#74 – O Profissional

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Sabe aquele tipo de filme que você sempre pensa “preciso ver” e acaba nunca assistindo? Era o que vinha acontecendo com “O Profissional” que, desde que soube que foi o filme de estreia da Natalie Portman, coloquei na minha lista de filmes a assistir e nunca me lembrava de ir atrás até ver alguma referência a ele.

No último sábado, que foi também meu último dia de aula na pós-graduação, decidi tirar o resto do dia para descansar a cabeça e finalmente assisti – e foi uma ótima escolha.

Observei algumas coisas interessantes, além da atuação sensacional de Jean Reno, Natalie e Gary Oldman – outro ator que facilmente me coloca para ver filmes sem nem pesquisar muito sobre o que tratam.

Uma delas são duas referências não confirmadas – e talvez nem mesmo intencionais – ao filme “Laranja Mecânica” – León, o assassino profissional do título, toma muitos copos de leite durante a história, enquanto Stan, o antagonista, cita Beethoven.

Outro ponto é que, embora seja um filme dos anos 1990, poderia muito bem ser um filme Noir. Vários elementos estão lá: corrupção policial, anti-heróis, e até a femme fatale – em uma versão quase infantil, já que Mathilda tem apenas 12 anos.

Pelas informações do IMDB, Jean Reno estava escalado desde o início para ser o protagonista, mas Natalie Portman havia sido inicialmente recusada para interpretar Mathilda por ser muito jovem. Besson reconsiderou ao vê-la interpretar com muita expressividade uma das cenas na audição.

Muito recomendado, principalmente para quem gosta de filmes sem aquela divisão padrão de “mocinhos e bandidos” e com aquele jeito meio seco dos filmes com raízes europeias.

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Uma das músicas do filme é Venus as a Boy, do álbum de estreia da cantora islandesa Björk – e eu dei um pulo ao reconhecer, adoro!

Título Original: Léon
Origem e Ano: França, 1994
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Gênero: Drama
Figurino: Magali Guidasci
Música: Eric Serra

No IMDB.
No Adoro Cinema.
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#54 – Batman Begins

Poster teaser original

Mais um filme do Bátima! Tenho alguma memória de 2004/2005, quando as notícias da produção eram alvo de especulações desconfiadas nas rodinhas de fãs de quadrinhos.
Vi “Batman Begins” no fim de semana da estréia e automaticamente formulei meu “top 3”, com os dois do Tim Burton e este. Há um tempinho, comprei os dvds dos mais recentes e fiz uma sessão dupla, e na comparação dos dois filmes, a estética de Gothan do Begins me parece muito mais fiel aos quadrinhos e coerente com outros filmes do Morcego do que “O Cavaleiro das Trevas”, mas isso é assunto pra outro post.
Não posso evitar um comentário de tablóide: é o segundo filme do Batman que a mocinha é esposa do Tom Cruise, desta vez Katie Holmes, enquanto em “Batman Eternamente” era Nicole Kidman. Não me lembro de outros filmes da Katie Holmes, mas lembro de vários da Nicole, então só posso dizer que gosto mais da australiana, mesmo que sua participação tenha acontecido em uma adaptação não tão boa.
E tem o Batman. E Christian Bale tem o mérito de ter sido o melhor deles, convencendo muito bem como mauricinho e como herói que enche os malvadões de porrada. E sem mamilos na armadura!
Michael Caine, Morgan Freeman e Gary Oldman formam um excelente time de mocinhos ao lado do protagonista.
Os vilões também dão conta, o Espantalho assusta até fora da máscara, e eu creio que a escolha por personagens que ainda não haviam aparecido nos outros filmes foi bem acertada, pois assim reduziria comparações com os antecessores, que poderiam ter impactos negativos para a continuidade da franquia – as críticas positivas ao filme certamente deram credibilidade suficiente para que explorassem vilões “reprisados” no filme seguinte.
A proposta inédita de dar mais realismo aos personagens de Gothan foi muito bem conduzida e é um elemento a parte de interesse neste longa.

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Os figurinos foram desenvolvidos por Lindy Hemming, responsável por vestir 007, Lara Croft e os personagens de “Harry Potter e a Câmara Secreta” e do filme “O Bravo”, dirigido por Johnny Depp.

Título Original: Batman Begins
Origem e Ano: EUA e Reino Unido, 2005
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan e David S. Goyer, baseados em história de David S. Goyer e personagens de Bob Kane.
Gênero: Aventura
Figurino: Lindy Hemming
Música: James Newton Howard e Hans Zimmer

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#35 – Drácula de Bram Stoker

Poster original - O Amor Nunca Morre.

Entre todas as adaptações de “Drácula” que já assisti, esta é a minha preferida, e um dos filmes que mais amo na vida!
Nos anos 1980 os góticos eram uma das tribos urbanas mais expressivas, e ainda estavam em alta no início da década de 90 quando o filme foi lançado, em 1992. Ele faz parte de uma tendência da época – as adaptações para o cinema de histórias de vampiros, como “Entrevista com o Vampiro” ou com outras temáticas sombrias, como “Edward Mãos de Tesoura”. Inicialmente, seria um filme para televisão, mas acabou sendo lançado no cinema, mesmo com um orçamento considerado baixo. Os efeitos especiais, por exemplo, foram realizados com técnicas antigas, envolvendo vidro, sobreposição de imagens e espelhos, e esta “dificuldade” conferiu ao filme uma identidade visual muito superior à de outros filmes de vampiro que vieram depois e, mesmo com recursos tecnológicos mais avançados disponíveis, não foram muito além de olhos mudando de cor e dentes compridos.

Em poucos minutos já podemos entender o Oscar de Melhor Figurino que Eiko Ishioka recebeu por “Drácula” – e porque até mesmo influenciou criadores de moda, como Lino Villaventura, a criar coleções inspiradas no filme. As roupas mesclam aspectos orientais, vitorianos e uma tradução excelente dos aspectos subjetivos de cada personagem. Posso citar duas personagens que ilustram bem: Drácula e Mina.

O Drácula de Gary Oldman é um tipo de herói romântico, que também se encaixa perfeitamente no perfil de anti-herói – como Heathcliff de “O Morro dos Ventos Uivantes” – um arquétipo bastante popular entre os góticos – mas não só restrito a esta tribo, considerando que atualmente estamos em uma nova febre de vampiros, que mesmo diferentes dos cultuados nos anos 90 ainda conquistam público por esse perfil humanizado. A interpretação é irretocável, sedutora, da forma como os vampiros do filme se propõem a ser.
A armadura criada para o nobre combatente das cruzadas é interessantíssima, com aspecto “plissado” e um elmo fechado, de orelhas pontudas, assustador. As roupas exóticas do conde ao receber Jonathan Harker no castelo decrépito e a caracterização de idoso, com unhas gigantescas e penteado incomum, contribuem na criação de uma aura de estranhamento e insegurança no personagem de Keanu Reeves. Entretanto, ao mudar-se para Londres, ainda que vista-se de maneira incomum – cabelos longos e soltos, óculos coloridos – é de uma maneira alinhada e atraente.

Winona Ryder, que na época poderia ser um perfeito exemplo de “mocinha gótica” mesmo fora das telas, interpreta uma Mina Harker mais complexa do que uma mera vítima do vampiro – as mudanças de sua personagem também podem ser observadas pela mudança de sua caracterização, que no início é contida, de cabelos presos impecavelmente e roupas claras, mas vai se tornando mais passional, deixando os cabelos soltos e utilizando cores mais fortes, até atingir o ápice, onde cede à sedução de Drácula em um fantástico vestido vermelho.

A trilha sonora de Wojciech Kilar também é tão boa que inspirou Danny Elfman na composição da trilha de “O Lobisomem” e nos créditos finais há uma bela canção de Annie Lenox chamada “Love Song for a Vampire“.
Outra curiosidade interessante é que em uma das cenas do começo do filme, o grito do Príncipe Vlad é dublado por Lux Interior, vocalista da banda psychobilly “The Cramps”.

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Recebeu 3 Oscar: Figurino, Maquiagem e Efeitos Sonoros.

Contando com o filme “Nosferatu”, o filme de Coppola é a quarta adaptação do livro Drácula, publicado em 1897 pelo irlandês Bram Stoker, além de ter seus personagens incluídos em diversas outras obras de ficção, inclusive algumas que propunham continuidade à história original.

Título Original: Dracula
Origem e Ano: Eua, 1992
Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: James V. Hart
Gênero: Horror
Figurino: Eiko Ishioka
Música: Wojciech Kilar

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#26 – A Garota da Capa Vermelha

Poster original.

Faço uma pausa na série “Crepúsculo” para comentar um filme que está bastante relacionado a ela – até mais do que devia, eu diria.
Este aqui eu assisti antes de ver a série, e ao ver “Lua Nova” imediatamente pensei que “A Garota da Capa Vermelha” foi o jeito de Catherine Hardwicke fazer seu “personal Lua Nova”, já que foi substituída nos filmes seguintes da série. Até os pais das protagonistas são interpretados pelo mesmo ator – Billy Burke.

Pelos pôsteres e sinopses, prometia ser um bom filme de suspense, já que é quase espontâneo pensar no conto da “Chapeuzinho Vermelho” de uma maneira mais sombria. Converter o lobo em um lobisomem parecia ser um diferencial mais interessante do que uma eventual “atualização” da fábula e, coroando tudo isso, as imagens de divulgação eram belíssimas.
Porém, só correspondeu às expectativas estéticas e, ainda assim, com alguns detalhes incômodos.

O roteiro é raso – uma mistura de romance teen e soluções óbvias para a adaptação do conto – as atuações são opacas e possui todos os elementos que tornam “Crepúsculo” fraco, tendo mais tomadas aéreas de florestas canadenses e músicas de bandas atuais de rock do que enredo.
A melhor atuação do filme é a de Gary Oldman – mas sua personagem tem uma identidade tão rasa que em alguns momentos se torna muito semelhante ao Conde Drácula, interpretado pelo próprio Oldman em 1992, nas cenas de batalha de “Drácula de Bram Stoker”.

Já os figurinos são interessantes. A história se passa em uma vilazinha na idade média, época em que os tecidos eram caros e os teares estreitos – assim, as personagens vestem uma mesma roupa do início ao fim.
O vestido da protagonista tem faixas de tecido unidas por cadarços e o momento que ganha a capa vermelha marca justamente a passagem da sua juventude tranquila para o momento onde todos os problemas começam a aparecer, e até mesmo a própria capa acaba tornando-se um elemento problemático em uma cena onde acusam o vermelho de ser “a cor do diabo”.
Outro figurino interessante é o do lenhador Peter, por quem Valerie (a “Chapeuzinho”) é apaixonada. Como não é um rapaz “certinho” e a moça está prometida em casamento para outro, seu visual é desalinhado – cabelo despenteado, vestindo uma capa preta não sobre os ombros, mas em diagonal sobre um ombro só.

A fotografia do filme é bonita também, o cenário da vila e da casa da avó ajudam no tom de suspense, mas os espinhos exagerados nas árvores incomodam – talvez a floresta fosse mais assustadora se fosse mais realista.
Outro elemento dispensável – e que talvez ajudasse a não relacionar com os lobisomens de Stephanie Meyer – é a cena onde a mocinha se vê refletida nos olhos do lobisomem, pois é simplesmente igual a uma cena de “Lua Nova”.

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O livro “A Garota da Capa Vermelha“, de Sarah Blakley-Cartwright e David Leslie Johnson foi baseado no roteiro do filme.

Direção: Catherine Hardwicke
Figurino: Cindy Evans
Origem: EUA e Canadá
Gênero: Fantasia
Roteiro: David Johnson
Música: Alex Heffes e Brian Reitzell

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#20 – Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

Poster original - Tudo termina em 15 de julho

Em letras grandes, o cartaz anunciava: Tudo termina em 15 de julho.
E lá fui eu para o cinema na estréia, com o coração na mão, sabendo que teria diante de meus olhos os momentos finais de aventuras que duraram uma década, que acompanharam toda minha adolescência – mais os livros que os filmes, é verdade, mas mesmo sabendo como seria o final por ter lido “As Relíquias da Morte” anos antes, estava emocionada.
Aproveito para comentar que DETESTO cinema de shopping, pois não é raro encontrar pessoas que se comportam como bugios enlouquecidos e que pensam que todos ali acham divertido gastar um dinheiro que não é pouco pra ver um babaca tagarelando durante o filme. Mas respirei fundo e me concentrei na tela, onde “As Relíquias da Morte: parte 2” começava exatamente do mesmo ponto onde a primeira parte parou, como se fossem efetivamente um filme só. Ponto pra adaptação.
Se a parte anterior teve um ritmo mais lento, nesta aqui as coisas começam a se desenrolar numa velocidade crescente, com uma urgência maior. A guerra já começou, Voldemort sabe que está sendo perseguido – e sabe que estão seguindo as pistas certas – tornando-se mais agressivo.
Em Hogwarts, paralelamente à busca de Harry, Rony e Hermione, um grupo de alunos também organizou um foco de resistência. O passado encontra o presente de uma maneira emocionante, num ápice digno dos maiores clássicos do gênero.
É um final bonito, que não deixa nada a desejar à série, concluindo-a com a classe merecida. Arrisco dizer que é o melhor filme entre todos os oito.
Saí do cinema com algumas lágrimas no rosto e uma saudade enorme dos livros.

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Segunda parte da adaptação do livro “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, de J.K. Rowling, de 2007, finalizando 14 anos depois, um ciclo que começou com a publicação de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, em 21 de julho de 1997.

Direção: David Yates
Figurino: Jany Temime
Origem: EUA, Reino Unido
Gênero: Fantasia
Roteiro: Steve Kloves
Música: Alexandre Desplat

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#16 – Harry Potter e a Ordem da Fênix

Poster original.

Mais um da série (5/8), “Harry Potter e a Ordem da Fênix” é, junto com “O Prisioneiro de Azkaban” (3º), um dos meus livros preferidos – e uma das esperas mais aguardadas, pois só chegou às minhas mãos quase três anos depois do “Cálice de Fogo” (4º).
O filme, por sua vez, inaugura a direção de David Yates, que comandou a franquia até o fim da série, o que trouxe coisas boas – a continuidade no estilo dos filmes, na estética, no ritmo e a interessante utilização de animações em algumas sequências – e ruins – os buracos de continuidade, que identifiquei facilmente pois só vi os últimos filmes este ano, anos depois de ler os livros, às vezes tendo a impressão de “de onde surgiu esse personagem?”, e momentos que considero equivocados em relação à pessoa da narrativa, pois deixamos de ver os acontecimentos pela ótica do Harry – como em todos os filmes anteriores e nos livros – e recebemos informações de uma “terceira pessoa”.
Apesar disso, “A Ordem da Fênix”, como o livro, é um dos meus preferidos. É sombrio, investe numa ligação maior entre Harry e o vilão Voldemort, e apresenta uma de suas mais fiéis seguidoras, a enlouquecida vilã Bellatrix Lestrange, encarnada com perfeição por Helena Bonham Carter. Voldemort começa a aparecer mais também, dando espaço à interpretação de Ralph Fiennes.
Mas há uma vilã ainda mais assustadora, que tenta disfarçar sua crueldade num visual “fofo”: a professora Umbridge, que transforma Hogwarts em um lugar hostil aos alunos.
Como já comentei anteriormente, a cada ano o enredo vai se tornando mais complexo, de acordo com o crescimento de Harry Potter. Nesta quinta parte, os elementos já estão bastante desenvolvidos: há conspiração, romance, aventura, mistério, feitiços mais elaborados, perigos ainda maiores. E as revelações continuam surgindo, contando a Harry cada vez mais sobre este conflito do qual é protagonista sem ao menos saber porquê.

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Adaptação de “Harry Potter e a Ordem da Fênix”, de J.K. Rowling, publicado em junho de 2003 e chegando apenas 5 meses depois no Brasil, depois do longo intervalo de quase dois anos entre seu lançamento e o volume anterior da série.

Direção: David Yates
Figurino: Jany Temime
Origem: EUA, Reino Unido
Gênero: Fantasia
Roteiro: Michael Goldenberg
Música: Nicholas Hooper

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#15 – Harry Potter e o Cálice de Fogo

Poster alemão.

Hoje retomo a série “Harry Potter”. Gostei da ideia de intercalar com outros filmes, para não soar tão repetitivo para quem não é fã, nem ficar tão presa a um assunto só.
“O Cálice de Fogo” chegou aos cinemas brasileiros em 2005, e na época assisti à pré-estreia. Porém, foi um dos que menos gostei e continuei não gostando tanto mesmo quando revi. Acredito que a adaptação ou a edição não tenham favorecido o ritmo da história, há algumas sequências onde não acontece nada de importante – e demoooora – e em outros momentos a coisa corre ou simplesmente é excluída. Alguns detalhes que desapareceram neste filme acabam deixando buracos na continuidade da série, e talvez passem despercebidas a quem leu os livros pois os leitores já receberam aquela informação. Mas pra quem está fazendo o caminho contrário, pode dar aquela sensação de “ah, okay, mas desde quando isso aí?”.
Os pontos fortes ficam por conta dos efeitos especiais e particularmente da adaptação do labirinto, que no livro é cheio de criaturas, mas no filme é formado por uma planta densa e que se move, tornando a atmosfera bem sombria.

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Adaptação de Harry Potter e o Cálice de Fogo, publicado em 2000. Pra matar os fãs brasileiros de ansiedade, a tradução nacional só chegou às livrarias 11 meses depois.

Direção: Mike Newell
Figurino: Jany Temime
Origem: EUA, Reino Unido
Gênero: Fantasia
Roteiro: Steve Kloves
Música: Patrick Doyle

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.