#54 – Batman Begins

Poster teaser original

Mais um filme do Bátima! Tenho alguma memória de 2004/2005, quando as notícias da produção eram alvo de especulações desconfiadas nas rodinhas de fãs de quadrinhos.
Vi “Batman Begins” no fim de semana da estréia e automaticamente formulei meu “top 3”, com os dois do Tim Burton e este. Há um tempinho, comprei os dvds dos mais recentes e fiz uma sessão dupla, e na comparação dos dois filmes, a estética de Gothan do Begins me parece muito mais fiel aos quadrinhos e coerente com outros filmes do Morcego do que “O Cavaleiro das Trevas”, mas isso é assunto pra outro post.
Não posso evitar um comentário de tablóide: é o segundo filme do Batman que a mocinha é esposa do Tom Cruise, desta vez Katie Holmes, enquanto em “Batman Eternamente” era Nicole Kidman. Não me lembro de outros filmes da Katie Holmes, mas lembro de vários da Nicole, então só posso dizer que gosto mais da australiana, mesmo que sua participação tenha acontecido em uma adaptação não tão boa.
E tem o Batman. E Christian Bale tem o mérito de ter sido o melhor deles, convencendo muito bem como mauricinho e como herói que enche os malvadões de porrada. E sem mamilos na armadura!
Michael Caine, Morgan Freeman e Gary Oldman formam um excelente time de mocinhos ao lado do protagonista.
Os vilões também dão conta, o Espantalho assusta até fora da máscara, e eu creio que a escolha por personagens que ainda não haviam aparecido nos outros filmes foi bem acertada, pois assim reduziria comparações com os antecessores, que poderiam ter impactos negativos para a continuidade da franquia – as críticas positivas ao filme certamente deram credibilidade suficiente para que explorassem vilões “reprisados” no filme seguinte.
A proposta inédita de dar mais realismo aos personagens de Gothan foi muito bem conduzida e é um elemento a parte de interesse neste longa.

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Os figurinos foram desenvolvidos por Lindy Hemming, responsável por vestir 007, Lara Croft e os personagens de “Harry Potter e a Câmara Secreta” e do filme “O Bravo”, dirigido por Johnny Depp.

Título Original: Batman Begins
Origem e Ano: EUA e Reino Unido, 2005
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan e David S. Goyer, baseados em história de David S. Goyer e personagens de Bob Kane.
Gênero: Aventura
Figurino: Lindy Hemming
Música: James Newton Howard e Hans Zimmer

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

#45 – Cisne Negro

Poster original.

Faço um paralelo entre “Cisne Negro” e “Dorian Gray” tanto pelo desequilíbrio dos protagonistas de ambas histórias, quanto pela controvérsia em relação à qualidade dos filmes.
Como ex-bailarina e estudante de moda, “Cisne Negro” fez sentido para mim por outros parâmetros que não os aspectos de técnicas cinematográficas ou reflexões filosóficas que se propusesse a incentivar.
Eu vivi o clima de competição de uma turma de ballet, a busca pessoal pela perfeita execução de passos e coreografias, o desafio de superar a dor nos dedos em carne viva – tranformando-se ano após ano em pequenas garras, e isso sem fazer alusão a nada sobrenatural. Com o olhar de moda, eu vi figurinos lindos, desses que fazem muitas pessoas ao redor do mundo se encantarem pela imagem das bailarinas. E fã de roupas pretas que sou, fiquei louca pelo figurino da Rodarte para Odille, o cisne negro.
Quanto ao filme, creio que sofreu o “efeito Alice” – foi feito muito alarde, atrasaram a estréia nacional, as pessoas esperavam uma coisa bombástica e acabaram se frustrando. Não acho que o longa seja ruim, desde o início a proposta era fazer um suspense e creio que isto foi cumprido muito bem. Eu particularmente vi o que esperava. Na verdade, a mãe paranóica da protagonista me deu até mais medo do que eu esperava.
O roteiro não adapta nenhum best-seller – dizem que foi inspirado em um anime chamado “Perfect Blue”, mas ainda não tive oportunidade de assistir para ver até que ponto existe esta “inspiração” – nem conta uma história real, o que já acho um ponto a favor em uma época tão carente de roteiros originais. Também gosto deste “lado negro” do ballet – apesar de não ser muito popular, pelo menos entre os integrantes do Kirov, pelo que li em uma entrevista recentemente (não consegui encontrar o link).
É um longa que certamente verei novamente, principalmente depois de ver “O Lago dos Cisnes” na temporada que o próprio Kirov fez em agosto passado, além de querer formular melhor minha opinião sem o impacto das primeiras impressões, completamente ligadas à minha memória afetiva, e tentando não ser tão tiete de Natalie Portman, Winona Ryder e Vincent Cassel.
Aproveito para fazer um comentário a parte sobre os posteres, que são incríveis! Alguns lembram muito a estética dos cartazes russos/soviéticos do início do século XX, provavelmente uma maneira de fazer referência ao país de origem de “O Lago dos Cisnes”.

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Posteres com cara de design soviético.
Croquis dos figurinos do ballet.

O filme recebeu diversas indicações e prêmios, sendo o mais enfático o Oscar de melhor atriz para Natalie Portman.

Título Original: Black Swan
Origem e Ano: EUA, 2010
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz e John J. McLaughlin
Gênero: Suspense
Figurino: Amy Westcott, figurinos do ballet feitos pela Rodarte
Música: Clint Mansell, a partir de “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.

Peguei os croquis neste site e os posteres neste aqui.

#43 – Onde Andará Dulce Veiga?

Poster original.

“Onde Andará Dulce Veiga?” era um filme que eu tinha muito medo de assistir, pois adaptava para o cinema um dos meus livros preferidos com um elenco cheio de “globais”.
Mas, como devoradora de livros do Caio Fernando Abreu que sou, lá estava eu no Belas Artes, em outubro de 2007, para ver uma das poucas exibições do filme durante a 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Perdi os primeiros segundos da exibição, mas não saí da sala antes de acabar os créditos. E, exceto pela modificação pasteurizada da cena final, que me aborreceu horrores, o filme é muito bom.
Hoje me pergunto “onde andará o filme?”, pois não consegui encontrá-lo em dvd nem em torrent. No máximo, consegui assistir novamente online. Conta a história de um jornalista que, ao descobrir que a vocalista de uma nova banda de rock é filha de uma antiga diva do rádio, passa a investigar o paradeiro da mãe, que desapareceu misteriosamente durante as gravações de um filme há décadas atrás.
Em uma mistura de ilusões e memórias do jornalista – que no livro não tem nome, mas no filme foi batizado de Caio – com a investigação que o leva a lugares inusitados, o longa atravessa o submundo ao som de canções muitas vezes inspiradas em textos do próprio Caio Fernando Abreu, além de ter outras referências até nos créditos finais. A adaptação e direção ficaram por conta de Guilherme de Almeida Prado, que foi amigo do Caio, e talvez por isso não tenha deixado a história se perder.
Quanto às músicas, enquanto para o cinema foi composta uma trilha original, no livro a canção que faz o jornalista se lembrar de Dulce Veiga é “Nada Além“, de Orlando Silva.

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Adaptação do livro Onde Andará Dulce Veiga? – Um Romance B, de Caio Fernando Abreu, publicado em 1990.
Caio nasceu em 12 de setembro de 1948, em Santiago-RS. Morreu aos 47 anos, no dia 25 de fevereiro de 1996, em Porto Alegre-RS. Hoje completaria 63 anos.

Título Original: “Onde Andará Dulce Veiga?”
Origem e Ano: Brasil, 2007
Direção: Guilherme de Almeida Prado
Roteiro: Guilherme de Almeida Prado
Gênero: Drama
Figurino: Fábio Namatame
Música: Hermelino Neder

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Roteiro integral, no site da Imprensa Oficial.

#36 – O Morro dos Ventos Uivantes (1939)

Poster original.

Eu já havia lido o livro e assistido a versão de 1992, dirigida por Peter Kosminsky quando soube que a Cinemateca exibiria a primeira adaptação de “O Morro dos Ventos Uivantes” na “Mostra Verão de Clássicos”. A história de Catherine e Heathcliff sempre me fascinou.
O protagonista é considerado um herói byroniano, um anti-herói, e certamente o romance deste par de rebeldes é um dos mais memoráveis da literatura e do cinema.

A história sombria, envolvendo uma região chuvosa da Inglaterra, vozes, memórias e comportamentos passionais e excêntricos das personagens, é narrada em flashback por Nelly Dean, a governanta da casa que acompanhou pessoalmente todos os acontecimentos envolvendo as famílias Earnshaw, Hindley e Heathcliff.
E foi numa tarde chuvosa que o assisti, em uma cópia 35mm bastante riscada – e se tornou uma experiência sinestésica, devido à sensação de angústia causada pela escuridão da narrativa somada à cópia antiquíssima da película e às chuvas dentro e fora da tela.

O filme é tão bem conduzido que saí da sala louca para reler, cerca de dez anos depois da primeira leitura, as páginas que se tornaram um clássico da literatura inglesa e, além da extrema qualidade plástica e narrativa, há uma curiosidades sobre esta versão: foi o grande concorrente de “…E o Vento Levou” no Oscar de 1939 e ambos filmes exibem cenas de bailes onde todos vestem roupas impecáveis – considerando que já ouvi falar que nos anos 1930 não costumavam elaborar figurinos para os figurantes, este é um ponto bastante relevante nos dois longas .

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A versão de 1939 de “O Morro dos Ventos Uivantes” foi a primeira de 4 adaptações cinematográficas que o livro de Emily Brontë teve, até o momento. Foi o único romance da autora, publicado em 1847.
Foi indicado ao Oscar de Melhor Diretor, Filme, Ator, Direção de arte, Trilha sonora, Roteiro e Atriz Coadjuvante, mas o único prêmio que recebeu nesta ocasião foi o de Melhor Fotografia.

Título Original: Wuthering Heighs
Origem e Ano: EUA, 1939
Direção: William Wyler
Roteiro: Charles MacArthur e Ben Hecht
Gênero: Drama
Figurino: Omar Kiam
Música: Alfred Newman

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#26 – A Garota da Capa Vermelha

Poster original.

Faço uma pausa na série “Crepúsculo” para comentar um filme que está bastante relacionado a ela – até mais do que devia, eu diria.
Este aqui eu assisti antes de ver a série, e ao ver “Lua Nova” imediatamente pensei que “A Garota da Capa Vermelha” foi o jeito de Catherine Hardwicke fazer seu “personal Lua Nova”, já que foi substituída nos filmes seguintes da série. Até os pais das protagonistas são interpretados pelo mesmo ator – Billy Burke.

Pelos pôsteres e sinopses, prometia ser um bom filme de suspense, já que é quase espontâneo pensar no conto da “Chapeuzinho Vermelho” de uma maneira mais sombria. Converter o lobo em um lobisomem parecia ser um diferencial mais interessante do que uma eventual “atualização” da fábula e, coroando tudo isso, as imagens de divulgação eram belíssimas.
Porém, só correspondeu às expectativas estéticas e, ainda assim, com alguns detalhes incômodos.

O roteiro é raso – uma mistura de romance teen e soluções óbvias para a adaptação do conto – as atuações são opacas e possui todos os elementos que tornam “Crepúsculo” fraco, tendo mais tomadas aéreas de florestas canadenses e músicas de bandas atuais de rock do que enredo.
A melhor atuação do filme é a de Gary Oldman – mas sua personagem tem uma identidade tão rasa que em alguns momentos se torna muito semelhante ao Conde Drácula, interpretado pelo próprio Oldman em 1992, nas cenas de batalha de “Drácula de Bram Stoker”.

Já os figurinos são interessantes. A história se passa em uma vilazinha na idade média, época em que os tecidos eram caros e os teares estreitos – assim, as personagens vestem uma mesma roupa do início ao fim.
O vestido da protagonista tem faixas de tecido unidas por cadarços e o momento que ganha a capa vermelha marca justamente a passagem da sua juventude tranquila para o momento onde todos os problemas começam a aparecer, e até mesmo a própria capa acaba tornando-se um elemento problemático em uma cena onde acusam o vermelho de ser “a cor do diabo”.
Outro figurino interessante é o do lenhador Peter, por quem Valerie (a “Chapeuzinho”) é apaixonada. Como não é um rapaz “certinho” e a moça está prometida em casamento para outro, seu visual é desalinhado – cabelo despenteado, vestindo uma capa preta não sobre os ombros, mas em diagonal sobre um ombro só.

A fotografia do filme é bonita também, o cenário da vila e da casa da avó ajudam no tom de suspense, mas os espinhos exagerados nas árvores incomodam – talvez a floresta fosse mais assustadora se fosse mais realista.
Outro elemento dispensável – e que talvez ajudasse a não relacionar com os lobisomens de Stephanie Meyer – é a cena onde a mocinha se vê refletida nos olhos do lobisomem, pois é simplesmente igual a uma cena de “Lua Nova”.

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O livro “A Garota da Capa Vermelha“, de Sarah Blakley-Cartwright e David Leslie Johnson foi baseado no roteiro do filme.

Direção: Catherine Hardwicke
Figurino: Cindy Evans
Origem: EUA e Canadá
Gênero: Fantasia
Roteiro: David Johnson
Música: Alex Heffes e Brian Reitzell

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#20 – Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

Poster original - Tudo termina em 15 de julho

Em letras grandes, o cartaz anunciava: Tudo termina em 15 de julho.
E lá fui eu para o cinema na estréia, com o coração na mão, sabendo que teria diante de meus olhos os momentos finais de aventuras que duraram uma década, que acompanharam toda minha adolescência – mais os livros que os filmes, é verdade, mas mesmo sabendo como seria o final por ter lido “As Relíquias da Morte” anos antes, estava emocionada.
Aproveito para comentar que DETESTO cinema de shopping, pois não é raro encontrar pessoas que se comportam como bugios enlouquecidos e que pensam que todos ali acham divertido gastar um dinheiro que não é pouco pra ver um babaca tagarelando durante o filme. Mas respirei fundo e me concentrei na tela, onde “As Relíquias da Morte: parte 2” começava exatamente do mesmo ponto onde a primeira parte parou, como se fossem efetivamente um filme só. Ponto pra adaptação.
Se a parte anterior teve um ritmo mais lento, nesta aqui as coisas começam a se desenrolar numa velocidade crescente, com uma urgência maior. A guerra já começou, Voldemort sabe que está sendo perseguido – e sabe que estão seguindo as pistas certas – tornando-se mais agressivo.
Em Hogwarts, paralelamente à busca de Harry, Rony e Hermione, um grupo de alunos também organizou um foco de resistência. O passado encontra o presente de uma maneira emocionante, num ápice digno dos maiores clássicos do gênero.
É um final bonito, que não deixa nada a desejar à série, concluindo-a com a classe merecida. Arrisco dizer que é o melhor filme entre todos os oito.
Saí do cinema com algumas lágrimas no rosto e uma saudade enorme dos livros.

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Segunda parte da adaptação do livro “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, de J.K. Rowling, de 2007, finalizando 14 anos depois, um ciclo que começou com a publicação de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, em 21 de julho de 1997.

Direção: David Yates
Figurino: Jany Temime
Origem: EUA, Reino Unido
Gênero: Fantasia
Roteiro: Steve Kloves
Música: Alexandre Desplat

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#15 – Harry Potter e o Cálice de Fogo

Poster alemão.

Hoje retomo a série “Harry Potter”. Gostei da ideia de intercalar com outros filmes, para não soar tão repetitivo para quem não é fã, nem ficar tão presa a um assunto só.
“O Cálice de Fogo” chegou aos cinemas brasileiros em 2005, e na época assisti à pré-estreia. Porém, foi um dos que menos gostei e continuei não gostando tanto mesmo quando revi. Acredito que a adaptação ou a edição não tenham favorecido o ritmo da história, há algumas sequências onde não acontece nada de importante – e demoooora – e em outros momentos a coisa corre ou simplesmente é excluída. Alguns detalhes que desapareceram neste filme acabam deixando buracos na continuidade da série, e talvez passem despercebidas a quem leu os livros pois os leitores já receberam aquela informação. Mas pra quem está fazendo o caminho contrário, pode dar aquela sensação de “ah, okay, mas desde quando isso aí?”.
Os pontos fortes ficam por conta dos efeitos especiais e particularmente da adaptação do labirinto, que no livro é cheio de criaturas, mas no filme é formado por uma planta densa e que se move, tornando a atmosfera bem sombria.

[mais]

Adaptação de Harry Potter e o Cálice de Fogo, publicado em 2000. Pra matar os fãs brasileiros de ansiedade, a tradução nacional só chegou às livrarias 11 meses depois.

Direção: Mike Newell
Figurino: Jany Temime
Origem: EUA, Reino Unido
Gênero: Fantasia
Roteiro: Steve Kloves
Música: Patrick Doyle

No IMDB.
No Adoro Cinema.
No TorrentButler.