriormente em vestidos românticos, com mangas imensas e cintura marcada.

O protagonista é Jean Valjean, condenado à escravidão por ter roubado um pão para alimentar sua família. A história toda se desenrola a partir de sua fuga da liberdade condicional, perseguido por Javert um inspetor obcecado pelo “prisioneiro 24601”.

Entre momentos de fuga, sofrimento e reflexão, há espaço para política, paixão e até humor. Os estalajadeiros pilantras, senhor e senhora Thénardier, interpretados por Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter – ambos coadjuvantes em outro musical, Sweeney Todd (2007). A atuação excelente da dupla quebra um pouco o clima pesado da história, e talvez ajude a equilibrar as coisas.

Recomendado para ver com tempo e com as emoções em ordem. Confesso que chorei rios mas, em contraposição, estou com muita vontade de empregar algumas horas analisando os figurinos.

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Esta é a sétima adaptação da obra de Victor Hugo para o cinema, entre outras várias para a televisão, inclusive uma telenovela brasileira.

Recebeu três Oscars: Melhor atriz coadjuvante (Anne Hathaway), Maquiagem e Mixagem de som. Foi indicado para mais 5 categorias, incluindo Melhor filme, figurino e ator (Hugh Jackman).

Baseado no musical de 1980 escrito por Alain Boublil e Claude-Michel Schönberg, que por sua vez foi baseado no livro homônimo do escritor francês Victor Hugo. O romance foi publicado em 1862, e é dividido em 5 volumes – no filme, o enfoque dado aos personagens separadamente provavelmente corresponde a esta divisão.

Uma curiosidade é que as personagens interpretadas por Helena Bohnam Carter em Sweeney Todd e Os Miseráveis também foram interpretadas pela mesma atriz, Jenny Galloway, nos palcos.

Título Original: Les Misérables
Origem e Ano: EUA e Reino Unido, 2012
Direção: Tom Hooper
Roteiro: William Nicholson, Alain Boublil, Claude-Michel Schönberg e Herbert Kretzmer
Gênero: Musical
Figurino: Paco Delgado
Música: Herbert Kretzmer (compositor do musical)

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#75 – O Grande Gatsby

Poster horizontal

Poster horizontal

Assistimos O Grande Gatsby no cinema há um tempo e é um bom filme, sem dúvidas.

A estética e os figurinos são excelentes, mas não esperava menos de um filme do Baz Luhrmann depois de Moulin Rouge. E, a meu ver, mais uma vez DiCaprio mostrou que seu talento vai além de um rostinho bonito naufragando com o Titanic.

Porém, em alguns pontos o filme é parecido demais com o longa protagonizado por Nicole Kidman e Ewan McGregor em 2001 – as festas opulentas com frequentadores beirando à histeria, a narração em flashback, o protagonista em busca de um sonho e outros tipos sociais, como o escritor, o antagonista rico e agressivo, a mulher no centro da disputa…

Apesar disso, não creio que um filme que conte bem a história a qual se propõe deva ser reduzido a “parece com esse, parece com aquele”, até por estarmos em uma época cheia de remakes que considero extremamente desnecessários – como My Fair Lady e O Corvo, que não se justificam a menos que apresentem a história de uma forma que faça valer a pena.

Não vi as outras versões do Gatsby, mas esta me deixou com vontade de ler o livro que o originou e colocou a trilha sonora entre uma das que mais gostei nos últimos tempos.

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Baseado no livro homônimo de F. Scott Fitzgerald, publicado em 1925 e considerado uma das maiores obras da literatura estadunidense. Esta é a quarta versão do livro para o cinema, as anteriores foram realizadas em 1926, 1949 e 1974.

Catherine Martin foi responsável pelos figurinos de outros filmes de Baz Luhrmann – Vem Dançar Comigo (produção), Romeu + Julieta, Moulin Rouge – Amor em Vermelho e Austrália – além de seus curtas.

A trilha sonora do filme é sensacional, dá um tom “anos 20” a músicas muito atuais – de Amy Winehouse a Beyoncé. Ouça aqui.

Título Original: The Great Gatsby
Origem e Ano: Austrália e EUA, 2013
Direção: Baz Luhrmann
Roteiro: Baz Luhrmann e Craig Pearce
Gênero: Drama
Figurino: Catherine Martin
Música: Craig Armstrong

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#62 – A Outra

Poster original


No Brasil há uma relação muito estranha com a tradução de nomes próprios e títulos de filmes. No caso deste filme, particularmente, penso que não foi utilizado o seu título completo por dois motivos: para vendê-lo como uma história de adultério e porque a maioria das pessoas talvez ignore quem foi Ana Bolena. Além disso, me incomoda um bom tanto essa tradução de nomes próprios de personagens históricos.

Há tempos eu já tinha vontade de assistir “A Outra”, embora não soubesse grande coisa sobre o filme. Sabia que era alguma coisa relacionada ao controverso casamento de Henrique VII com Ana Bolena, que seria a responsável pela ruptura da Inglaterra com a Igreja Católica, mãe da Rainha Elizabeth I e teria um final trágico, acusada de bruxaria e adultério. Os figurinos me pareciam interessantes e as atrizes também – gosto muito da Natalie Portman e da Scarlett Johanson, apesar de achar que colocar tanta beleza em um filme só seja uma estratégia para torná-lo mais vendável.

Como na grande maioria dos filmes “históricos”, os acontecimentos são romanceados e adaptados, mas ainda assim é interessante.
Até então, eu não sabia que Ana Bolena realmente tinha uma irmã – Maria Bolena, que alguns historiadores suspeitam ser mais velha, e não mais nova como afirmado no filme – e que esta também teve um envolvimento com o rei.

Logo no início do filme, o próprio pai de Anne e Mary diz que suas filhas são muito diferentes, e que Anne seria uma criatura mais complicada. Daí em diante, as duas são retratadas com temperamentos distintos: enquanto Mary demonstra um traço mais doce, Anne é mais inquieta. Enquanto elas crescem, os homens da família determinam seu destino – mas os planos, desde sua concepção, começam a apresentar problemas.

Se, por um lado, Ana Bolena se tornou uma rainha controversa, por outro lado é inegável o impacto que exerceu com sua passagem pela corte – tanto a mudança religiosa quanto sua filha, que tornou-se uma rainha legendária, e ambas são elementos muito fortes na cultura britânica. Certamente há outros pontos, mas precisaria de um aprofundamento histórico para comentá-las.

Retomando o filme, a fotografia é muito bonita, as cores compõem cenas luxuosas até mesmo nos momentos mais agressivos. Os figurinos são assinados por Sandy Powell, mais uma vez apresentando um trabalho excelente, como em Entrevista com o Vampiro. Algumas roupas parecem saídas diretamente dos retratos conhecidos – em destaque para o vestido preto e o colar em forma de B que Anne veste mais perto do final – as pérolas, muito em alta neste período, aparecem em diversos momentos e o vestido verde – que não pude apurar se foi recriado a partir de alguma pintura ou possui alguma relação com o significado das cores na época – que é absolutamente lindo e destaca a personagem durante a cena de seu diálogo com o rei quando retorna à corte após um período na França.

Embora não seja tão fiel à História, nem uma obra prima cinematográfica, vale a pena ser visto por essa reconstrução de época e por já poder observar na atuação de Portman alguns traços mais sombrios que, recentemente, tiveram mais espaço em Cisne Negro.

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Baseado no livro A Irmã de Ana Bolena, de Philippa Gregory. O romance, que é o título de maior sucesso da autora, foi publicado em 2002 e, baseando-se nos fatos históricos, conta sob o ponto de vista de Mary Boleyn seu relacionamento com o rei Henrique VIII e, posteriormente, a ascensão de sua irmã, Anne Boleyn, ao posto de rainha consorte.

Título Original: The Other Boleyn Girl
Origem e Ano: Reino Unido e EUA, 2008
Direção: Justin Chadwick
Roteiro: Peter Morgan
Gênero: Drama
Figurino: Sandy Powell
Música: Paul Cantelon

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#61 – O Artista

Poster estadunidense.

Um reflexo gritante da falta de tempo causada pelo TCC é que no final de 2011 eu não assisti quase nada. e 2012 começou com tantas mudanças que, mesmo assistindo vários filmes, não consegui falar sobre nenhum. Lançamentos ou filmes em cartaz? nem sabia de mais nada disso!

Então chegou o Oscar, cheio de indicações a filmes que eu nem sabia direito do que se tratavam, e meio mundo falando sobre o grande vencedor, “O Artista” – que tentei convencer o namorado a ver comigo aqui em Porto Alegre, mas sem sucesso. Quando fomos para São Paulo para minha colação de grau, finalmente convenci o gatinho a ir comigo ao Espaço Unibanco Itaú Augusta para assistir.

Antes de comentar o filme, vou mencionar três incômodos que tive na sessão: do nada o filme parou, as luzes se acenderam e ficamos todos olhando em volta para ver se aparecia alguém do cinema pra falar alguma coisa, mas nada. bem chato. mas pior que isso, só as vozes que estavam vazando da parte de trás da tela para a sala – seria a brigada de incêndio? – e aquelas pessoas não falavam, mas gritavam, de forma que mesmo o filme tendo trilha sonora era possível ouví-las.
E, para completar, havia um pernilongo se banqueteando dos espectadores do filme.

O namorado não gostou, achou o filme lento, mas eu achei lindo, gostei de verdade.

O enredo é simples, aborda a decadência de um astro de filmes mudos de Hollywood(land) com a chegada dos filmes falados e a ascensão de novas estrelas. Algumas pessoas criticaram por ser um filme “americanizado”, embora de origem franco-belga, mas acho meio descabido fazer esse tipo de crítica, pois quantas vezes o cinema conta história originais de outros países? O filme conta uma história com personagens estadunidenses, gostariam que fossem como? Parisienses?
Adorei as cenas de dança e, mesmo não gostando muito que utilizem animais em filmes e espetáculos, não posso negar que o cãozinho do filme é encantador.

O filme é metalinguístico – mostra o cinema dentro do cinema, e todo ele é composto como um filme original da era muda, desde os créditos.
Vi muita gente pontuando a questão de a primeira cena – muda, com as falas sendo mostradas em uma tela de fundo preto, exatamente como os filmes de 1920 – ser de um filme de George Valentin, o protagonista interpretado por Jean Dujardin, onde seu personagem se recusa a falar, assim como posteriormente Valentin se recusa a trabalhar com filmes falados. Uma boa abertura para mostrar a que veio.

Se precisasse definir o filme todo em uma palavra, seria doce, pois há uma doçura enorme no sentimento de Peppy Miller, interpretada por Bérénice Bejo, por seu ídolo, George Valentin, e todo o cuidado que ela tem com ele, mesmo quando se torna uma das estrelas em ascensão – personificando o ideal de “jovem, bela e falante” – enquanto ele vai caindo no esquecimento.

Sem grandes efeitos especiais, há algumas cenas interessantíssimas, onde os efeitos são empregados para mostrar os pesadelos e alucinações que começam a incomodar Valentin, e depois soube que o filme foi gravado em cores, para que trabalhassem melhor os contrastes, e convertido posteriormente para preto e branco. É bastante curioso ver alguns trechos coloridos pela internet.

Acho que o que mais me encantou no todo foi a ousadia de se lançar um filme nos moldes de 1920 quase cem anos depois, quando lançamentos e relançamentos em 3D se alastram pelas salas do mundo todo e efeitos especiais mirabolantes por vezes compensam roteiros fracos. O filme é simples, doce e bonito, transmite muita coisa pela expressão dos atores, figurinos e trilha sonora, e talvez tenha ganhado todos os prêmios que ganhou justamente por trazer de volta o encantamento que o cinema vem perdendo no meio dos excessos.

Vou ver de novo, com certeza.

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Indicado a 10 Oscars, levou 5 prêmios: Figurino, Diretor, Trilha Sonora Original, Ator e Filme. Indicado a 12 BAFTA, ganhou 7: Filme, Diretor, Ator, Roteiro Original, Trilha Sonora Original, Fotografia e Figurino.

Algumas cenas.

Mais uma cena – bem bonita, por sinal.

Título Original: The Artist
Origem e Ano: França e Bélgica, 2011
Direção: Michel Hazanavicius
Roteiro: Michel Hazanavicius
Gênero: Drama
Figurino: Mark Bridges
Música: Ludovic Bource

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Imagens: Moviespad, Sarahism.

#60 – O Homem que Caiu na Terra

Poster horizontal original.

Retomo o blog testando o layout novo e temporariamente sem numerar o filme para poder organizar as postagens “anteriores” em breve.

Hoje inauguro uma das novas ideias que comentei recentemente: além de postar informações estritamente sobre o filme, farei alguns comentários sobre minha vivência com outras mídias que se relacionam. O filme de hoje “O Homem que Caiu na Terra” é protagonizado pelo deus camaleão da música pop – muso, divo, inspirador da minha vida – David Bowie.
É difícil considerá-lo apenas um músico: Bowie estudou mímica (elemento presente muitas vezes em seus show e que possivelmente influenciou sua carreira como ator), canta, toca incontáveis instrumentos, criou personagens, influenciou a moda (e outras pessoas que também influenciaram, como Madonna e Lady Gaga) e, na minha humilde opinião de fã e observadora, é uma das maiores figuras da cultura popular ocidental no século XX. Um baita artista.

Em 14 de janeiro de 1977, Bowie lançou seu primeiro disco da Berlin Trilogy – o álbum Low hoje completa 35 anos.

O longa de Nicolas Roeg é um marco na carreira de ator de Bowie, pois foi a primeira vez que ele protagonizou um filme – que invadiu sua obra musical: a capa dos álbuns Station to Station (1976) e Low (1977) utilizam fotos de “O Homem que Caiu na Terra”. Nesta época, Bowie teve o visual que eu acho mais lindo de todos – o cabelo laranja e a persona do Thin White Duke. Foi uma época controversa: musicalmente atingia um ponto absurdamente alto com o lançamento do excelente Station to Station e a trilogia berlinense – Low, “Heroes” e Lodger – por outro lado estava tão viciado em cocaína que mal se lembra das gravações do álbum de 1976.



Voltando ao filme, como tantos outros da década de 1970, sua narrativa é bem estranha. Uma ficção científica perturbadora em alguns momentos, que conta a história do alienígena Thomas Jerome Newton, que vem à Terra em busca de uma solução para a seca em seu planeta. Chegando aqui, envolve-se nas complicadas relações humanas e desta forma coloca sua vida e sua missão em risco. O filme é longo e silencioso – uma característica que os filmes europeus apresentam com frequência e me agrada muito.
Até alguns anos atrás era bastante difícil conseguir encontrá-lo, o dia que encontrei o VHS nas prateleiras da Start 94 foi como ganhar na loteria, e foi um prêmio ainda maior quando começou a ser distribuído em DVD nacional. Consegui comprar o meu em uma promoção sensacional, e agora já foi lançado até em blue ray no exterior.
É obrigatório para fãs de Bowie e super recomendado para fãs do cinema setentista.

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O roteiro foi inspirado no livro homônimo do escritor americano Walter Tevis, publicado em 1963, e não encontrei tradução para o português. Em 1987 teve uma versão para a televisão, com diversas alterações, inclusive de nomes de personagens.
Premiações

Título Original: The Man Who Fell to Earth
Origem e Ano: Reino Unido, 1976
Direção: Nicolas Roeg
Roteiro: Paul Mayersberg
Gênero: Ficção Científica
Figurino: May Routh
Música: John Phillips e Stomu Yamashta

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#57 – Edward Mãos de Tesoura

Poster original.

“Edward Mãos de Tesoura” foi escolhido a dedo para ser o filme referente a 03 de outubro, meu aniversário. Isso não significa que tenho dedos cortantes, claro, mas o longa e seu protagonista são extremamente simbólicos para mim, primeiramente por relembrar as duas mil vezes que foi exibido na Sessão da Tarde na minha infância, e que eu assistia hipnotizada sem saber se gostava ou não daquele sujeito bizarro e suas mãos metálicas. Além disso, foi um dos filmes que me apresentou Tim Burton, um dos meus diretores preferidos, que me conquistou justamente pelos elementos coloridos, sombrios e caricatos, muitas vezes relacionados a críticas às convenções sociais – que acabam parecendo mais bizarras do que qualquer esquisitice do cineasta.
Edward, algumas vezes tentando se encaixar ao “socialmente aceito” e se atrapalhando, até desistir de fazer parte daquela loucura, retrata perfeitamente como me senti durante anos. Acho que a construção do personagem é genial justamente por isso, tem uma ideia implícita que você não precisa estar dentro dos padrões, já que muitas vezes eles não fazem o menor sentido.
E como Johnny Depp poderia passar batido depois de dar vida ao pálido e silencioso protagonista, que diz muito com suas expressões faciais e corporais, como os atores de cinema mudo? Justamente esta capacidade de expressão tão em falta na média dos atores e que, sozinho, Depp tem de sobra.
Este foi o primeiro filme com a parceria Burton-Depp, e também a primeira vez que a figurinista Colleen Atwood trabalhou com Tim.

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Esboços do personagem Edward. A autoria de ambos desenhos é atribuída a Tim Burton.


Título Original: Edward Scissorhands
Origem e Ano: EUA, 1990
Direção: Tim Burton
Roteiro: Caroline Thompson, a partir de história escrita por ela e Tim Burton
Gênero: Drama
Figurino: Colleen Atwood
Música: Danny Elfman

No IMDB.
No Adoro Cinema.
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