#67 – Belas Artes – A Esquina do Cinema (Compacto)

Não sei se o documentário “Belas Artes – A Esquina do Cinema” já teve sua versão final lançada. O que pude encontrar foi este compacto de dezoito minutos que, mais uma vez, me fez chorar emocionada por este cinema que, não só para mim – e isso vocês podem ver no vídeo, logo abaixo – mas para tantas outras pessoas, de tantas gerações e origens diferentes, faz uma falta que é impossível descrever com palavras. Eu mesma já disse muita coisa, e no vídeo minhas palavras encontraram eco e complemento. As lágrimas nos meus olhos também foram compartilhadas por tantos outros frequentadores, das velhinhas que iam lá desde a juventude às pessoas da minha geração, que encontravam ali muito mais que uma alternativa cultural, mas toda uma experiência que em nenhuma outra sala poderia ser vivenciada.

No último dia 23 iniciou-se uma CPI para apuração da regularidade do processo de tombamento.

Aqui, mesmo longe, eu continuo torcendo para que ele volte a existir ali, naquela esquina onde eu já quis morar só pra ficar perto do “meu” cinema.

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Origem e Ano: Brasil, 2011
Direção: Fabio Ornelas
Gênero: Documentário

Filme completo:

Postagem extra. Quarta-feira tem mais.

Belas Artes – A Luta Continua em 2012

Bom dia, caros!

Como sabem, este blog tem uma profunda ligação afetiva com o cine Belas Artes, um dos principais cinemas de rua de São Paulo e que atualmente é centro de uma batalha entre a sociedade e a especulação imobiliária.
No fim do ano passado, os órgãos responsáveis por tombamentos em esfera municipal e estadual avaliaram porcamente a solicitação feita, considerando que o “imóvel não tem valor arquitetônico” por já ter sofrido modificações, invés de considerar que o patrimônio a ser tombado é imaterial, pois trata da manutenção da atividade cinematográfica no espaço, que se tornou durante tantas décadas de atividade muito mais que um mero espaço de exibição.
Quando a esperança de termos nosso cinema de volta já estava quase se extinguindo, surgiu uma nova chance: uma liminar solicitando reavaliação dos processos, para evitar que durante o recesso dos órgãos públicos o proprietário do imóvel o demolisse.

Há uns dois dias encontrei um manifesto em defesa do cinema – disponível no blog da Raquel Rolnik e no Facebook – e hoje saiu uma notícia no Estado, e eu não poderia deixar de registrar por aqui.

Enviem e-mails para participar do manifesto, compartilhem, retuitem. A produção intelectual brasileira já é bastante desestimulada, os espaços de exibição que não concentram blockbusters são uma minoria que deve permanecer ativa e central, não marginalizada ou em espaços impróprios.
Se não defendermos estes lugares, além de apagar a memória de nossas cidades, estaremos colaborando para o nivelamento por baixo dos filmes em cartaz – vejam como os filmes dublados já estão ganhando espaço, nos privando muitas vezes de ter a opção de ter o áudio original. E os filmes nacionais mais alternativos, que muitas vezes tem espaço naturalmente em salas como o Belas Artes, precisam de COTAS para serem exibidos nos grandes complexos.

Por hoje fica essa dica. Espero que em breve essa novela que já se arrasta por um ano tenha um final feliz, e que possamos comemorar com um Noitão na reabertura do Belas Artes.

Uma Esperança

Há alguns dias, fiquei muito deprimida ao saber que a Prefeitura de São Paulo estava dando as costas para a questão do tombamento do Belas Artes.
Eis que na última segunda-feira o Condephaat – órgão estadual de preservação patrimonial – deliberou por quatro horas e autorizou o início do estudo de tombamento do cinema, acendendo uma esperança que certamente havia se apagado após o parecer da Prefeitura.

Hoje vai ter uma festa-manifestação lá em frente às 19h.

Eu vejo uma galera reclamando do tombamento do cinema. Fico imaginando o que essas pessoas defendem ser preservado na cidade – mas imagino que elas não valorizam nada, que para elas cidades não passam de ruas congestionadas, o emprego e shoppings. Ou pior: que só na Europa há coisas que devem ser preservadas.

#56 – The Runaways – Garotas do Rock

Poster irlandês.


“The Runaways” foi um filme que esperei ansiosamente por mais de seis meses, até que foi exibido em pré-estréia integrando a programação de um Noitão do Belas Artes. Fiquei muito empolgada durante toda a sessão, embalada pelos hits da banda e encantada como Kristen Stewart e Dakota Fanning conduziram bem suas personagens, bastante diferentes da imagem difundida de ambas atrizes – principalmente Kristen, fortemente associada à Saga Crepúsculo.
O filme mostra, além da história da banda, as diferenças de personalidade entre Joan Jett e Cherie Currie, e posso usar como exemplo duas situações de vestuário: enquanto Joan exibe sua rebeldia através de uma camiseta customizada com tinta spray e rasgos, Cherrie se apresenta em um momento vestida como David Bowie e em outro usando uma lingerie cor-de-rosa. É interessante observar também que alguns elementos do visual de Joan demonstram a passagem dos anos 70 para os 80 – um exemplo disso são as cores fortes, muito semelhantes à tendência Color Blocking, que é considerada atualmente uma das mais fortes para o verão.
Joan Jett e Cherie Currie estiveram bastante envolvidas na produção do filme, e frequentemente Kristen e Joan eram fotografadas juntas no set. Talvez por esse envolvimento, o longa fica bem mais focado em Joan e Cherie do que no restante da banda, o que pode ser considerado bom ou ruim dependendo da maneira como cada expectador encara. Biografias são complicadas de analisar, principalmente quando são baseadas em autobiografias: um livro de memórias nunca vai tratar apenas dos fatos, vai envolver a memória afetiva de quem narra, as impressões pessoais que teve. Uma vez adaptadas, estas memórias ainda vão ter o recorte que o roteirista achar mais adequado. Particularmente, não me incomoda “The Runaways” ter o foco que tem, pois não se trata de um documentário, não é historiografia.
Descobrir mais sobre a banda e sua importância, pesquisando depois de curtir o filme e as músicas é uma diversão à parte.

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Acima, a banda do filme, abaixo The Runaways originais.

Segundo o blog Mundo de Coisinhas Minhas, onde peguei a imagem acima, a baixista original da banda, Jackie Fox, não autorizou que a retratassem no filme, então a substituíram por uma personagem chamada Robin. Também é mencionado um documentário: “Edgeplay – Um filme sobre The Runaways” (2004), que eu não conhecia e agora vou procurar pra assistir.

Baseado no livro “Neon Angel“, escrito por Cherie Currie e Tony O’Neill

Título Original: The Runaways
Origem e Ano: EUA, 2010
Direção: Flora Sigismondi
Roteiro: Floria Sigismondi
Gênero: Biografia
Figurino: Carol Beadle
Música: The Runaways, Joan Jett e David Bowie

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