#83 – Gilda

Poster ilustrado original

O filme de hoje é uma homenagem a uma das minhas atrizes preferidas, que se estivesse viva, completaria 95 anos. Rita morreu no ano em que eu nasci, e eu só soube de sua existência em 2006. E Gilda foi o primeiro filme dela que vi, e revi umas 3 vezes na sequência, encantada. Embora a personagem tenha assombrado a atriz durante o resto de sua vida – uma de suas frases mais famosas é “Every man I have known has fallen in love with Gilda and wakened with me”.

O slogan do filme é “Nunca houve mulher como Gilda”, mas houve Rita Hayworth, e sua história de vida talvez seja ainda mais forte do que a de sua personagem mais importante – a jovem dançarina, extremamente tímida, mas que se tornou uma das atrizes mais importantes de sua época, passou por vários casamentos frustrados, inclusive com o também extremamente famoso Orson Welles, e terminou seus dias vítima do mal de Alzheimer.

Como eu, Margarita é libriana de outubro, e várias outras coisinhas me hipnotizam quando a vejo em cena.

Gilda foi lançado em 1946, e a história tem a Argentina durante a Segunda Guerra Mundial como cenário. A classificação dele como noir é um pouco controversa, mas quando a protagonista começa a exercer todo seu poder de sedução sobre Johnny Farrel, que também narra o filme, pouco importam os rótulos.

Eu poderia passar semanas escrevendo apenas sobre este filme, mas vou parar agora – assistam!

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Segundo o IMDB, na cena em que interpreta Put the Blame on Mame, Rita precisou usar um corset, pois sua primeira filha havia nascido pouco antes das filmagens. O vestido e as luvas usados na cena são um dos figurinos mais memoráveis de Hollywood.

Uma das cenas mais famosas da história do cinema.

Partitura da canção “Put the Blame on Mame”, interpretada na sequência da foto acima.

Título Original: Gilda
Origem e Ano: EUA, 1946
Direção: Charles Vidor
Roteiro: Marion Parsonnet, baseado em história de E.A. Ellington adaptada por Jo Eisinger
Gênero: Noir
Figurino: Jean Louis (vestidos)
Música: Marlin Skiles e M.W. Stoloff (direção musical)

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#60 – O Homem que Caiu na Terra

Poster horizontal original.

Retomo o blog testando o layout novo e temporariamente sem numerar o filme para poder organizar as postagens “anteriores” em breve.

Hoje inauguro uma das novas ideias que comentei recentemente: além de postar informações estritamente sobre o filme, farei alguns comentários sobre minha vivência com outras mídias que se relacionam. O filme de hoje “O Homem que Caiu na Terra” é protagonizado pelo deus camaleão da música pop – muso, divo, inspirador da minha vida – David Bowie.
É difícil considerá-lo apenas um músico: Bowie estudou mímica (elemento presente muitas vezes em seus show e que possivelmente influenciou sua carreira como ator), canta, toca incontáveis instrumentos, criou personagens, influenciou a moda (e outras pessoas que também influenciaram, como Madonna e Lady Gaga) e, na minha humilde opinião de fã e observadora, é uma das maiores figuras da cultura popular ocidental no século XX. Um baita artista.

Em 14 de janeiro de 1977, Bowie lançou seu primeiro disco da Berlin Trilogy – o álbum Low hoje completa 35 anos.

O longa de Nicolas Roeg é um marco na carreira de ator de Bowie, pois foi a primeira vez que ele protagonizou um filme – que invadiu sua obra musical: a capa dos álbuns Station to Station (1976) e Low (1977) utilizam fotos de “O Homem que Caiu na Terra”. Nesta época, Bowie teve o visual que eu acho mais lindo de todos – o cabelo laranja e a persona do Thin White Duke. Foi uma época controversa: musicalmente atingia um ponto absurdamente alto com o lançamento do excelente Station to Station e a trilogia berlinense – Low, “Heroes” e Lodger – por outro lado estava tão viciado em cocaína que mal se lembra das gravações do álbum de 1976.



Voltando ao filme, como tantos outros da década de 1970, sua narrativa é bem estranha. Uma ficção científica perturbadora em alguns momentos, que conta a história do alienígena Thomas Jerome Newton, que vem à Terra em busca de uma solução para a seca em seu planeta. Chegando aqui, envolve-se nas complicadas relações humanas e desta forma coloca sua vida e sua missão em risco. O filme é longo e silencioso – uma característica que os filmes europeus apresentam com frequência e me agrada muito.
Até alguns anos atrás era bastante difícil conseguir encontrá-lo, o dia que encontrei o VHS nas prateleiras da Start 94 foi como ganhar na loteria, e foi um prêmio ainda maior quando começou a ser distribuído em DVD nacional. Consegui comprar o meu em uma promoção sensacional, e agora já foi lançado até em blue ray no exterior.
É obrigatório para fãs de Bowie e super recomendado para fãs do cinema setentista.

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O roteiro foi inspirado no livro homônimo do escritor americano Walter Tevis, publicado em 1963, e não encontrei tradução para o português. Em 1987 teve uma versão para a televisão, com diversas alterações, inclusive de nomes de personagens.
Premiações

Título Original: The Man Who Fell to Earth
Origem e Ano: Reino Unido, 1976
Direção: Nicolas Roeg
Roteiro: Paul Mayersberg
Gênero: Ficção Científica
Figurino: May Routh
Música: John Phillips e Stomu Yamashta

No IMDB.
No TorrentButler.

#37 – Drácula (1931)

Poster original.

Como minhas impressões dos filmes são baseadas nas minhas sensações, na minha vivência de “cinéfila” e no olhar que venho treinando há anos na área de Design, particularmente o de Moda, muitas vezes o filme que eu vejo é muito diferente do que um ator, cineasta, estudante de cinema ou audiovisual vê. Há quem fale dos defeitos na produção de “Drácula”. Eu, por outro lado, vejo um clássico de horror, independente dos problemas que o longa possa ter.
“Drácula” concedeu a Bela Lugosi um vínculo de sua imagem com o cinema de horror e ficção que jamais seria esquecido, tornou-se um mito. É minha segunda adaptação preferida do livro de Bram Stoker, e acho interessantíssimo o detalhe do vestuário – como já havia comentado em “O Morro dos ventos Uivantes”, apesar de não me lembrar exatamente onde li, soube que na década de 1930 não havia um desenvolvimento muito grande dos figurinos, provavelmente em decorrência da crise de 1929. Originalmente, a história de Drácula acontece no fim do século XIX, mas pelas roupas que as personagens deste filme usam, o que vemos é o vestuário dos anos 1930, mesmo.
Quase um século depois, podemos ver Lugosi estampado em camisetas e outros objetos de diversas marcas caracterizado como seu personagem mais famoso.
Em 1979 a banda Bauhaus lançou seu primeiro single – uma música chamada “Bela Lugosi is Dead“, que quatro anos depois foi utilizada na abertura do filme de vampiros “Fome de Viver”.
Outra curiosidade sobre este “Drácula” é que ao mesmo tempo uma versão espanhola (que nunca encontrei) estava sendo filmada, compartilhando os mesmos sets em horários alternados.

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Foi a primeira adaptação oficial de Drácula de Bram Stoker para o cinema, nove anos depois do polêmico “Nosferatu”.

Título Original: Dracula
Origem e Ano: EUA, 1931
Direção: Tod Browning
Roteiro: Garrett Fort, baseado na adaptação do livro de Bram Stoker feita para o teatro por Hamilton Deane e John L. Balderston.
Gênero: Horror
Música: Originalmente, apenas um trecho de “O Lago dos Cisnes” de Tchaikowsky era utilizado na abertura do filme. Segundo o IMDB, em 1999 teve uma trilha sonora incluída, composta por Philip Glass.

No IMDB.
No Adoro Cinema.

#29 – Janela Indiscreta

Poster alemão.

Assisti “Janela Indiscreta” há alguns anos, na época que alugava dezenas de filmes por semana em parceria com duas amigas.
Os elementos do filme tem muita qualidade em conjunto, mas alguns me marcaram mais: o desenrolar da trama a partir do ponto de vista de um personagem confinado, as formas e a estética do cenário, o mergulho do protagonista no universo – criado por ele mesmo – de seus vizinhos, os figurinos da lendária Edith Head e, claro, Grace Kelly.
Aliás, confesso a vocês que o vestido preto e branco que a Grace Kelly usou neste filme era uma coisa que eu gostaria muito de ver de perto, mas infelizmente a peça não fazia parte do acervo – enorme e lindo – da exposição que passou pela FAAP no começo do ano.

Figurino de Grace Kelly criado por Edith Head.

Mas vamos ao filme!
Jeff, um fotógrafo, se acidenta e fica confinado em seu apartamento enquanto se recupera da fratura. Enquanto os dias passam, ele vai desenvolvendo o hábito de observar o cotidiano de seus vizinhos, e a partir das cenas recortadas que vê pelas janelas, compõe o “retrato” de cada um, até encontrar um acontecimento suspeito e desconfiar que ocorreu um crime.
A vista que Jeff tem de sua janela foi trabalhada de uma maneira que parece uma parede cheia de fotografias vivas, absolutamente interessante.
Na época, estava muito curiosa também para ver a atuação de Grace Kelly, pois ouvia muitos comentários sobre a “princesa”, mas nunca tinha visto nenhum filme com ela.
E ela vem pra arrematar como Lisa Carol Fremont, namorada de Jeff, com quem ele compartilha suas observações. Segundo o blog Bainha de Fita Crepe, Lisa é modelo, veste roupas da alta moda da época – e dá espaço para Edith Head criar um figurino lindo, desses que a gente fica até com vontade de copiar e sair usando mesmo sem saber exatamente onde.

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Adaptação do conto “It Had to Be Murder” de Cornell Woolrich, publicado no Brasil em 2008, pela Companhia das Letras, no livro Janela Indiscreta e Outras Histórias.

Direção: Alfred Hitchcock
Figurino: Edith Head
Origem: EUA
Gênero: Suspense
Roteiro: John Michael Hayes
Música: Franz Waxman

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#02 – Má Educação

La Mala Educación

Poster raro, em espanhol.

Decidi que o segundo filme teria alguma coisa em comum com o primeiro e, como em setembro estréia o novo de Pedro Almodóvar – La Piel que Habito – lembrei de “Má Educação”.
Se não me falha a memória foi o primeiro que vi com o Gael Garcia Bernal, protagonista de O Passado, e também o primeiro do Almodóvar, em 2006.

Vi este em casa, quando alugava dezenas de filmes por semana com minhas amigas em uma locadora chamada Start 94, na Santa Cecília (Alameda Barros, 104 – SP), que nem sei se ainda existe, pois nunca mais consegui ir para aquela região.

Entre as inspirações de Almodóvar para esta história estão os filmes noir e algumas lembranças pessoais, embora não seja um filme autobiográfico – o cineasta levou dez anos para desenvolver o roteiro.

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Título Original: La Mala Educación
Origem e Ano: Espanha, 2004
Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar
Gênero: Drama
Figurino: Paco Delgado e Jean-Paul Gaultier
Música: Alberto Iglesias

gaultier-maeducacao

Croqui de Gaultier para o exótico figurino de Gael Garcia Bernal

No IMDB.
No Adoro Cinema.