#78 – Orlando – A Mulher Imortal

Poster horizontal – supostamente o original

Assisti Orlando em abril do ano passado, durante as aulas de História da Moda na pós-graduação. É interessante relembrar este filme agora por algumas questões bem pessoais: ando muito envolvida com a história do vestuário, tanto por ter começado a colaborar com blog do Picnic Vitoriano de Porto Alegre quanto por estar trabalhando no meu TCC – sob orientação da mesma professora que nos mostrou este filme.

A escolha para protagonista não podia ser melhor – Tilda Swinton empresta sua aparência andrógina ao ambíguo Orlando, “a mulher imortal”, que atravessa os séculos e exibe na tela as belíssimas recriações da indumentária de cada época feitas por Sandy Powell, uma das mais talentosas criadoras de Hollywood deste tipo de figurino.

Provavelmente assistirei outra vez assim que sair desta fase de TCC, tanto pelo enredo inusitado quanto pelas roupas maravilhosas.

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Indicado ao Oscar em duas categorias – Cenografia e Figurino.

Versão cinematográfica do romance Orlando, de Virgínia Woolf, publicado originalmente em 1928. No Brasil, em 1989, foi realizada uma adaptação teatral da obra, que teve uma nova montagem em 2004.

Título Original: Orlando
Origem e Ano: Reino Unido, Rússia, França, Itália e Holanda, 1992
Direção: Sally Potter
Roteiro: Sally Potter
Gênero: Drama
Figurino: Sandy Powell
Música: David Motion e Sally Potter

No IMDB.
No TorrentButler.

#62 – A Outra

Poster original

No Brasil há uma relação muito estranha com a tradução de nomes próprios e títulos de filmes. No caso deste filme, particularmente, penso que não foi utilizado o seu título completo por dois motivos: para vendê-lo como uma história de adultério e porque a maioria das pessoas talvez ignore quem foi Ana Bolena. Além disso, me incomoda um bom tanto essa tradução de nomes próprios de personagens históricos.

Há tempos eu já tinha vontade de assistir “A Outra”, embora não soubesse grande coisa sobre o filme. Sabia que era alguma coisa relacionada ao controverso casamento de Henrique VII com Ana Bolena, que seria a responsável pela ruptura da Inglaterra com a Igreja Católica, mãe da Rainha Elizabeth I e teria um final trágico, acusada de bruxaria e adultério. Os figurinos me pareciam interessantes e as atrizes também – gosto muito da Natalie Portman e da Scarlett Johanson, apesar de achar que colocar tanta beleza em um filme só seja uma estratégia para torná-lo mais vendável.

Como na grande maioria dos filmes “históricos”, os acontecimentos são romanceados e adaptados, mas ainda assim é interessante.
Até então, eu não sabia que Ana Bolena realmente tinha uma irmã – Maria Bolena, que alguns historiadores suspeitam ser mais velha, e não mais nova como afirmado no filme – e que esta também teve um envolvimento com o rei.

Logo no início do filme, o próprio pai de Anne e Mary diz que suas filhas são muito diferentes, e que Anne seria uma criatura mais complicada. Daí em diante, as duas são retratadas com temperamentos distintos: enquanto Mary demonstra um traço mais doce, Anne é mais inquieta. Enquanto elas crescem, os homens da família determinam seu destino – mas os planos, desde sua concepção, começam a apresentar problemas.

Se, por um lado, Ana Bolena se tornou uma rainha controversa, por outro lado é inegável o impacto que exerceu com sua passagem pela corte – tanto a mudança religiosa quanto sua filha, que tornou-se uma rainha legendária, e ambas são elementos muito fortes na cultura britânica. Certamente há outros pontos, mas precisaria de um aprofundamento histórico para comentá-las.

Retomando o filme, a fotografia é muito bonita, as cores compõem cenas luxuosas até mesmo nos momentos mais agressivos. Os figurinos são assinados por Sandy Powell, mais uma vez apresentando um trabalho excelente, como em Entrevista com o Vampiro. Algumas roupas parecem saídas diretamente dos retratos conhecidos – em destaque para o vestido preto e o colar em forma de B que Anne veste mais perto do final – as pérolas, muito em alta neste período, aparecem em diversos momentos e o vestido verde – que não pude apurar se foi recriado a partir de alguma pintura ou possui alguma relação com o significado das cores na época – que é absolutamente lindo e destaca a personagem durante a cena de seu diálogo com o rei quando retorna à corte após um período na França.

Embora não seja tão fiel à História, nem uma obra prima cinematográfica, vale a pena ser visto por essa reconstrução de época e por já poder observar na atuação de Portman alguns traços mais sombrios que, recentemente, tiveram mais espaço em Cisne Negro.

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Baseado no livro A Irmã de Ana Bolena, de Philippa Gregory. O romance, que é o título de maior sucesso da autora, foi publicado em 2002 e, baseando-se nos fatos históricos, conta sob o ponto de vista de Mary Boleyn seu relacionamento com o rei Henrique VIII e, posteriormente, a ascensão de sua irmã, Anne Boleyn, ao posto de rainha consorte.

Título Original: The Other Boleyn Girl
Origem e Ano: Reino Unido e EUA, 2008
Direção: Justin Chadwick
Roteiro: Peter Morgan
Gênero: Drama
Figurino: Sandy Powell
Música: Paul Cantelon

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#55 – Ilha do Medo

Poster original

“Ilha do Medo” foi um dos filmes que assisti em uma das maiores salas do Belas Artes, só dando mesmo algum crédito que o filme não passava de um suspense caça-níqueis por estar em cartaz lá.

Ao contrário do que dizem, o cinema não era uma exclusividade da “elite” – tinha um dos ingressos mais baratos da cidade e era a primeira opção entre meus amigos e eu para ver qualquer filme. Nenhum de nós foi criado em bairros nobres, pelo contrário, e estamos nos esforçando muito para terminarmos a faculdade. Porque não somos “elite”, precisamos nos esforçar pra conseguir ter emprego. Mas antes que este texto se torne uma crônica sobre elite, patrimônio cultural e poder aquisitivo, retomo o filme.

A ilha do título abriga um presídio psiquiátrico, do qual uma paciente desapareceu, e uma dupla de agentes viaja para investigar.
É um suspense muito bem feito, que convida o expectador a tirar suas próprias conclusões, característica comum a outro filme de Scorcese, “A Última Tentação de Cristo”, e que certamente divide opiniões. A fotografia é limpa e evidencia a turbulência dos momentos onde há muita água, quando as imagens se tornam confusas como os caminhos da investigação do detetive Daniels.
Sandy Powell, que criou as roupas de “Entrevista com o Vampiro” e trabalhou com Scorcese e DiCaprio em “O Aviador” assina os figurinos, e mostra novamente sua competência com roupas de época – a história deste longa se passa em 1954.

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Adaptação do livro homônimo de Dennis Lehane, publicado em 2003. No Brasil, inicialmente foi publicado com o título “Paciente 67“, alterado na edição posterior ao filme.

Título Original: Shutter Island
Origem e Ano: EUA, 2010
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Laeta Kalogridis
Gênero: Suspense
Figurino: Sandy Powell

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#34 – Entrevista com o Vampiro

Poster original.

“Entrevista com o Vampiro” é um dos melhores filmes sobre vampiros que já vi – e revi incontáveis vezes.
Se por um lado Anne Rice constrói seus vampiros rompendo com alguns elementos tradicionais, como crucifixos e espelhos, por outro lado, além de fazê-lo muito bem, constrói personagens muito expressivos.
É um dos raros casos onde gosto mais da adaptação cinematográfica do que do livro, mas o mérito continua sendo da própria autora em grande parte, pois o roteiro do longa foi escrito por ela mesma.
Nem vou perder tempo fazendo comparações com a Stephanie Meyer, pois apesar de ser tentador, creio que isso já foi feito exaustivamente nos últimos anos, também porque da Annie Rice eu li dois livros, da Stephanie Meyer eu não li nenhum – e porque a outra adaptação feita das Crônicas Vampirescas é um filme que prefiro desconsiderar um pouco, pois perto da excelência de “Entrevista”, ele desaparece.
Inicialmente, falarei de Tom Cruise como Lestat – até hoje insisto que ele na verdade é um vampiro que se disfarça de ator, pois a forma como interpretou Lestat é perfeita, surpreendeu até mesmo Anne Rice, que na época preferia outro ator, mas depois se retratou com o Tom. Dos filmes que vi com Cruise, este é seu melhor personagem – mas confesso que não vi tantos filmes dele para afirmar que é o melhor de sua carreira. Mas que Lestat por si só é um personagem apaixonante, não posso negar.
Em oposição, está Louis. Tenho vontade de bater no Louis a maior parte do tempo por ficar arrastando sua “culpa cristã” por séculos. Mas se levar em consideração que ele era humano no período romântico, esse comportamento faz todo o sentido, pode ser identificado com o Werther (de Goethe).
Kirsten Dunst tinha 12 anos quando interpretou a vampira Claudia, e fez isso com uma intensidade que nunca mais vi em nenhuma de suas personagens (ainda não vi esse último filme do Lars Von Trier, mas pelo que conheço do cineasta, desconfio que possa ter explorado essa intensidade em “Melancolia”), principalmente quando a personagem se torna uma “adulta eternamente presa em um corpo de criança”, com um olhar mais distante e atitudes imprevisíveis.
Oito anos depois de “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos“, Antonio Banderas encarna Armand, o líder dos vampiros que vivem em Paris. Não sei o que motivou a escolha de Banderas para interpretar Armand, já que nos livros é descrito com uma aparência extremamente jovem, enquanto o ator já estava com 34 anos, mas de qualquer forma a passagem dos vampiros americanos pelo “Teatro dos Vampiros” é muito boa.
Os cenários e figurinos são uma beleza a parte, traduzindo estéticamente épocas e situações tão diversas quanto a personalidade dos vampiros que circulam pelos 200 anos abrangidos por esta história.

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Adaptação do livro “Entrevista com o Vampiro”, publicado por Anne Rice em 1976. A tradução para o português foi feita por Clarice Lispector – na edição com a capa lilás, comercializada pela Rocco até o começo dos anos 2000, posso dizer com certeza que é esta tradução, pois é o exemplar que possuo. Não tenho informação sobre as novas edições, mas acredito que seja a mesma.

Título Original: Interview with the Vampire: The Vampire Chronicles
Origem e Ano: EUA, 1994
Direção: Neil Jordan
Roteiro: Anne Rice
Gênero: Drama
Figurino: Sandy Powell
Música: Elliot Goldenthal

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.