#82 – Deixa Ela Entrar

Poster original sueco
Poster original sueco

Seguindo no ritmo sombrio de outubro, o filme de hoje é, facilmente, um dos meus favoritos.
Quando chegou ao Brasil em 2009, o longa sueco trazia junto seu sucesso, e foi quase impossível vê-lo no cinema – poucas salas exibem filmes de países fora do eixo USA-UK, mesmo em São Paulo – as filas eram imensas e aos poucos os horários foram ficando ruins para quem trabalhava e estudava. Quase fui ver com a G. no Espaço Unibanco, na Augusta, mas imaginem se a fila não tomava boa parte da calçada? Consegui assistir em uma tarde com a J., no cinema do Conjunto Nacional, com direito a horário errado no site e perder uns dois minutos no início do filme. Tudo bem, não tiraram a qualidade do que viria a seguir.
A segunda vez que assisti foi um momento único na minha vida – estava na Suécia, a paisagem nas ruas era cheia de neve, como no próprio filme, e algumas coisinhas eram tão… suecas! Só não fui na região onde o filme foi gravado pois era bem residencial e longe, então abri mão. Desta vez, M. viu comigo. Ele deve me achar meio maluca com essa minha paixão por vampiros, mas acaba me acompanhando quando invento de assistir algo assim.
É muito interessante a originalidade da história, sem referências a Drácula ou definições de Anne Rice. Os protagonistas têm cerca de 12 anos – inclusive a vampira – e o mais apavorante nisso são as cenas de bullying, demonstrando a crueldade já desperta tão cedo. Eli, a “jovem” vampira, é uma figura que não corresponde à divisão bem-mal, e alguns críticos mencionavam até mesmo sua androginia, cheguei a ler até um comentário sobre uma possível referência homossexual na relação que ela desenvolve com Oskar, o menino agredido pelos colegas de escola. Acho esse tipo de comentário tão chato – ocasionalmente eu tropeço em resenhas que enxergam “gay” em tudo. Imagina o que essa gente não diria de Cavaleiros do Zodíaco, então? Uma coisa muito interessante da Suécia é que por lá a questão da sexualidade das pessoas é muito melhor resolvida do que aqui no nosso país – infelizmente para nós. Por lá as pessoas tratam por algo que traduzo livremente como “seu par” invés de “sua mulher” ou “seu marido” – em resumo, não importa. E em uma cena, Eli pergunta se Oskar iria gosta dela, mesmo que ela não fosse uma menina – e sim. Okay, pelo que conheci dos suecos, é isso, fim. Sem drama sobre a sexualidade do garoto.

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Foi indicado ao BAFTA de melhor filme estrangeiro, recebeu 63 prêmios e 23 indicações.

O roteiro foi escrito pelo próprio autor da história que o originou – John Ajvide Lindqvis publicou o livro em 2004 e, apesar do sucesso enorme do filme (que até ganhou um remake estadunidense dois anos após a estreia e que eu me recuso com veemência a assistir, já que fiquei com uma péssima impressão desse prazo), só chegou às livrarias brasileiras em 2013. Veja aqui a edição.

Título Original: Låt den rätte komma in
Origem e Ano: Suécia, 2008
Direção: Tomas Alfredson
Roteiro: John Ajvide Lindqvist
Gênero: Horror
Figurino: Maria Strid
Música: Johan Söderqvist

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No PirateBay.
No Youtube, integral e legendado em português.

#81 – O Corvo

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Outro aniversário, outro filme escolhido por ter uma relevância enorme para mim.
Até o início de 2013, todas as minhas tentativas de assistir O Corvo foram frustradas. Mas eis que, no fim de fevereiro, em plena viagem para Estocolmo, tive um breve resfriado e passei um tempo sozinha em casa – enquanto meus companheiros de viagem foram para um encontro de programadores, aproveitei para ver esse clássico dos anos 90.
E ali estava eu, hipnotizada e encontrando uma nova paixão nerd-gótica-cinéfila. A história da vingança de Eric Draven é densa e, embora não seja muito comentado, é uma adaptação de quadrinhos muito anterior a isso virar febre. Nem preciso dizer que a HQ entrou para a minha lista de desejos e a trilha sonora, com a perfeita “Burn”, do The Cure, desde então toca quase toda semana na minha playlist.
Infelizmente personagens sinistros com cabelinho comprido e maquiagem parecem não dar muita sorte aos seus intérpretes e, quase no fim das gravações, Brandon Lee – o Corvo – foi atingido por uma bala inadequada para a cena que estavam gravando (e que eu nunca vou enteder porque diabos estava no cano da arma e não foi removida, simplesmente por uma questão de segurança, antes de trocarem para o tipo certo de munição). O ator tinha apenas 28 anos e, assim como Eric Draven, estava com seu casamento marcado para poucos dias depois do incidente, mas não resistiu ao ferimento e deixou, além de um provável coração partido, um filme inesquecível.

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Embora seja lembrado até hoje, o filme não recebeu prêmios muito relevantes. Foram realizados três filmes em sequência ao primeiro, mas nenhum teve a mesma repercussão. Houve também uma série de televisão e, atualmente, há um remake previsto para ser filmado em 2014.

Os quadrinhos que originaram o filme foram escritos por James O’Barr e publicados a partir de 1989, e em 2011 ganharam uma edição especial, mas não localizei edição brasileira.

Título Original: The Crow
Origem e Ano: 1994
Direção: Alex Proyas
Roteiro: David J. Schow e John Shirley
Gênero: Ação
Figurino: Arianne Phillips
Música: Graeme Revell e várias bandas excelentes –  Clique aqui para ouvir a trilha sonora.

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No PirateBay.

#79 – En Puntas

inpuntas
Uma das imagens e divulgação do vídeo.

Este foi um dos vídeos mais impactantes que assisti nos últimos tempos. Os três minutos e meio se alongam na agonia de ver a bailarina Amélie Segarra dançando sobre as facas.

De acordo com o release do vídeo “a bailarina aparece como uma figura misteriosa, expressão de esforço, sacrifício e dor em seu empenho para a perfeição”, e é mais agoniante do que qualquer sequência do Cisne Negro.

As outras obras do espanhol, disponíveis em seu perfil no Facebook, também possuem este aspecto sombrio.

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Infelizmente não encontrei uma ficha técnica mais completa do vídeo, mas lá vão as informações disponíveis:

Título Original: En Puntas
Origem e Ano: Espanha, 2013
Direção: Javier Perez
Gênero: Performance

Filme:

En Puntas
Foto de uma instalação com as sapatilhas utilizadas por Amélie no vídeo.

Perfil de Javier Pérez no Facebook.
Site oficial do artista.

Distribuição sob licensa CC BY 3.0.

#66 – O Vampiro da Noite

Um dos posteres mais famosos do filme, com ilustração de Bill Wiggins.

Cada uma das adaptações feitas para “Drácula” de Bram Stoker tem uma característica única – personagens que desaparecem, situações que são adaptadas. Hoje vemos livros serem levados para as telas ganhando várias partes, e talvez uma versão cinematográfica definitiva para Drácula precisasse de pelo menos três filmes para ser contada com fidelidade – poderia ser dividida na estadia de Jonathan Harker no castelo, na luta de Van Helsing e Dr. Seward contra a misteriosa enfermidade de Lucy Westenra e, em sua última parte, a verdade sobre o conde vampiro revelada e a batalha final nos Cárpatos. Talvez pudesse ganhar até mais partes, mas estas são as divisões mais claras que posso ver agora, que finalmente estou lendo o texto integral (em outra ocasião já li um “resumo” feito nos anos 1970, único livro que consegui por volta de 1998, até alguém ter a brilhante ideia de relançar a história completa, já pelos anos 2000).

O Vampiro da Noite traz uma versão tão peculiar quanto a adaptação não autorizada feita em Nosferatu (1922) – personagens assumem funções inusitadas e relações bastante distintas das existentes no livro.
Nesta versão, protagonizada por um dos maiores nomes do cinema de ficção – Christopher Lee – Jonathan Harker e Van Helsing trabalham juntos e já conhecem a verdade sobre o Conde, bem diferente do livro, no qual Harker é um procurador enviado à Transilvânia para auxiliar Drácula na compra de um imóvel na Inglaterra, sem conhecer sua verdadeira natureza.
As três vampiras que habitam o castelo são convertidas em uma única mulher, e Arthur e Lucy, que nunca chegam a realizar seu matrimônio na literatura, são casados e tios de Mina, a noiva de Harker. Achei toda essa mistura muito curiosa.

Esteticamente o filme me lembra bastante as adaptações dos contos de Edgar Alan Poe protagonizadas por Vincent Price, feitas no início dos anos 1960. Uma coisa que gosto nos filmes antigos de horror é que não tem aquele filtro azul utilizado com tanta frequência nos longas de hoje. Nada contra o filtro azul, mas é uma diferença que me agrada.
Esta é a quarta versão da obra de Bram Stoker que assisto, e o filme de 1992 continua sendo o mais fiel, embora o protagonista seja mais romatizado – de uma forma bastante pertinente à época.
Agora o próximo desafio é encontrar os outros sete filmes, gravados nas décadas de 1960 e 1970, onde Lee encarna Drácula novamente.

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O filme teve seu título alterado nos Estados Unidos para não ser confundido com o clássico Drácula de 1931. Outra curiosidade é que o único personagem com quem o vampiro realmente fala é Jonathan Harker.

Foi a terceira adaptação cinematográfica do livro Drácula, de Bram Stoker, publicado em 1897. Entretanto, o vampiro tornou-se um personagem apropriado pelo imaginário popular, e aparece em quase trezentas produções, entre filmes, sequências e episódios de séries.

Christopher Lee volta ao cinema em um filme de vampiros este ano – em sua quinta colaboração com Tim Burton, estará em “Sombras da Noite”, que tem estreia prevista para 22 de junho no Brasil.

Título Original: Dracula, também conhecido como Horror of Dracula, título que recebeu nos EUA.
Origem e Ano: Reino Unido, 1958
Direção: Terence Fisher
Roteiro: Jimmy Sangster
Gênero: Horror
Figurino: Molly Arbuthnot
Música: James Bernard

No IMDB.
No The Pirate Bay.

#51 – A Orgia da Morte

Poster original horizontal

Este é mais um daqueles casos onde o título brasileiro é deprimente e não tem absolutamente nada a ver com o original. Eu nunca associaria “A Orgia da Morte” com o conto “A Máscara da Morte Rubra”, de Edgar Alan Poe – mas se trata exatamente disso.
O filme faz parte da série de adaptações de Poe protagonizadas por Vincent Price, como “O Solar Maldito” (A Queda da Casa de Usher), e é bem legal, mas a história de Usher é bem mais intrigante e sombria do que a do Príncipe Prospero e suas “festinhas” de adoração do demônio.
Uma hora dessas quero ler os contos e rever os filmes, para poder analisar melhor pois, coincidentemente, não li nenhum dos que foram adaptados e estrelados por Price na década de 1960.
Uma das coisas que mais me chamou a atenção neste longa foram as cores, que possivelmente foram escolhidas com cuidado por haver a relação com o vermelho da “Morte Rubra”.

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O conto “A Máscara da Morte Rubra” foi publicado originalmente em 1842. No Brasil, os contos de Poe foram reunidos em diversas coletâneas, sendo que uma delas, de 2007, leva o título deste conto.

Título Original: The Masque of the Red Death
Origem e Ano: EUA e Reino Unido, 1964
Direção: Roger Corman
Roteiro: Charles Beaumont e R. Wright Campbell
Gênero: Horror
Figurino: Laura Nightingale
Música: David Lee

No IMDB.

#41 – Fome de Viver

Poster original.

Ah, os vampiros. Mito da minha vida, desde a infância. Mas como poderia ser diferente, se fui criança quando os cinemas lançavam “Drácula“, “Entrevista com o Vampiro“, e até mesmo a televisão brasileira aproveitava a onda e fazia novela com os personagens – lembram de “Vamp“?

“Fome de Viver” era uma dessas raridades que eu vasculhava há anos em VHS, antes da popularização de dvds e torrents, e consegui assistir por acaso, na tv aberta, muito provavelmente numa sexta ou sábado à noite, quando os canais não esperam uma audiência tão grande e não se importam em exibir filmes de duas décadas (agora quase três) atrás.
O filme me impressionou muito, eu sabia que precisava vê-lo novamente – e atualmente ele faz parte da minha pequena e adorada coleção de dvds.
Diferente das adaptações de “Drácula” e de outros filmes de vampiro, a narrativa não é do ponto de vista de caçadores ou de vítimas humanas. Nós acompanhamos o casal de vampiros mais charmoso de todos os tempos – Mirian e John, interpretados por Deneuve e Bowie. Mas há algum problema com John e Mirian começa a caçar uma nova companhia.
Como havia comentado anteriormente, o início do filme é a memorável sequência com o Bauhaus cantando “Bela Lugosi is Dead” enquanto os vampiros buscam suas vítimas da noite.
Outra sequência bastante comentada é a cena de sexo entre Deneuve e Sarandon, que diferente de “Último Tango em Paris” e sua sequência da manteiga, não é uma coisa violenta e incômoda de ver.
“Fome de Viver” é bastante sofisticado, ao mesmo tempo que possui traços de melancolia, delicadeza e obscuridade. Deneuve belíssima, vestindo Yves Saint-Laurent e tocando música clássica, Bowie desfilando todo o porte de “lorde inglês”… É até difícil comentar muito sem ter novamente a impressão hipnótica que me causou na primeira vez que assisti.
Creio que seja um desses filmes obrigatórios para fãs de ficção, exatamente pelo diferencial de não ter aquele perfil de batalha entre mocinhos e bandidos.
Os figurinos são de Milena Canonero, que foi premiada com o Oscar por “Maria Antonieta“, além de ter sido figurinista de vários filmes de Stanley Kubrick e, mais recentemente, de “O Lobisomem“.

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Adaptação do livro Fome de Viver, publicado pelo escritor estadunidense Whitley Strieber, em 1981.

Título Original: The Hunger
Origem e Ano: Reino Unido, 1983
Direção: Tony Scott
Roteiro: James Costigan, Ivan Davis e Michael Thomas
Gênero: Horror
Figurino: Milena Canonero
Música: Denny Jaeger e Michel Rubini

No IMDB.
No Adoro Cinema.

#37 – Drácula (1931)

Poster original.

Como minhas impressões dos filmes são baseadas nas minhas sensações, na minha vivência de “cinéfila” e no olhar que venho treinando há anos na área de Design, particularmente o de Moda, muitas vezes o filme que eu vejo é muito diferente do que um ator, cineasta, estudante de cinema ou audiovisual vê. Há quem fale dos defeitos na produção de “Drácula”. Eu, por outro lado, vejo um clássico de horror, independente dos problemas que o longa possa ter.
“Drácula” concedeu a Bela Lugosi um vínculo de sua imagem com o cinema de horror e ficção que jamais seria esquecido, tornou-se um mito. É minha segunda adaptação preferida do livro de Bram Stoker, e acho interessantíssimo o detalhe do vestuário – como já havia comentado em “O Morro dos ventos Uivantes”, apesar de não me lembrar exatamente onde li, soube que na década de 1930 não havia um desenvolvimento muito grande dos figurinos, provavelmente em decorrência da crise de 1929. Originalmente, a história de Drácula acontece no fim do século XIX, mas pelas roupas que as personagens deste filme usam, o que vemos é o vestuário dos anos 1930, mesmo.
Quase um século depois, podemos ver Lugosi estampado em camisetas e outros objetos de diversas marcas caracterizado como seu personagem mais famoso.
Em 1979 a banda Bauhaus lançou seu primeiro single – uma música chamada “Bela Lugosi is Dead“, que quatro anos depois foi utilizada na abertura do filme de vampiros “Fome de Viver”.
Outra curiosidade sobre este “Drácula” é que ao mesmo tempo uma versão espanhola (que nunca encontrei) estava sendo filmada, compartilhando os mesmos sets em horários alternados.

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Foi a primeira adaptação oficial de Drácula de Bram Stoker para o cinema, nove anos depois do polêmico “Nosferatu”.

Título Original: Dracula
Origem e Ano: EUA, 1931
Direção: Tod Browning
Roteiro: Garrett Fort, baseado na adaptação do livro de Bram Stoker feita para o teatro por Hamilton Deane e John L. Balderston.
Gênero: Horror
Música: Originalmente, apenas um trecho de “O Lago dos Cisnes” de Tchaikowsky era utilizado na abertura do filme. Segundo o IMDB, em 1999 teve uma trilha sonora incluída, composta por Philip Glass.

No IMDB.
No Adoro Cinema.