#55 – Ilha do Medo

Poster original

“Ilha do Medo” foi um dos filmes que assisti em uma das maiores salas do Belas Artes, só dando mesmo algum crédito que o filme não passava de um suspense caça-níqueis por estar em cartaz lá.

Ao contrário do que dizem, o cinema não era uma exclusividade da “elite” – tinha um dos ingressos mais baratos da cidade e era a primeira opção entre meus amigos e eu para ver qualquer filme. Nenhum de nós foi criado em bairros nobres, pelo contrário, e estamos nos esforçando muito para terminarmos a faculdade. Porque não somos “elite”, precisamos nos esforçar pra conseguir ter emprego. Mas antes que este texto se torne uma crônica sobre elite, patrimônio cultural e poder aquisitivo, retomo o filme.

A ilha do título abriga um presídio psiquiátrico, do qual uma paciente desapareceu, e uma dupla de agentes viaja para investigar.
É um suspense muito bem feito, que convida o expectador a tirar suas próprias conclusões, característica comum a outro filme de Scorcese, “A Última Tentação de Cristo”, e que certamente divide opiniões. A fotografia é limpa e evidencia a turbulência dos momentos onde há muita água, quando as imagens se tornam confusas como os caminhos da investigação do detetive Daniels.
Sandy Powell, que criou as roupas de “Entrevista com o Vampiro” e trabalhou com Scorcese e DiCaprio em “O Aviador” assina os figurinos, e mostra novamente sua competência com roupas de época – a história deste longa se passa em 1954.

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Adaptação do livro homônimo de Dennis Lehane, publicado em 2003. No Brasil, inicialmente foi publicado com o título “Paciente 67“, alterado na edição posterior ao filme.

Título Original: Shutter Island
Origem e Ano: EUA, 2010
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Laeta Kalogridis
Gênero: Suspense
Figurino: Sandy Powell

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#45 – Cisne Negro

Poster original.

Faço um paralelo entre “Cisne Negro” e “Dorian Gray” tanto pelo desequilíbrio dos protagonistas de ambas histórias, quanto pela controvérsia em relação à qualidade dos filmes.
Como ex-bailarina e estudante de moda, “Cisne Negro” fez sentido para mim por outros parâmetros que não os aspectos de técnicas cinematográficas ou reflexões filosóficas que se propusesse a incentivar.
Eu vivi o clima de competição de uma turma de ballet, a busca pessoal pela perfeita execução de passos e coreografias, o desafio de superar a dor nos dedos em carne viva – tranformando-se ano após ano em pequenas garras, e isso sem fazer alusão a nada sobrenatural. Com o olhar de moda, eu vi figurinos lindos, desses que fazem muitas pessoas ao redor do mundo se encantarem pela imagem das bailarinas. E fã de roupas pretas que sou, fiquei louca pelo figurino da Rodarte para Odille, o cisne negro.
Quanto ao filme, creio que sofreu o “efeito Alice” – foi feito muito alarde, atrasaram a estréia nacional, as pessoas esperavam uma coisa bombástica e acabaram se frustrando. Não acho que o longa seja ruim, desde o início a proposta era fazer um suspense e creio que isto foi cumprido muito bem. Eu particularmente vi o que esperava. Na verdade, a mãe paranóica da protagonista me deu até mais medo do que eu esperava.
O roteiro não adapta nenhum best-seller – dizem que foi inspirado em um anime chamado “Perfect Blue”, mas ainda não tive oportunidade de assistir para ver até que ponto existe esta “inspiração” – nem conta uma história real, o que já acho um ponto a favor em uma época tão carente de roteiros originais. Também gosto deste “lado negro” do ballet – apesar de não ser muito popular, pelo menos entre os integrantes do Kirov, pelo que li em uma entrevista recentemente (não consegui encontrar o link).
É um longa que certamente verei novamente, principalmente depois de ver “O Lago dos Cisnes” na temporada que o próprio Kirov fez em agosto passado, além de querer formular melhor minha opinião sem o impacto das primeiras impressões, completamente ligadas à minha memória afetiva, e tentando não ser tão tiete de Natalie Portman, Winona Ryder e Vincent Cassel.
Aproveito para fazer um comentário a parte sobre os posteres, que são incríveis! Alguns lembram muito a estética dos cartazes russos/soviéticos do início do século XX, provavelmente uma maneira de fazer referência ao país de origem de “O Lago dos Cisnes”.

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Posteres com cara de design soviético.
Croquis dos figurinos do ballet.

O filme recebeu diversas indicações e prêmios, sendo o mais enfático o Oscar de melhor atriz para Natalie Portman.

Título Original: Black Swan
Origem e Ano: EUA, 2010
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz e John J. McLaughlin
Gênero: Suspense
Figurino: Amy Westcott, figurinos do ballet feitos pela Rodarte
Música: Clint Mansell, a partir de “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky

No IMDB.
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Peguei os croquis neste site e os posteres neste aqui.

#44 – O Retrato de Dorian Gray

Poster horizontal original.

Quando assisti “O Retrato de Dorian Gray”, eu gostei. Não que o longa seja um marco de excelência cinematográfica, mas reconheci nele várias coisas que havia visto no livro. Agora, reunindo material para postar, vi críticas que despedaçavam o filme. A única conclusão que consigo ter nesses casos é que preciso reler – de preferência com uma tradução melhor – e rever o filme. Ou simplesmente ignorar e ver alguma outra adaptação, já que desde 1910, o texto de Wilde já teve dezenas de versões cinematográficas em diversos países, além de Dorian ter se tornado um ícone, como Drácula ou Sherlock Holmes, aparecendo ou inspirando outras histórias.
Mas pelo menos o ator escolhido para ser o Dorian Gray desta versão, Ben Barnes, é mais bonito – o que neste caso é fundamental pro enredo fazer sentido – do que o que interpretou o personagem em “A Liga Extraordinária“. Alguém comentou a semelhança do ator com o próprio Wilde, e acredito que sua caracterização tenha mesmo sido inspirada pelo estilo dandi do autor.
Este filme foi lançado originalmente em 2009, mas só chegou ao Brasil em 2011 – evidentemente para aproveitar que Colin Firth foi indicado ao oscar de melhor ator por “O Discurso do Rei”.
Enquanto não formulo uma opinião mais consistente sobre o longa em si, guardo na memória a agradável experiência de tê-lo assistido tomando sorvete com o namorado, depois de um passeio de bicicleta.

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Adaptação de O Retrato de Dorian Gray

Título Original: Dorian Gray
Origem e Ano: Reino Unido, 2009
Direção: Oliver Parker
Roteiro: Toby Finlay
Gênero: Suspense
Figurino: Ruth Myers
Música: Charlie Mole

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#30 – Psicose (1960)

Poster americano horizontal.

“Psicose” é aquele tipo de filme que é tão importante que acaba sendo assimilado pela cultura popular e se torna referência até mesmo entre pessoas que nunca o assistiram.
Enquanto recolhia material para o post, descobri que entre 1983 e 1990 foi realizada uma série de filmes que dariam sequência ao original de 1960, e em 1998 foi feito o remake. Imagino que destes filmes, o remake tenha gerado mais comentários – possivelmente mais pela audácia de refilmar um clássico do que por méritos próprios. Há anos, comecei a ver este remake e – pra variar – dormi.
Recentemente, num feriado congelante, assisti com o namorado – com direito a tomar susto real.
Já na introdução, “Psicose” mostra a que vem com uma música sombria e um design limpo e, de certa forma, afiado.
A trilha composta por Bernard Herrmann – principalmente a da antológica cena do chuveiro – é uma das mais conhecidas de todos os tempos, mais conhecida até do que o próprio enredo do filme. [ouvir]
Lamento profundamente não ter conseguido ver nenhum filme na Mostra Hitchcock, ainda mais depois de ver a fotografia e os planos de “Psicose” – fiquei imaginando como deve ser impactante ver isso tudo num cinema.
Quando assistimos, estava uma ventania absurda, mas estávamos tão imersos no suspense de Hitchcock que só nos demos conta do vento quando a porta bateu e nos fez pular de susto.
O filme é excelente, merece ser visto várias vezes – e certamente sempre vai me fazer lembrar da experiência com a ventania, que foi nosso “extra”.

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Baseado no livro “Psicose”, de Robert Bloch, publicado em 1959.

Direção: Alfred Hitchcock
Figurino: Rita Riggs
Origem: EUA
Gênero: Suspense
Roteiro: Joseph Stefano
Música: Bernard Herrmann

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#29 – Janela Indiscreta

Poster alemão.

Assisti “Janela Indiscreta” há alguns anos, na época que alugava dezenas de filmes por semana em parceria com duas amigas.
Os elementos do filme tem muita qualidade em conjunto, mas alguns me marcaram mais: o desenrolar da trama a partir do ponto de vista de um personagem confinado, as formas e a estética do cenário, o mergulho do protagonista no universo – criado por ele mesmo – de seus vizinhos, os figurinos da lendária Edith Head e, claro, Grace Kelly.
Aliás, confesso a vocês que o vestido preto e branco que a Grace Kelly usou neste filme era uma coisa que eu gostaria muito de ver de perto, mas infelizmente a peça não fazia parte do acervo – enorme e lindo – da exposição que passou pela FAAP no começo do ano.

Figurino de Grace Kelly criado por Edith Head.

Mas vamos ao filme!
Jeff, um fotógrafo, se acidenta e fica confinado em seu apartamento enquanto se recupera da fratura. Enquanto os dias passam, ele vai desenvolvendo o hábito de observar o cotidiano de seus vizinhos, e a partir das cenas recortadas que vê pelas janelas, compõe o “retrato” de cada um, até encontrar um acontecimento suspeito e desconfiar que ocorreu um crime.
A vista que Jeff tem de sua janela foi trabalhada de uma maneira que parece uma parede cheia de fotografias vivas, absolutamente interessante.
Na época, estava muito curiosa também para ver a atuação de Grace Kelly, pois ouvia muitos comentários sobre a “princesa”, mas nunca tinha visto nenhum filme com ela.
E ela vem pra arrematar como Lisa Carol Fremont, namorada de Jeff, com quem ele compartilha suas observações. Segundo o blog Bainha de Fita Crepe, Lisa é modelo, veste roupas da alta moda da época – e dá espaço para Edith Head criar um figurino lindo, desses que a gente fica até com vontade de copiar e sair usando mesmo sem saber exatamente onde.

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Adaptação do conto “It Had to Be Murder” de Cornell Woolrich, publicado no Brasil em 2008, pela Companhia das Letras, no livro Janela Indiscreta e Outras Histórias.

Direção: Alfred Hitchcock
Figurino: Edith Head
Origem: EUA
Gênero: Suspense
Roteiro: John Michael Hayes
Música: Franz Waxman

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No Adoro Cinema.
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