#82 – Deixa Ela Entrar

Poster original sueco
Poster original sueco

Seguindo no ritmo sombrio de outubro, o filme de hoje é, facilmente, um dos meus favoritos.
Quando chegou ao Brasil em 2009, o longa sueco trazia junto seu sucesso, e foi quase impossível vê-lo no cinema – poucas salas exibem filmes de países fora do eixo USA-UK, mesmo em São Paulo – as filas eram imensas e aos poucos os horários foram ficando ruins para quem trabalhava e estudava. Quase fui ver com a G. no Espaço Unibanco, na Augusta, mas imaginem se a fila não tomava boa parte da calçada? Consegui assistir em uma tarde com a J., no cinema do Conjunto Nacional, com direito a horário errado no site e perder uns dois minutos no início do filme. Tudo bem, não tiraram a qualidade do que viria a seguir.
A segunda vez que assisti foi um momento único na minha vida – estava na Suécia, a paisagem nas ruas era cheia de neve, como no próprio filme, e algumas coisinhas eram tão… suecas! Só não fui na região onde o filme foi gravado pois era bem residencial e longe, então abri mão. Desta vez, M. viu comigo. Ele deve me achar meio maluca com essa minha paixão por vampiros, mas acaba me acompanhando quando invento de assistir algo assim.
É muito interessante a originalidade da história, sem referências a Drácula ou definições de Anne Rice. Os protagonistas têm cerca de 12 anos – inclusive a vampira – e o mais apavorante nisso são as cenas de bullying, demonstrando a crueldade já desperta tão cedo. Eli, a “jovem” vampira, é uma figura que não corresponde à divisão bem-mal, e alguns críticos mencionavam até mesmo sua androginia, cheguei a ler até um comentário sobre uma possível referência homossexual na relação que ela desenvolve com Oskar, o menino agredido pelos colegas de escola. Acho esse tipo de comentário tão chato – ocasionalmente eu tropeço em resenhas que enxergam “gay” em tudo. Imagina o que essa gente não diria de Cavaleiros do Zodíaco, então? Uma coisa muito interessante da Suécia é que por lá a questão da sexualidade das pessoas é muito melhor resolvida do que aqui no nosso país – infelizmente para nós. Por lá as pessoas tratam por algo que traduzo livremente como “seu par” invés de “sua mulher” ou “seu marido” – em resumo, não importa. E em uma cena, Eli pergunta se Oskar iria gosta dela, mesmo que ela não fosse uma menina – e sim. Okay, pelo que conheci dos suecos, é isso, fim. Sem drama sobre a sexualidade do garoto.

[mais]

Foi indicado ao BAFTA de melhor filme estrangeiro, recebeu 63 prêmios e 23 indicações.

O roteiro foi escrito pelo próprio autor da história que o originou – John Ajvide Lindqvis publicou o livro em 2004 e, apesar do sucesso enorme do filme (que até ganhou um remake estadunidense dois anos após a estreia e que eu me recuso com veemência a assistir, já que fiquei com uma péssima impressão desse prazo), só chegou às livrarias brasileiras em 2013. Veja aqui a edição.

Título Original: Låt den rätte komma in
Origem e Ano: Suécia, 2008
Direção: Tomas Alfredson
Roteiro: John Ajvide Lindqvist
Gênero: Horror
Figurino: Maria Strid
Música: Johan Söderqvist

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No PirateBay.
No Youtube, integral e legendado em português.

#81 – O Corvo

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Outro aniversário, outro filme escolhido por ter uma relevância enorme para mim.
Até o início de 2013, todas as minhas tentativas de assistir O Corvo foram frustradas. Mas eis que, no fim de fevereiro, em plena viagem para Estocolmo, tive um breve resfriado e passei um tempo sozinha em casa – enquanto meus companheiros de viagem foram para um encontro de programadores, aproveitei para ver esse clássico dos anos 90.
E ali estava eu, hipnotizada e encontrando uma nova paixão nerd-gótica-cinéfila. A história da vingança de Eric Draven é densa e, embora não seja muito comentado, é uma adaptação de quadrinhos muito anterior a isso virar febre. Nem preciso dizer que a HQ entrou para a minha lista de desejos e a trilha sonora, com a perfeita “Burn”, do The Cure, desde então toca quase toda semana na minha playlist.
Infelizmente personagens sinistros com cabelinho comprido e maquiagem parecem não dar muita sorte aos seus intérpretes e, quase no fim das gravações, Brandon Lee – o Corvo – foi atingido por uma bala inadequada para a cena que estavam gravando (e que eu nunca vou enteder porque diabos estava no cano da arma e não foi removida, simplesmente por uma questão de segurança, antes de trocarem para o tipo certo de munição). O ator tinha apenas 28 anos e, assim como Eric Draven, estava com seu casamento marcado para poucos dias depois do incidente, mas não resistiu ao ferimento e deixou, além de um provável coração partido, um filme inesquecível.

[mais]

Embora seja lembrado até hoje, o filme não recebeu prêmios muito relevantes. Foram realizados três filmes em sequência ao primeiro, mas nenhum teve a mesma repercussão. Houve também uma série de televisão e, atualmente, há um remake previsto para ser filmado em 2014.

Os quadrinhos que originaram o filme foram escritos por James O’Barr e publicados a partir de 1989, e em 2011 ganharam uma edição especial, mas não localizei edição brasileira.

Título Original: The Crow
Origem e Ano: 1994
Direção: Alex Proyas
Roteiro: David J. Schow e John Shirley
Gênero: Ação
Figurino: Arianne Phillips
Música: Graeme Revell e várias bandas excelentes –  Clique aqui para ouvir a trilha sonora.

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No PirateBay.

Segunda semana em Estocolmo

E lá vamos nós de novo!
Acho que estamos aproveitando a viagem, afinal, eu acabo nem tendo tempo de escrever aqui.
A seguir outro post gigantes, nosso diário da semana passada:

Posteres na Cinemateca - foto de Natália Santucci (pra não dizer que não tirei nenhuma).
Posteres na Cinemateca – foto de Natália Santucci (pra não dizer que não tirei nenhuma).

Segunda – 18.02
Na segunda fomos para Valhalla. Mas não se preocupem, não foi o salão dos guerreiros caídos, fomos passear em dois pontos nos arredores de uma grande avenida de Estocolmo, a Valhallavägen – que descobri depois que é uma das ruas mais longas da cidade e tem grande valor arquitetônico. Na região, visitamos o Estádio Olímpico, inaugurado nos Jogos Olímpicos de 1912. Eu gostei bastante, e foi uma pena não ter grandes habilidade fotográficas. O estádio é bem pequeno, tem torres altas com mastros saindo de esculturas do tijolo que lembram proas de barcos. Havia pessoas treinando corrida na pista atlética, que pelo visto para este fim tem a neve retirada e amontoada ao redor e, neste montinho, havia pessoas treinando corrida com esqui. As estruturas de ferro, como as catracas de entrada, tem um estilo bonito, que denunciam a idade da construção. Também há as esculturas, fora do espaço esportivo, que dariam fotos incríveis no clima sombrio do inverno.
Saindo dali, fomos à sede do Instituto Sueco de Cinema – a Cinemateca – que é um prédio interessantíssimo, tinha alguns figurinos expostos e, embora não tenhamos assistido nada por ali, há duas salas de exibição, biblioteca e um andar relacionado a alguma faculdade de moda – que agora eu preciso realmente descobrir qual é para, quem sabe no futuro, estudar aqui por uns tempos.

Terça – 19.02
Na terça voltamos aos arredores da Cinemateca, pois a Lele descobriu um concerto da orquestra da Swedish Radio Symphony Orchestra. Fomos ao complexo que reúne a rádio e o canal de televisão SVT, mas na recepção da rádio descobrimos que os ingressos e as apresentações eram na Berwaldhallen, uma sala de concertos perto dali. Não chegamos a acompanhá-la no dia do concerto, mas valeu a visita, pois o prédio era bem interessante – a parte de concreto da fachada fica iluminada com luzes coloridas e a sala de ensaios com paredes de vidro nos permitiu ver um pouquinho o ensaio da orquestra.
Tanto na segunda quanto na terça pegamos ônibus para voltar para casa, o que nos permitiu ver mais um pedacinho da cidade. Depois me concentrei em concluir e enviar um projeto para seleção.

Quarta – 20.02
Combinamos de ir ao Nordiska Museet, finalmente! Como um resfriado estava ameaçando me pegar, fiquei em casa o dia todo, e combinei de encontrar os outros direto no museu. A parte engraçada foi que, saindo do metrô, peguei uma rua errada e tive que usar meu inglês “macarroni” para conseguir pedir uma informação. Deu certo, mas me atrasei e quando cheguei ao museu o pessoal já estava lá há algum tempo. Fiquei chateada, não gosto de me atrasar e era eu quem estava infernizando para ir a este museu, por causa da exposição “Power of Fashion – 300 years of clothing”. Sinceramente, acho que eu poderia MORAR dentro daquele museu!
Como eu já tinha comparado antes, ele é tipo o Museu da Casa Brasileira – reúne objetos de uso cotidiano e se torna uma aula de história do design em diversos segmentos. Havia móveis, louças, roupas e até mesmo uma cabana ali dentro – o fundador do Skansen e do Nordiska é o mesmo, então isso faz um sentido enorme, no fim das contas.
Fiquei maravilhada com as cenas compostas recriando os ambientes e temas – que iam desde uma sala de jantar a um funeral – além das roupas e objetos dos Sami, um grupo étnico indígena da região da Lapônia, as casas de bonecas de vários séculos, a exposição de jóias e de cabelo, em um ambiente que recriava um salão dos anos 1970 e tinha até algumas peças de roupas feitas com fios. Comprei o catálogo da “Power of Fashion”, pois não consigo imaginar um livro falando sobre o significado das roupas na Suécia circulando pelo Brasil. E quase comprei o das jóias também, mas mantive os gastos sob controle.
Saindo de lá, passamos no supermercado para comprar alguma coisa para beliscar e fomos ao ao Lilla Hotellbaren, mas não ficamos muito tempo. As coisas eram muito caras e a banda que começou a tocar não nos agradou, então fomos caminhar pela região, que ainda não conhecíamos.
É um pedaço mais boêmio da cidade, com bares, casas de show, cinemas – inclusive o Victoria, em uma esquina e com letreiro em neon, onde são exibidos alguns filmes da programação da Cinemateca. Eu realmente gostaria de ter conhecido um cinema daqui por dentro. Andamos até bem perto de uma ponte que leva aos arredores do Ericsson Globe, mas aparentemente não era um lugar muito bom para circular a pé, então tiramos algumas fotos e retornamos dali.

Quinta – 21.02
Acho que a “maldição da quinta-feira” me pegou. Pela segunda semana consecutiva a quinta não foi um dia bom para mim, achei que fosse morrer de enxaqueca e náusea – um viva à TPM. Passamos rapidinho por um mercado de especiarias e produtos estrangeiros, parecido com os mercados públicos centrais das capitais brasileiras, bem perto da T-Centralen. O Miguel voltou para casa comigo, pois eu estava realmente me sentindo mal e não queria ficar sozinha.

Sexta – 22.02
A sexta era o dia da orquestra para a Lele. Nós ficamos papeando no escritório dos nossos amigos suecos, e pudemos rever a esposa de um deles, uma gaúcha que conhecemos no Brasil. Foi bem legal. O Gabriel saiu um pouco antes, pois precisava comprar algumas coisas, depois nos reencontramos em casa e os meninos foram ao mercado enquanto eu esperava em casa e aproveitava para concluir a apresentação e enviar mais dois projetos para outra seleção. Estou realmente querendo que este ano decole em relação aos projetos pessoais.

Sábado – 23.02
No sábado madrugamos, pois precisávamos estar no centro antes das 7h para encontrar outro casal de amigos e pegar o ônibus para Borlänge. O fim de semana seria em Romme Alpin, um resort esportivo de inverno – ou seja, muitas pistas de esqui e snowboard para nos arrebentarmos.
Eu nem sei patinar com rodinhas, estava apavorada. A maioria do pessoal optou pelo snowboard, mas fiquei com os esquis, que teoricamente são mais fáceis.
A primeira grande dificuldade foi ficar em cima daquilo sem me desesperar e cair. A segunda foi pegar o lift esquisitinho para subir pra pista. A terceira foi descer. Na primeira vez, para evitar uma trombada com a fila do lift, caí em um buraco de neve e quase não consegui levantar, mesmo com a ajuda de outra moça que estava esquiando. Na segunda, trombei com a tela de separação da fila e meio que atropelei um menininho. Na terceira tive uma cãibra e desisti da descida deslizante – mas tive que descer mancando toda a pista e carregando o esqui, que pesa infinitamente mais do que eu poderia imaginar. Depois disso, fomos nos encontrando em um dos cafés de Romme até dar a hora de ir para o hotel. O Miguel e eu gostamos do hotel, chegamos, tiramos um cochilo, tomamos um bom banho, depois fomos todos para um único quarto ver o Melodifestivalen, que é um programa parecido com o The Voice Brasil.

Domingo – 24.02
Acordamos cedo no domingo, pois o ônibus nos pegaria no hotel às 9h. O café da manhã do hotel estava bem gostoso, eu poderia ficar lá comendo até o ônibus das 11h. Fomos para a estação de esqui com todas as nossas coisas, pois infelizmente não voltaríamos para o hotel depois. Acreditem, neste dia nós passamos calor!
Quase todos pegaram esqui neste dia. Passei um tempo meio apavorada de descer as rampas, mas o Gabriel se habituou bem depressa e ficou um tempo comigo e com a Letícia, ajudando a gente a aprender a frear e fazer curvas.
Depois disso fiquei um pouco mais confiante e segui o dia descendo a rampa, embora não criasse coragem como os outros de ir para outras mais altas. Foi divertido e descobri que ainda sei cair sem me machucar – ou dei muita sorte.
Na volta para Estocolmo quase todos do ônibus cochilaram, mas começou a passar “A Espada Era a Lei” na tv do ônibus e, mesmo que estivesse dublado em sueco, eu adoro este desenho e assisti ele inteiro.
Nosso dia terminou com a chegada em Estocolmo – exaustos, doloridos, mas depois de um fim de semana muito divertido isso tudo é detalhe.

Primeira semana em Estocolmo

Olá, caros! Vou contar sobre as coisas que fizemos na semana passada. Como foi bem corrido e só consegui ir tomando pequenas notas no decorrer dos dias, então não será um post muito rico em detalhes. Ainda assim, espero que sirva pra dar uma ideia de como estão sendo nossos dias aqui. Daqui a uns dias publico um resuminho de como foi esta semana, aguardem.

Segunda – 11.02
Fomos com um dos amigos suecos e sua namorada a uma apresentação musical em um pub em Gamla Stan, chamado S:ta Clara. Descemos para o porão do lugar para ver uma apresentação de jazz, e a namorada deste nosso amigo, que é natural do norte do país, nos contou sobre o sol da meia-noite e a aurora boreal.

Flagrados em um momento fofinho.
Flagrados em um momento fofinho – foto de Letícia Figueira.

Terça – 12.02
Neve, muita neve – para os nossos parâmetros – caindo.
O pessoal decidiu ir patinar no gelo, mas eu estava faminta e nem um pouco empolgada com a possibilidade de me arrebentar no quinto dia da viagem. Fiquei por ali assistindo, congelando, gravando videozinhos do Miguel aprendendo a patinar… Se decidirem fazer de novo talvez eu participe.

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Esta neve pareceu um monte para nós – foto de Gabriel Engel.

Quarta – 13.02
Surgiu um evento para programadores em um pub no centro. Não quis ir, por motivos óbvios – não sou programadora e não falo inglês, então ficaria por lá só me aborrecendo e torcendo pro pessoal ir embora logo. Aproveitei pra ficar quieta no meu canto, tocando meus projetos pessoais. Foi uma boa escolha, consegui evoluir um pouco com um material que estava empacado há um tempo.

Quinta – 14.02
Não foi um dia bom para mim. Prefiro não entrar em maiores detalhes – em resumo, fiquei bem triste porque não consigo superar algumas limitações pessoais, estava muito cansada e no fim isso tudo bagunçou minhas emoções, então eu queria afundar e ficar trezentos anos sumida, igual ao Vasa. Fui para casa com o Miguel, nos deitamos cedo e ficamos um tempo conversando até que eu me sentisse melhor. Nossos companheiros de aventura voltaram por um caminho alternativo para casa, pegaram um ônibus e descobriram onde fica um restaurante brasileiro que tínhamos visto na internet.

Sexta – 15.02
Com o corpo e as emoções restabelecidos na sexta, quando o pessoal sugeriu uma festa – novamente com entrada gratuita – eu não tive porque recusar. Fomos a um clube de rock alternativo chamado Debaser, que me lembrou muito os bons tempos de balada na Funhouse e no Inferno, em São Paulo. Para chegar lá, novamente cruzamos Gamla Stan, que já ganhou meu coração e que eu mal posso esperar para conhecer durante o dia, já que até agora só passamos por lá no fim da tarde e à noite. Os suecos tem um jeito diferente dos brasileiros não apenas na forma como se tratam, mas também na maneira que se comportam – enquanto tocava as melhores músicas, que lotariam facilmente a pista nas festas paulistanas, as pessoas apenas circulavam e bebiam, só foram para a pista quando as bandas começaram a tocar.
Mas a entrada gratuita custa bem caro no fim das contas, um copo de Coca-Cola custou cerca de R$10 e as long necks estava por uns R$20. Voltamos para casa perto das duas da manhã – de metrô. Era um sonho da minha vida enquanto ainda morava em SP que tivéssemos metrô até três da manhã, como aqui! [Atualizando: parece que durante a semana ele não fecha às 3h, mas de sexta a domingo não para nunca!]

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Festa de róque!

Sábado – 16.02
No sábado saímos de Estocolmo e fomos até Åkersberga, uma espécie de bairro em um município vizinho, na costa do mar Báltico. Quando fomos ao museu do Vasa eu achei que tinha lido que o navio ficou conservado porque o mar não tinha tanto sal, e foi possível confirmar isso ao vivo – em Åkersberga o ele forma quase um lago, que estava completamente congelado! Acho que foi um dos dias mais divertidos: pegamos o metrô, um trem e um ônibus, passamos por lugares incríveis, cheios de casinhas lindas e espaços completamente brancos, que devem ser campos ou água no verão. Nosso destino era a casa de outro amigo sueco. Conhecemos a mulher dele, que é peruana, e a família dela, todos muito legais! Tomamos um tipo de suco feito com uma florzinha linda que agora não me lembro mais o nome, mas que estava delicioso. Depois atravessamos o bairro e fomos caminhar no mar Báltico – onde rolei na neve, o Miguel e a Lele fizeram “anjinhos” e todos fizemos guerra de bolinhas de neve. Fiquei toda molhada, mas foi muito bom! Seguimos para a casa deles preparar um churrasco – com opções vegetarianas – caipirinha e brigadeiro.

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Indo à praia. Quer dizer, andar no mar Báltico – foto de Nelly Rios.

Domingo – 17.02
O transporte em Estocolmo é totalmente interligado. Metrô, trem, balsa, ônibus e um “trenzinho” de superfície, que circula nas ruas como um ônibus elétrico, são acessíveis com o mesmo cartão, que até onde eu soube é pago pelo período que o usuário escolhe e, dentro desse período, pode ser utilizado ilimitadamente.
E foi por causa desse sistema bacanésimo que no sábado fomos à cidade vizinha e que no domingo fomos passear com a balsa. O trajeto é bem rápido, atravessando o canal de Gamla Stan para Djurgården, com uma parada na ilha de Skeppsholmen, mas foi muito legal, pois assim pudemos ver algumas coisas de outros ângulos, os barcos enormes que vão para os outros países da Escandinávia e para a Rússia e o Gröna Lund, que é um parque tipo o Playcenter na margem do canal, por uma perspectiva muito bonita. Esse tipo de passeio alimenta cada vez mais minha vontade de morar em um barco!
Depois pegamos o trenzinho, demos uma volta com ele por Djurgården e voltamos ao centro. Em frente à T-Centralen tem o Kulturhuset, que é um centro cultural bem grande, então paramos lá para conhecer e tomar um café para nos descongelar. Como uma parte do espaço já estava fechando e o restante cobrava ingresso para entrar, após o café passamos no mercado e fomos para casa. Terminamos o fim de semana comendo nachos e assistindo o filme “Sete Psicopatas e um Shih Tzu”.

Fim de Semana em Estocolmo

O post de hoje será um pouquinho longo, para eu poder contar para vocês sobre nosso primeiro dia e o primeiro fim de semana circulando pela cidade, mas creio que seja uma leitura interessante, pois fomos a lugares bem legais.

Sexta
Dia de trabalhar pois, mesmo viajando, não estamos de férias. Felizmente é possível dar sequência ao trabalho à distância, já que o restante da tripulação é todo de programadores e eu atualmente me afastei do Design de Moda pelas Mídias Sociais. Lesadíssima pelo jetlag, acompanhei a galera ao escritório de um amigo sueco, onde vamos ocupar algumas mesas durante nossa estadia aqui.
Andamos pelo Centro da cidade ainda um pouco desorientados, pedindo informações. Em uma rua próxima à T-Centralen há um Instituto Cervantes e o Goethe vizinhos de porta – um sonho da minha vida estudar em ambos!
Há muitas lojas de departamentos da H&M – a empresa é original do país e sua sede é aqui – e esculturas de leões de pedra em algumas ruas. Em alguns lugares não passam carros e, de uma forma geral, a cidade é de um silêncio mágico!

Depois do expediente ficamos com o pessoal do escritório – todos conversando em inglês, menos eu, que consigo traduzir a maior parte da conversa, mas não consigo falar.
Saímos para comer – caro, caro, caro – e fomos parar na Pizza Hut que, por aqui, pareceu bem diferente das que conheci no Brasil.
Confesso que fiquei bem nervosa por não conseguir me comunicar, acabo me sentindo muito incompetente por não conseguir formar uma frase em inglês, tanto por vergonha quanto por limitação de vocabulário.
Na volta os meninos fizeram guerra de bolas de neve e fomos abordados por duas figuras muito bizarras na entrada da estação do metrô – dois carinhas muito sociáveis e que talvez estivessem “altos”. Deu medo, acho que meu instinto paulistano de cuidado ligou instantaneamente.
Saindo do metrô, voltamos para casa pela margem de um lago quase congelado, mas ainda assim cheio de patos, onde encontramos escadas para a água e deduzimos que as pessoas tomam banho por ali no verão.
O lugar é a cara do filme “Deixa Ela Entrar”, que pretendo rever em breve.

Foto de Letícia Figueira.
Brincando na neve no Centro de Estocolmo – Foto de Letícia Figueira.
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Descendo para o rio. Olhem a quantidade de bicicletas estacionadas no prédio à esquerda! – Foto de Gabriel Engel.
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Rio congelado. No meio da cerca, à esquerda na foto, tem uma escada para ir à água. – Foto de Letícia Figueira.

Sábado
Sábado descobrimos que estava acontecendo a Stockholm Fashion Week. Diferente das semanas de moda brasileiras, que são restritas a convidados, nesta é possível entrar comprando o ingresso. Consideramos ir no domingo mas, como gostaríamos de fazer outros passeios e a entrada nos lugares não é nada barata, abrimos mão para poder conhecer outras coisas da cultura sueca. Depois de almoçar saímos rumo a Djurgården, que é uma ilha onde ficam vários museus e um parque homônimo. No caminho pudemos ver mais um pedaço dessa cidade linda e descobrimos que realmente existe uma Cinemateca por aqui – que, pelo que consegui entender, exibe filmes nacionais e estrangeiros em várias salas de três cidades do país. Passamos em frente ao Museu de História e no Museu Nórdico, mas seguimos para o Museu do Vasa, que abriga o navio de guerra Vasa, de 1628, que naufragou em sua viagem inaugural e foi içado do fundo do mar mais de trezentos anos depois. É um passeio impressionante, pois o enorme navio está exposto e se manteve bastante conservado sob a água, sua restauração continua sendo feita e existem muitas outras coisas expostas, como um dos botes salva-vidas, uma réplica que mostra como eram as cores originais do Vasa, os pigmentos que foram utilizados para pintá-lo, roupas e objetos resgatados, maquetes explicativas e até mesmo os esqueletos de alguns dos poucos que não conseguiram escapar do naufrágio.
Na volta passamos em algumas lojas para providenciar botas e luvas mais adequadas, tive uma crise de abstinência de café e acabei ficando em casa, curando a dor de cabeça, enquanto o pessoal foi ao mercado.

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Saindo da estação Karlaplan para chegar em Djurgården – Foto de Miguel Grazziotin.
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O navio de guerra Vasa, recuperado após três séculos submerso. – Foto de Letícia Figueira.
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A popa do Vasa, totalmente esculpida, era originalmente muito colorida, mas já havia desbotado quando o encontraram. – Foto de Letícia Figueira.

Domingo
Durante o passeio no Museu do Vasa, encontramos professores portugueses que nos indicaram o Skansen, um museu a céu aberto que reúne construções de diversas épocas e regiões da Suécia, além de um pequeno zoológico de animais escandinavos.
Apesar de a previsão do tempo indicar que seria o dia mais frio que pegamos até o momento, encaramos o passeio e seguimos novamente para Djurgården. Andamos por mais de duas horas na neve – que em alguns lugares passava das nossas canelas – e entramos em três edificações que estavam abertas para visitação: a Farm Labourer’s Cottage, a Väla School e a Seglora Church.

Na primeira delas, uma casa rural, tomei um grande susto, pois abri uma porta e fui cumprimentada por uma moça em trajes de época – a última coisa que eu esperava encontrar. Depois do susto entendi que provavelmente encontraríamos outras figuras assim pelo parque, pois eram as responsáveis pelas explicações sobre o que eram aquelas casas. Encontramos mais duas atrizes/guias, na casa onde funcionou a escola de Väla, que também era residência dos professores, e na igreja de Seglora, construída no século XVIII, transferida para o museu no início do século XX e que ainda hoje é utilizada para casamentos.

Depois disso, seguimos para o fundo do museu, onde ficam os animais. Foi possível ver corujas gigantes, lobos, raposas, linces – brincando como gatinhos! – bisões, renas, javalis, dois cavalos esquisitinhos com cara de pônei, um alce fêmea, lontras, focas e ovelhas. Os ursos estão hibernando e os wolverines não deram nem sinal, o que é uma pena, pois era um dos que mais queríamos ver.

Saindo de Skansen fomos à Gamla Stan, a parte mais antiga da cidade, onde enfrentamos o vento mais gelado de todo o passeio. Paramos em um tipo de pub à beira do rio, passamos em frente ao palácio real, muitas lojas de suvenires, bares, restaurantes e terminamos nossa aventura novamente na T-Centralen.

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Guerrinha na neve em frente ao Museu de Biologia, vizinho do Skansen. – Foto de Letícia Figueira.
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Procurando a entrada do Skansen. – Foto de Miguel Grazziotin.
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Gamla Stan, a “cidade velha” de Estocolmo. – Foto de Letícia Figueira.

Chegando a Estocolmo

Foto de Letícia Figueira, fev.13
Foto de Letícia Figueira, fev.13

Estas postagens não serão diárias, é inviável, mas vou tentar registrar um pouquinho desta viagem inusitada, que até há 6 meses eu nem sonhava em fazer.

Nossa “expedição” conta com quatro tripulantes: Gabriel, Letícia, Miguel – meu namorado, muito mencionado neste blog por ter visto comigo vários dos filmes que comentei aqui – e eu.

Saímos de Porto Alegre na última quarta-feira. Chegamos em São Paulo antes das 16h, e lá ficamos até mais de 21h.
A parte boa desta looonga espera foi que pude rever minha mãe e uma das minhas melhores amigas, a Isa.
E a mãe ainda levou risoles de queijo, que fazia uma eternidade que eu não comia.

Depois de reencontrar o pessoal, passear pelas free shops, esperar uma era pelo embarque – que atrasou – pegamos um voo da KLM para Amsterdã. O voo foi tranquilo, as comidinhas estavam boas e tinha uma programação bem legal de filmes e outras distrações multimídia. Assisti “Valente” – em outro post comento com mais detalhes – e ia ver “Hotel Transilvânia”, mas o cansaço me venceu, embora não tenha dormido grande coisa.

Pouco depois de acordar, abri a janela e vi a Europa pela primeira vez – estávamos sobrevoando o que pareciam montanhas no norte da Espanha. E conseguimos ver alguns rios e uma região bem plana da França também.

Ficamos pouco em Amsterdã, basicamente o tempo de sair do avião, passar de novo pelo raio-x e ir para o embarque que nos levaria ao destino final. O que pudemos ver da cidade enquanto pousávamos foi muito bonito, deu muita vontade de passar alguns dias por lá para conhecer. Vi também muitas bicicletas paradas no aeroporto enquanto entrávamos no avião.

O voo para Estocolmo também foi tranquilo, e enquanto pousávamos meus olhos se encheram de lágrimas. Acho que pela primeira vez me dei conta do quanto estava longe de casa, ao ver toda aquela neve parecendo uma areia muito branca. Não era nem cinco da tarde e já estava escurecendo.

Pegamos um ônibus que nos levou até a Estação Central – a T-Centralen – paramos para comprar o cartão de transporte e depois pegamos o metrô para chegarmos ao apartamento onde vamos passar o mês.

Neste trajeto muitas coisas impressionaram: a neve, que eu nunca tinha visto, a beleza do pedaço da cidade que pudemos ver naquele momento, as incontáveis bicicletas estacionadas – e as pessoas pedalando na neve – algumas escadas rolantes do metrô que ligam quando alguém pisa nelas… As estações e os trens que vimos até agora são muito parecidos com a linha amarela do metrô de São Paulo. Quando saímos do metrô encontramos outro brasileiro, que mora aqui há alguns anos, e nos ajudou a encontrar o endereço.

Depois que conseguimos chegar ao apartamento – que reservamos pelo Airbnb – nos instalarmos e conhecermos o dono do lugar, que é um médico sueco descendente de sino-americanos, fomos ao mercado e tivemos a primeira surpresa ruim. Pensem em “comida cara”. Agora coloquem um “muito” na frase.

Depois disso jantamos, dormimos, e sobre a sexta-feira eu conto mais no próximo post.
Até mais!