Pensamentos cinematográficos

Essa semana eu me entupi de ficção pra relaxar um pouco depois de ficar investigando bancos de dados pra formular uma estatística. Algumas coisas que pensei:

Star Wars e Disney – porque você ama uns e fala mal dos outros? É porque de um lado tem os cara no fight e do outro meninas com vestidos volumosos? Hummm… Repense!

É porque os filmes da Disney passam mensagens equivocadas? Todo filme passa mensagens, se informe sobre “semiótica” e… Repense!

É porque as meninas vão ser ensinadas errado? E por acaso não é função dos pais ensinar que aquilo ali é de mentirinha invés de usar multimeios como educadores? Repense!

Foram umas coisas que me ocorreram, apenas, creio que muitas outras reflexões podem ser feitas (e eu nem comentei aquela roupa de escrava da Leia que me causa uma coisa de amor e ódio e a polêmica sobre o vestido da nova Cinderela).

#85 – Ed Wood

Poster alemao

Poster alemão

Aproveitando o gancho de Cidade das Sombras e o Halloween, o filme de hoje também tem o Martin Landau e o Bill Murray e é um dos meus preferidos da vida – e possivelmente o meu preferido do Tim Burton.

Ed Wood, assim como O Artista, é outro filme relativamente atual que se utilizou do recurso da fotografia em preto e branco. Lançado em 1994, é a biografia do “pior cineasta de todos os tempos”, que acabou se tornando um cult justamente pela baixa qualidade de seus filmes de terror e ficção científica.

Wood era fã de Orson Welles e Bela Lugosi. Tornou-se amigo do ator quando sua carreira e saúde estavam no fim – algo muito semelhante ao que comentam ter acontecido entre Burton e Vincent Price. Ironicamente, enquanto Welles é tido como um dos melhores diretores de todos os tempos, Ed sempre esteve na ponta oposta, e suas ideias mirabolantes para viabilizar seus filmes são recriadas de um jeito que considero bem leve, até poético, por Tim Burton. Estão lá Glen ou Glenda?, A Noiva do Monstro, O Plano nº9 do Espaço Sideral, as naves suspensas por fios…

Além do filme ser muito bom – ainda acho que um dia o Tim Burton leva um Oscar pelo conjunto da obra, já que seus filmes sempre recebem alguma indicação ou estatueta e o diretor até agora não levou nenhuma – os extras no dvd são impagáveis. Sem mais, assistam!

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Foi o segundo filme da dupla Burton-Depp – atualmente, são oito filmes lançados e há rumores de uma continuação de Alice no País das Maravilhas com Depp reprisando o Chapeleiro Louco.

Recebeu dois Oscar – Melhor Maquiagem e Melhor Ator Coadjuvante para Martin Landau, sendo premiado também nesta categoria com um Globo de Ouro e indicado nas categorias Melhor Filme – Comédia/Musical e Melhor Ator – Comédia/Musical – Johnny Depp.

Inspirado no livro de Rudolph Grey Nightmare of Ecstasy, sobre a vida e obra de Edward Wood Jr.

Na trilha sonora foi utilizado um instrumento musical muito curioso, o Teremim. Dá pra ouvir ela na íntegra aqui.

Título Original: Ed Wood
Origem e Ano: EUA, 1994
Direção: Tim Burton
Roteiro: Scott Alexander e Larry Karaszewski
Gênero: Biografia
Figurino: Colleen Atwood
Música: Howard Shore

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#83 – Gilda

Poster ilustrado original

O filme de hoje é uma homenagem a uma das minhas atrizes preferidas, que se estivesse viva, completaria 95 anos. Rita morreu no ano em que eu nasci, e eu só soube de sua existência em 2006. E Gilda foi o primeiro filme dela que vi, e revi umas 3 vezes na sequência, encantada. Embora a personagem tenha assombrado a atriz durante o resto de sua vida – uma de suas frases mais famosas é “Every man I have known has fallen in love with Gilda and wakened with me”.

O slogan do filme é “Nunca houve mulher como Gilda”, mas houve Rita Hayworth, e sua história de vida talvez seja ainda mais forte do que a de sua personagem mais importante – a jovem dançarina, extremamente tímida, mas que se tornou uma das atrizes mais importantes de sua época, passou por vários casamentos frustrados, inclusive com o também extremamente famoso Orson Welles, e terminou seus dias vítima do mal de Alzheimer.

Como eu, Margarita é libriana de outubro, e várias outras coisinhas me hipnotizam quando a vejo em cena.

Gilda foi lançado em 1946, e a história tem a Argentina durante a Segunda Guerra Mundial como cenário. A classificação dele como noir é um pouco controversa, mas quando a protagonista começa a exercer todo seu poder de sedução sobre Johnny Farrel, que também narra o filme, pouco importam os rótulos.

Eu poderia passar semanas escrevendo apenas sobre este filme, mas vou parar agora – assistam!

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Segundo o IMDB, na cena em que interpreta Put the Blame on Mame, Rita precisou usar um corset, pois sua primeira filha havia nascido pouco antes das filmagens. O vestido e as luvas usados na cena são um dos figurinos mais memoráveis de Hollywood.

Uma das cenas mais famosas da história do cinema.

Partitura da canção “Put the Blame on Mame”, interpretada na sequência da foto acima.

Título Original: Gilda
Origem e Ano: EUA, 1946
Direção: Charles Vidor
Roteiro: Marion Parsonnet, baseado em história de E.A. Ellington adaptada por Jo Eisinger
Gênero: Noir
Figurino: Jean Louis (vestidos)
Música: Marlin Skiles e M.W. Stoloff (direção musical)

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#82 – Deixa Ela Entrar

Poster original sueco

Poster original sueco

Seguindo no ritmo sombrio de outubro, o filme de hoje é, facilmente, um dos meus favoritos.
Quando chegou ao Brasil em 2009, o longa sueco trazia junto seu sucesso, e foi quase impossível vê-lo no cinema – poucas salas exibem filmes de países fora do eixo USA-UK, mesmo em São Paulo – as filas eram imensas e aos poucos os horários foram ficando ruins para quem trabalhava e estudava. Quase fui ver com a G. no Espaço Unibanco, na Augusta, mas imaginem se a fila não tomava boa parte da calçada? Consegui assistir em uma tarde com a J., no cinema do Conjunto Nacional, com direito a horário errado no site e perder uns dois minutos no início do filme. Tudo bem, não tiraram a qualidade do que viria a seguir.
A segunda vez que assisti foi um momento único na minha vida – estava na Suécia, a paisagem nas ruas era cheia de neve, como no próprio filme, e algumas coisinhas eram tão… suecas! Só não fui na região onde o filme foi gravado pois era bem residencial e longe, então abri mão. Desta vez, M. viu comigo. Ele deve me achar meio maluca com essa minha paixão por vampiros, mas acaba me acompanhando quando invento de assistir algo assim.
É muito interessante a originalidade da história, sem referências a Drácula ou definições de Anne Rice. Os protagonistas têm cerca de 12 anos – inclusive a vampira – e o mais apavorante nisso são as cenas de bullying, demonstrando a crueldade já desperta tão cedo. Eli, a “jovem” vampira, é uma figura que não corresponde à divisão bem-mal, e alguns críticos mencionavam até mesmo sua androginia, cheguei a ler até um comentário sobre uma possível referência homossexual na relação que ela desenvolve com Oskar, o menino agredido pelos colegas de escola. Acho esse tipo de comentário tão chato – ocasionalmente eu tropeço em resenhas que enxergam “gay” em tudo. Imagina o que essa gente não diria de Cavaleiros do Zodíaco, então? Uma coisa muito interessante da Suécia é que por lá a questão da sexualidade das pessoas é muito melhor resolvida do que aqui no nosso país – infelizmente para nós. Por lá as pessoas tratam por algo que traduzo livremente como “seu par” invés de “sua mulher” ou “seu marido” – em resumo, não importa. E em uma cena, Eli pergunta se Oskar iria gosta dela, mesmo que ela não fosse uma menina – e sim. Okay, pelo que conheci dos suecos, é isso, fim. Sem drama sobre a sexualidade do garoto.

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Foi indicado ao BAFTA de melhor filme estrangeiro, recebeu 63 prêmios e 23 indicações.

O roteiro foi escrito pelo próprio autor da história que o originou – John Ajvide Lindqvis publicou o livro em 2004 e, apesar do sucesso enorme do filme (que até ganhou um remake estadunidense dois anos após a estreia e que eu me recuso com veemência a assistir, já que fiquei com uma péssima impressão desse prazo), só chegou às livrarias brasileiras em 2013. Veja aqui a edição.

Título Original: Låt den rätte komma in
Origem e Ano: Suécia, 2008
Direção: Tomas Alfredson
Roteiro: John Ajvide Lindqvist
Gênero: Horror
Figurino: Maria Strid
Música: Johan Söderqvist

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No PirateBay.
No Youtube, integral e legendado em português.

#81 – O Corvo

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Outro aniversário, outro filme escolhido por ter uma relevância enorme para mim.
Até o início de 2013, todas as minhas tentativas de assistir O Corvo foram frustradas. Mas eis que, no fim de fevereiro, em plena viagem para Estocolmo, tive um breve resfriado e passei um tempo sozinha em casa – enquanto meus companheiros de viagem foram para um encontro de programadores, aproveitei para ver esse clássico dos anos 90.
E ali estava eu, hipnotizada e encontrando uma nova paixão nerd-gótica-cinéfila. A história da vingança de Eric Draven é densa e, embora não seja muito comentado, é uma adaptação de quadrinhos muito anterior a isso virar febre. Nem preciso dizer que a HQ entrou para a minha lista de desejos e a trilha sonora, com a perfeita “Burn”, do The Cure, desde então toca quase toda semana na minha playlist.
Infelizmente personagens sinistros com cabelinho comprido e maquiagem parecem não dar muita sorte aos seus intérpretes e, quase no fim das gravações, Brandon Lee – o Corvo – foi atingido por uma bala inadequada para a cena que estavam gravando (e que eu nunca vou enteder porque diabos estava no cano da arma e não foi removida, simplesmente por uma questão de segurança, antes de trocarem para o tipo certo de munição). O ator tinha apenas 28 anos e, assim como Eric Draven, estava com seu casamento marcado para poucos dias depois do incidente, mas não resistiu ao ferimento e deixou, além de um provável coração partido, um filme inesquecível.

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Embora seja lembrado até hoje, o filme não recebeu prêmios muito relevantes. Foram realizados três filmes em sequência ao primeiro, mas nenhum teve a mesma repercussão. Houve também uma série de televisão e, atualmente, há um remake previsto para ser filmado em 2014.

Os quadrinhos que originaram o filme foram escritos por James O’Barr e publicados a partir de 1989, e em 2011 ganharam uma edição especial, mas não localizei edição brasileira.

Título Original: The Crow
Origem e Ano: 1994
Direção: Alex Proyas
Roteiro: David J. Schow e John Shirley
Gênero: Ação
Figurino: Arianne Phillips
Música: Graeme Revell e várias bandas excelentes –  Clique aqui para ouvir a trilha sonora.

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No PirateBay.

#80 – Os Agentes do Destino

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Poster horizontal feito pela Empire Design

Sabe aqueles filmes que você não dá nada, que começa a assistir pensando que é uma coisa e no fim acaba surpreendendo? É bem este o caso de Os Agentes do Destino. Estava ali, entre os filmes que M. baixou porque “parecia interessante” – e às vezes vemos que são uma cilada – quando abrimos o arquivo parecia um filme meio policial, e aos pouco mostrou a que vinha: uma aventura misturada com romance e ficção científica, na qual um político com uma carreira promissora se apaixona por uma bela estranha e algum tempo depois se vê fugindo de uma organização secreta, que por algum motivo deseja impedi-lo de reencontrar a moça.

Como me impressionou muito bem, fui procurar um pouco mais a respeito, e descobri que a história original que inspirou o roteiro do clássico sci-fi é do mesmo autor dos textos que originaram Blade Runner e de Minority Report. No longa, a personagem de Emily Blunt aparece em cenas de dança, e sobre isso fiz outra descoberta – a companhia que aparece no filme é real! A Cedar Lake Company fica em Nova York, e a bailarina Acacia Schachte foi a dublê de corpo de Emily em algumas cenas do filme.

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O roteiro foi inspirado no conto “Adjustment Team” de Philip K. Dick, originalmente publicado em 1954. No Brasil, o conto foi lançado no livro Realidades Adaptadas, em 2012.

Título Original: The Adjustment Bureau
Origem e Ano: EUA, 2011
Direção: George Nolfi
Roteiro: George Nolfi
Gênero: Ficção Científica
Figurino: Kasia Walicka-Maimone
Música: Thomas Newman

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#79 – En Puntas

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Uma das imagens e divulgação do vídeo.

Este foi um dos vídeos mais impactantes que assisti nos últimos tempos. Os três minutos e meio se alongam na agonia de ver a bailarina Amélie Segarra dançando sobre as facas.

De acordo com o release do vídeo “a bailarina aparece como uma figura misteriosa, expressão de esforço, sacrifício e dor em seu empenho para a perfeição”, e é mais agoniante do que qualquer sequência do Cisne Negro.

As outras obras do espanhol, disponíveis em seu perfil no Facebook, também possuem este aspecto sombrio.

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Infelizmente não encontrei uma ficha técnica mais completa do vídeo, mas lá vão as informações disponíveis:

Título Original: En Puntas
Origem e Ano: Espanha, 2013
Direção: Javier Perez
Gênero: Performance

Filme:

En Puntas

Foto de uma instalação com as sapatilhas utilizadas por Amélie no vídeo.

Perfil de Javier Pérez no Facebook.
Site oficial do artista.

Distribuição sob licensa CC BY 3.0.